Como é o pós-operatório de uma cirurgia de TPLO?
- Felipe Garofallo
- 9 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: 26 de jul.
O pós-operatório de TPLO (Osteotomia de Nivelamento do Platô Tibial) exige uma série de cuidados importantes em casa para garantir que a recuperação do seu cão ocorra da forma mais segura e eficiente possível.

A cirurgia de TPLO é um procedimento ortopédico indicado principalmente para corrigir a ruptura do ligamento cruzado cranial, uma das lesões mais comuns em cães de médio e grande porte. Embora a cirurgia resolva o problema biomecânico do joelho, o sucesso completo depende diretamente da forma como o tutor lida com o pós-operatório.
Nas primeiras semanas, o repouso absoluto é essencial. Isso significa restringir ao máximo a movimentação do animal, mantendo-o em um ambiente calmo, sem acesso a escadas, móveis ou locais escorregadios.
Mesmo que o cão pareça animado ou queira se levantar, ele ainda está em processo de cicatrização óssea e o excesso de atividade pode comprometer os implantes colocados durante a cirurgia. O ideal é que ele permaneça em um espaço seguro, com superfície antiderrapante e onde possa se levantar e deitar com conforto, mas sem estímulos para correr, brincar ou pular.
Além do controle da movimentação, o uso correto da medicação prescrita pelo veterinário é fundamental. Antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios costumam ser indicados nos primeiros dias, e a adesão ao protocolo garante não só alívio da dor, mas também evita complicações infecciosas. Caso o cão demonstre dor intensa, inchaço excessivo ou sinais como febre e apatia, o tutor deve entrar em contato imediatamente com a equipe veterinária.
Outro ponto importante é a proteção da ferida cirúrgica. Ela deve ser mantida seca, limpa e protegida contra lambeduras. O uso de colar elisabetano ou roupa cirúrgica é altamente recomendado, especialmente nas primeiras duas semanas. O tutor também deve inspecionar o local da incisão diariamente em busca de secreções, vermelhidão ou abertura de pontos.
O retorno gradual à atividade física deve ser feito sob orientação veterinária. Em geral, a partir da segunda ou terceira semana, podem ser introduzidas caminhadas curtas com guia em superfícies planas, conforme a resposta do cão e as orientações do ortopedista. Em muitos casos, a fisioterapia veterinária é indicada já no início da recuperação, contribuindo para a redução da dor, melhora da amplitude de movimento e reeducação da marcha.
O período médio de recuperação óssea após a TPLO é de 8 a 12 semanas. Durante esse tempo, são esperadas avaliações de controle com radiografias para verificar o progresso da consolidação óssea. Somente após a liberação veterinária o cão poderá retomar sua rotina normal de exercícios e brincadeiras.
Em animais com sobrepeso, esse período de recuperação é também uma oportunidade valiosa para iniciar um plano de reeducação alimentar e emagrecimento, o que reduzirá as chances de complicações no outro joelho e melhorará a qualidade de vida a longo prazo.
Em resumo, o pós-operatório da TPLO exige disciplina, paciência e comprometimento por parte da família. Com os cuidados corretos, a maioria dos cães retorna à função normal da pata e apresenta excelente qualidade de vida.
Referências bibliográficas:
Slocum B, Devine T. TPLO: Tibial Plateau Leveling Osteotomy for Cranial Cruciate Ligament Rupture. Vet Clin North Am Small Anim Pract. 1993.
Piermattei DL, Flo GL, DeCamp CE. Brinker, Piermattei and Flo’s Handbook of Small Animal Orthopedics and Fracture Repair. 4th ed. Elsevier; 2006.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.