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Deslizamento da epífise capital femoral em gatos adultos jovens

5 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 6 de ago.

A cabeça do fêmur articula-se com o acetábulo e, em animais imaturos, liga-se ao colo femoral por uma placa de crescimento. No deslizamento da epífise capital femoral, essa união falha e a cabeça permanece no acetábulo enquanto o colo se desloca em relação a ela. O resultado é dor, perda da mecânica normal do quadril e lesão progressiva da cartilagem.

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Gato Maine Coon jovem durante exame veterinário do quadril e do apoio de um membro pélvico

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A condição é reconhecida principalmente em gatos adultos jovens, com associação descrita a machos castrados, excesso de peso e raças de grande porte como Maine Coon. A maturação tardia da placa de crescimento pode prolongar a janela de vulnerabilidade, mas nenhum fator isolado explica todos os casos. O problema não deve ser confundido automaticamente com displasia coxofemoral em gatos, que altera a congruência por outro mecanismo.

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Os sinais podem começar de modo súbito após salto banal ou evoluir como claudicação intermitente e relutância para pular. Muitos gatos passam a subir em móveis por etapas, evitam escadas, ficam menos ativos ou reagem quando o quadril é tocado. Como felinos ocultam dor, mudanças de rotina podem ser mais evidentes do que uma claudicação clássica.

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O exame ortopédico compara massa muscular, apoio, amplitude e dor nos dois quadris, sempre com contenção gentil. Extensão, abdução ou rotação podem ser dolorosas, porém movimentos forçados podem agravar uma separação instável e não são necessários para provar o diagnóstico. Analgesia e sedação planejadas melhoram o bem-estar e a qualidade das radiografias.

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Os diferenciais incluem fratura de colo femoral, luxação coxofemoral, trauma pélvico, displasia, osteoartrose, infecção, neoplasia e dor neurológica ou lombossacra. Em gatos jovens também se consideram doenças metabólicas que enfraquecem osso e fise, sobretudo quando há outras fraturas ou dieta inadequada. Uma luxação coxofemoral traumática pode gerar postura semelhante, mas a relação entre cabeça e acetábulo nas imagens é diferente.

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Radiografias da pelve e dos fêmures são fundamentais, com projeções que permitam comparar lados e avaliar a linha fisária. A linha de Klein e suas modificações, além do chamado sinal em S, ajudam a reconhecer deslocamentos discretos quando aplicados corretamente. Sedação reduz rotação e assimetria de posicionamento, que podem imitar ou esconder a lesão.

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A tomografia pode esclarecer fraturas complexas, planejamento tridimensional ou alterações bilaterais duvidosas, mas não substitui uma radiografia tecnicamente adequada em todos os pacientes. Exames sanguíneos avaliam segurança anestésica e investigam doença sistêmica quando o histórico não é típico. Amostras adicionais são reservadas para suspeita de infecção, neoplasia ou distúrbio metabólico.

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O manejo apenas com repouso e analgésicos raramente devolve congruência a uma epífise deslocada e pode permitir pseudoartrose dolorosa. Ele fica restrito a situações muito específicas em que cirurgia não é possível, com expectativa e monitoramento claramente discutidos. Gatos não devem receber paracetamol, ibuprofeno ou outros medicamentos humanos, pois alguns são gravemente tóxicos.

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As opções cirúrgicas dependem da cronicidade, do grau de deslocamento, da viabilidade da cabeça femoral e da experiência da equipe. Em casos selecionados pode-se tentar estabilização da epífise, enquanto lesões crônicas ou não reconstruíveis frequentemente levam à excisão da cabeça e do colo femoral. A prótese total de quadril para cães e gatos é alternativa especializada em pacientes apropriados, não uma solução universal.

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Após a cirurgia, o controle de dor e a prevenção de saltos são acompanhados de movimento seguro e reabilitação progressiva. Manter o gato em ambiente pequeno, com caixa sanitária de borda baixa e superfícies antiderrapantes, reduz acidentes sem impor imobilidade absoluta desnecessária. Ferida, apetite, eliminação e uso do membro precisam ser observados diariamente.

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O outro quadril merece acompanhamento porque alterações bilaterais podem ser simultâneas ou surgir em momentos diferentes. Controle de peso reduz carga mecânica e facilita recuperação muscular, enquanto dietas completas evitam desequilíbrios de cálcio e fósforo. Suplementos ou restrições alimentares sem indicação podem piorar a saúde óssea.

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O prognóstico para vida confortável costuma ser bom após tratamento adequado, especialmente quando a dor é reconhecida cedo e a reabilitação é consistente. O desempenho pode permanecer diferente do normal em gatos com atrofia acentuada, osteoartrose ou doença bilateral. O objetivo é recuperar mobilidade sem dor e comportamento cotidiano, incluindo a capacidade segura de subir e saltar.

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BORAK, D.; WUNDERLIN, N.; BRÜCKNER, M.; SCHWARZ, G.; KLANG, A. Slipped capital femoral epiphysis in 17 Maine Coon cats. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 19, n. 1, p. 13–20, 2017. doi:10.1177/1098612X15598551.

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BUTTS, D.; SMITH, A. J.; BRADLEY, K.; MEESON, R.; PARSONS, K.; LANGLEY-HOBBS, S. J. Comparison of three radiographic assessment methods for detecting slipped capital femoral epiphyses in cats: Klein’s line, modified Klein’s line and the S-sign. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 25, n. 10, 2023. doi:10.1177/1098612X231201775.

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