Luxação coxofemoral traumática em cães: urgência, redução e cuidados
A luxação coxofemoral traumática ocorre quando a cabeça do fêmur perde totalmente o contato com o acetábulo. O impacto rompe o ligamento da cabeça femoral e parte da cápsula articular, e pode lesar músculos, vasos ou nervo ciático. A maioria é dorsocranial, mas luxações ventrais e caudoventrais também acontecem.

Atropelamentos, quedas e colisões são causas comuns, portanto o quadril não deve ser avaliado isoladamente. Choque, trauma torácico, fraturas pélvicas e lesões urinárias podem ser mais urgentes que a claudicação. Primeiro estabiliza-se o paciente; depois define-se a reparação ortopédica.
O cão costuma não apoiar o membro e demonstra dor intensa. Na luxação dorsocranial, a perna pode parecer encurtada e girada para fora; na ventral, o posicionamento muda conforme a direção. Esses sinais orientam, mas radiografias são necessárias antes de tentar redução.
O exame inclui pulsos, sensibilidade, função do nervo ciático e procura por feridas ou instabilidade adicional. Radiografias da pelve em pelo menos duas projeções confirmam direção, fraturas, displasia e forma da cabeça femoral e acetábulo. Tomografia ajuda em traumas complexos.
Redução fechada sob anestesia é geralmente a primeira escolha quando não há fratura impeditiva, doença articular grave ou luxação antiga. A anestesia permite relaxamento e protege o paciente da dor; manipulação acordada é inadequada. Após a redução, radiografias confirmam congruência e o quadril é testado cuidadosamente.
Mesmo uma redução aparentemente perfeita pode reluxar porque cápsula e ligamentos estão rompidos. Bandagens ou hobbles dependem da direção da luxação, porte e lesões associadas e podem causar abrasão, edema ou limitação respiratória se mal aplicados. Nunca improvise contenção em casa.
Cirurgia é indicada quando a redução fechada falha ou é instável, há fragmentos ou fraturas, ou ocorreu reluxação. Técnicas abertas estabilizam a articulação; excisão da cabeça e colo femoral ou prótese total são opções de salvamento em situações selecionadas. Nenhum método elimina risco de complicação.
Repouso rigoroso e apoio controlado nas primeiras semanas protegem os tecidos. Piso antiderrapante, guia curta e reabilitação prescrita reduzem quedas e perda muscular. Corridas, saltos e escadas permanecem bloqueados até reavaliação.
O prognóstico funcional costuma ser favorável quando a articulação permanece reduzida e lesões associadas são tratadas. Estudos de longo prazo mostram resultados úteis com diferentes técnicas, mas claudicação, dor, artrose e reluxação podem persistir. O peso, a qualidade da articulação e a estabilidade influenciam o resultado.
Após trauma, não tente puxar ou reposicionar a perna. Transporte o cão com pelve apoiada e procure atendimento urgente, sobretudo se houver palidez, dificuldade respiratória ou incapacidade de urinar. Redução precoce pode ser mais simples, mas só deve ocorrer depois da estabilização clínica e da imagem.
Referência bibliográfica: Basher AWP, Walter MC, Newton CD. Coxofemoral luxation in the dog and cat. Veterinary Surgery. 1986;15(5):356-362. PMID:3507129.
Referência bibliográfica: Duff R, Campbell JR. Long-term results of treatment of traumatic coxofemoral joint dislocation in dogs: 64 cases (1973-1992). Journal of the American Veterinary Medical Association. 1996;209(11):1869-1874. PMID:8977650.
