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Displasia coxofemoral em gatos (DCF)

Atualizado: 12 de ago.

Displasia de anca, displasia de quadril em gatos


Definição

Assim como em caninos, a displasia coxofemoral nos felinos é uma condição ortopédica hereditária do quadril, sendo o resultado do desenvolvimento anormal de uma ou ambas as articulações coxofemorais.


Nessa doença, há uma incongruência articular entre a cabeça do fêmur e o acetábulo. Devido a incongruência e a instabilidade articular entre essas duas estruturas ósseas, ocorre a inflamação dos componentes da articulação (osteoartrite) com progressão para doença articular degenerativa (osteoartrose).

Frequência da doença


A displasia coxofemoral é muito mais comum em caninos do que em felinos. No entanto, casos leves a moderados não são diagnosticados frequentemente em felinos devido à sua capacidade natural de mascarar e se adaptar à doença.


Raças predispostas


A displasia coxofemoral é pouco comum entre os felinos sem raça definida. A doença ocorre mais comumente em grandes gatos de raça como o Maine Coon, Persa e o Himalaia. Além disso, diferente do que é observado em cães, a displasia coxofemoral em felinos tem maior predisposição em fêmeas do que em machos.


Fase de vida


Por se tratar de uma doença hereditária, os sinais clínicos podem aparecer já na fase jovem, entretanto é mais comum a manifestação dos sinais em felinos adultos, e principalmente nos idosos, onde já houve progressão da doença ao ponto em que o felino, devido alterações crônicas e degenerativas, já não consegue mascarar a dificuldade em se locomover.


Fatores agravantes


Um fator que parece desempenhar um papel importante na causa do desenvolvimento da displasia coxofemoral felina é a obesidade, que aumenta significativamente a pressão nas estruturas de suporte do quadril e pode, portanto, contribuir para o desgaste excessivo da articulação.


Diagnóstico


Não é fácil para o tutor ou até mesmo para o médico veterinário avaliar o andar de um felino, uma vez que os gatos raramente realizam exercícios na coleira e tendem a não andar em linhas retas. Além disso, durante a avaliação na clínica veterinária os gatos tendem a relutar em andar e são mais propensos a agachar ou deitar.


São mudanças no comportamento normal ou no estilo de vida do felino que devem alertar ao tutor a possibilidade de displasia coxofemoral. Nesses casos, os gatos ficam mais relutantes em pular ou pulam em distâncias menores, interagem e brincam menos com seus donos, além de reduzir o comportamento de caça e o nível de atividade física.


Durante a consulta, o médico veterinário deve realizar abdução, além de flexão, extensão e rotação das articulações coxofemorais. Felinos com displasia do quadril e osteoartrite associada geralmente apresentam dor na abdução e na rotação do quadril, às vezes mais do que na flexão e extensão.


O diagnóstico definitivo da doença pode ser obtido através de avaliação radiográfica das articulações coxofemorais, pelas incidências radiográficas ventro-dorsal (VD) e latero-lateral (LL). Nesse caso, a doença é melhor avaliada pela projeção VD, na qual é possível mensurar o ângulo de Norberg, além de observar a incongruência articular, pelo arrasamento acetabular e por deformidades da cabeça femoral, além de subluxação coxofemoral, embora esta não seja comum na displasia coxofemoral felina.


Sinais clínicos (sintomas)


Os sinais mais comuns encontrados em felinos são: claudicação (mancar), que pode piorar gradualmente, dificuldade para pular, intolerância ao exercício, letargia e/ou irritabilidade (devido à dor). Rigidez e diminuição da amplitude de movimento em um ou ambos os membros traseiros e perda de massa muscular nos membros posteriores também são sinais comuns.

É comum que os felinos não demonstrem sinais da doença nos estágios iniciais da displasia. Animais com doença leve a moderada podem nunca apresentar sinais. Há casos onde aparecem sinais de displasia de quadril durante um exame de rotina ou ao fazer radiografias por outro motivo.


Conforme os efeitos da displasia coxofemoral progridem, os sinais geralmente aparecem gradualmente e continuam a piorar com o tempo. A osteoartrite geralmente ocorre secundária à displasia do quadril, tornando a dor, a inflamação e a rigidez ainda piores.


Relação com outras doenças


Além da obesidade, a displasia coxofemoral frequentemente tem sido relatada em animais que apresentam luxação medial de patela concomitante, existindo a hipótese de que a patela luxada produza uma torção femoral e altere as forças articulares do quadril, o que contribui para a fisiopatologia da displasia coxofemoral felina.


Tratamento


A displasia do quadril em felinos geralmente é tratada de forma conservadora. Ou seja, através de medicamentos para controle da dor e inflamação. O repouso e restrição de exercícios também são indicados, embora seja difícil aplicar o repouso à rotina dos felinos. Suplementos nutricionais ou nutracêuticos, como glucosamina, condroitina e ômega-3 podem ajudar a retardar a progressão da doença e reduzir alguns dos sinais. Terapias alternativas, como acupuntura, fisioterapia e medicina veterinária chinesa também podem oferecer algum alívio da dor.


Cirurgia


Opções cirúrgicas também estão disponíveis, e são indicadas para aliviar a dor de casos avançados de displasia, principalmente quando o tratamento conservador não for eficaz.


A opção mais comum é a remoção cirúrgica da cabeça e do colo femorais, sem substituí-los. Os músculos que normalmente sustentam esses componentes do quadril continuarão essencialmente a fazer seu trabalho, mas sem contato doloroso entre os ossos, gerando futuramente uma fibrose na região e uma "pseudo-articulação".


Outra opção, essa ainda pouco utilizada no Brasil, é a chamada micro artroplastia total do quadril, em que a articulação coxofemoral do quadril é removida e substituída por uma prótese artificial.


Chances de recidiva


Nos casos onde o tratamento conservador foi realizado sem sucesso e optou-se pela cirurgia de remoção de cabeça e colo femoral, embora o felino possa ter claudicação mecânica e o membro afetado possa ficar um pouco mais curto após a cirurgia, o membro terá uma amplitude de movimento quase normal e uma função excelente e o animal será capaz de sentar, correr, pular e se envolver no comportamento de um felino normal. A recidiva da dor pode ocorrer após o tratamento cirúrgico, e nesses casos o tratamento conservador deverá ser realizado de forma concomitante.


O resultado cirúrgico pode ser melhor em casos de aplicação de prótese coxofemoral, entretanto, existe o risco de complicações pela aplicação do implante, além de custos mais elevados associados a esse tipo de tratamento, sendo necessário avaliar os custos-benefícios potenciais de acordo com cada caso em particular.


Problemas futuros


Um felino com displasia coxofemoral pode se tornar menos ativo e cada vez mais relutante em pular e subir escadas, ou por exemplo, evitando de se agachar enquanto utiliza a caixa de areia. A dor crônica não tratada pode contribuir para problemas comportamentais, uma vez que o felino desenvolve limitações físicas e devido a dor pode ficar agitado ou agressivo, o que torna a doença uma preocupação com o bem-estar e a qualidade de vida do animal e pode comprometer inclusive sua relação com o tutor.


Prevenção

Por enquanto, a única maneira de prevenir a displasia coxofemoral é evitar a reprodução de felinos com o diagnóstico da doença. Apesar disso, existem formas de detectar a doença precocemente e retardar sua progressão, melhorando assim a qualidade de vida dos pacientes.


Referências bibliográficas


PERRY, Karen. Feline hip dysplasia A challenge to recognise and treat. Journal of Feline Medicine and Surgery , [S.l.], 2016, 18: p. 203-218.


Keller GG, Reed AL, Lattimer JC, et al. Hip dysplasia: a feline population study. Vet Radiol Ultrasound 1999; 40: p. 460–464.


Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972), especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Agende uma consulta pelo whatsapp (11)91152-4321 ou (11)91258-5102.


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