Fratura do osso carpo acessório em Greyhounds: avulsão e retorno à corrida
- Felipe Garofallo

- 5 de ago.
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Atualizado: 6 de ago.
O osso carpo acessório fica na face palmar e lateral do carpo e funciona como uma alavanca para os músculos flexores do membro torácico. Em Greyhounds de corrida, ele recebe forças repetidas de tração e compressão quando o carpo se estende em alta velocidade. Uma fratura nessa pequena estrutura pode comprometer muito o apoio, mesmo quando o restante do membro parece alinhado.

A lesão pode surgir por um evento único durante a corrida ou pela propagação de microdanos acumulados em um osso submetido a carga intensa. O fragmento pode envolver a extremidade proximal, o corpo ou a inserção de tecidos moles, e a direção do deslocamento ajuda a compreender o mecanismo. Esse recorte é diferente da fratura do osso central do tarso em Greyhounds, que afeta outra articulação e tem biomecânica distinta.
O sinal mais comum é claudicação súbita do membro torácico, por vezes sem apoio, logo após exercício rápido. Pode haver dor e aumento de volume na face palmar do carpo, além de resistência à extensão da articulação. Alguns cães com fragmentos pouco deslocados mantêm apoio parcial, o que não torna seguro continuar treinando.
O exame ortopédico deve começar pela observação do passo e pela comparação dos dois carpos, evitando manipulação vigorosa antes de excluir instabilidade importante. A palpação dirigida do osso acessório e das inserções tendíneas pode localizar a dor, enquanto a amplitude de movimento revela desconforto sob extensão. O veterinário também examina dígitos, metacarpos, cotovelo e ombro, porque uma fratura por estresse em cães atletas ou outra lesão pode produzir apresentação semelhante.
Entre os diagnósticos diferenciais estão entorse carpal, lesão dos tendões flexores, fraturas de outros ossos do carpo, lesões metacarpianas e trauma de tecidos moles. A avulsão de inserções e a instabilidade ligamentar precisam ser consideradas quando o fragmento parece pequeno demais para explicar a intensidade da dor. Alterações do membro contralateral também devem ser procuradas, sobretudo em atletas expostos ao mesmo regime de carga.
Radiografias ortogonais bem posicionadas são o exame inicial e podem exigir projeções oblíquas para separar o osso acessório de estruturas sobrepostas. A tomografia computadorizada é útil quando há dúvida sobre a geometria da fratura, múltiplos fragmentos ou extensão articular. As imagens devem incluir tamanho, deslocamento, congruência, sinais de lesão antiga e qualidade do osso, pois esses dados influenciam a escolha da fixação.
O tratamento conservador pode ser cogitado em padrões estáveis e selecionados, com restrição rigorosa de atividade, analgesia prescrita e imobilização quando indicada. A imobilização exige controles frequentes porque bandagens podem causar edema, feridas de pressão e rigidez, especialmente se molhadas ou apertadas. Não se deve oferecer anti-inflamatório humano nem tentar reposicionar o carpo em casa.
Fraturas deslocadas, instáveis ou que prejudicam o mecanismo flexor frequentemente são tratadas com redução aberta e fixação por parafuso, adaptada ao tamanho e ao padrão do fragmento. O objetivo é restaurar a anatomia e permitir compressão estável sem invadir indevidamente a articulação ou as inserções tendíneas. Fragmentos inviáveis ou muito pequenos exigem planejamento individual, e a simples retirada não é uma decisão automática.
Depois da cirurgia, o controle de dor é multimodal e a atividade permanece limitada até haver evidência clínica e radiográfica de consolidação. A ferida, os dedos e a bandagem devem ser verificados diariamente, e aumento de dor, odor, secreção, dedos frios ou edema pedem contato imediato com a equipe. A reabilitação começa com objetivos de proteção e mobilidade segura, não com ganho precoce de velocidade.
A progressão do exercício costuma passar por caminhadas controladas, fortalecimento gradual e avaliação objetiva do apoio antes de trote ou corrida. Voltar apenas porque o cão deixou de mancar aumenta o risco de falha da fixação, refratura ou sobrecarga compensatória. O raciocínio é semelhante ao usado no prognóstico das fraturas de metacarpo e metatarso, mas a função de alavanca do osso acessório impõe exigências próprias.
O prognóstico para conforto cotidiano pode ser favorável quando a redução é estável e a consolidação ocorre sem complicações. O retorno ao desempenho esportivo é mais reservado e depende do tipo de fratura, da integridade dos tecidos moles, do tempo até o tratamento e da resposta à reabilitação. Dor persistente, osteoartrose carpal e intolerância ao exercício são desfechos possíveis mesmo com união óssea.
A prevenção não elimina todo o risco, mas inclui progressão de carga, pisos adequados, condicionamento equilibrado e investigação precoce de queda de desempenho. O monitoramento deve considerar também o membro oposto e outras regiões submetidas a estresse. Em qualquer suspeita, interromper a corrida e obter diagnóstico antes de testar o cão novamente é a conduta mais segura.
JOHNSON, K. A.; DEE, J. F.; PIERMATTEI, D. L. Screw fixation of accessory carpal bone fractures in racing Greyhounds: 12 cases (1981–1986). Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 194, n. 11, p. 1618–1625, 1989. PMID: 2753786.
JOHNSON, K. A. Accessory carpal bone fractures in the racing Greyhound: classification and pathology. Veterinary Surgery, v. 16, n. 1, p. 60–64, 1987. doi:10.1111/j.1532-950X.1987.tb00914.x.