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Fratura do osso carpo acessório em Greyhounds: avulsão e retorno à corrida

5 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 6 de ago.

O osso carpo acessório fica na face palmar e lateral do carpo e funciona como uma alavanca para os músculos flexores do membro torácico. Em Greyhounds de corrida, ele recebe forças repetidas de tração e compressão quando o carpo se estende em alta velocidade. Uma fratura nessa pequena estrutura pode comprometer muito o apoio, mesmo quando o restante do membro parece alinhado.

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Greyhound durante avaliação veterinária do osso carpo acessório de um membro torácico

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A lesão pode surgir por um evento único durante a corrida ou pela propagação de microdanos acumulados em um osso submetido a carga intensa. O fragmento pode envolver a extremidade proximal, o corpo ou a inserção de tecidos moles, e a direção do deslocamento ajuda a compreender o mecanismo. Esse recorte é diferente da fratura do osso central do tarso em Greyhounds, que afeta outra articulação e tem biomecânica distinta.

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O sinal mais comum é claudicação súbita do membro torácico, por vezes sem apoio, logo após exercício rápido. Pode haver dor e aumento de volume na face palmar do carpo, além de resistência à extensão da articulação. Alguns cães com fragmentos pouco deslocados mantêm apoio parcial, o que não torna seguro continuar treinando.

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O exame ortopédico deve começar pela observação do passo e pela comparação dos dois carpos, evitando manipulação vigorosa antes de excluir instabilidade importante. A palpação dirigida do osso acessório e das inserções tendíneas pode localizar a dor, enquanto a amplitude de movimento revela desconforto sob extensão. O veterinário também examina dígitos, metacarpos, cotovelo e ombro, porque uma fratura por estresse em cães atletas ou outra lesão pode produzir apresentação semelhante.

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Entre os diagnósticos diferenciais estão entorse carpal, lesão dos tendões flexores, fraturas de outros ossos do carpo, lesões metacarpianas e trauma de tecidos moles. A avulsão de inserções e a instabilidade ligamentar precisam ser consideradas quando o fragmento parece pequeno demais para explicar a intensidade da dor. Alterações do membro contralateral também devem ser procuradas, sobretudo em atletas expostos ao mesmo regime de carga.

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Radiografias ortogonais bem posicionadas são o exame inicial e podem exigir projeções oblíquas para separar o osso acessório de estruturas sobrepostas. A tomografia computadorizada é útil quando há dúvida sobre a geometria da fratura, múltiplos fragmentos ou extensão articular. As imagens devem incluir tamanho, deslocamento, congruência, sinais de lesão antiga e qualidade do osso, pois esses dados influenciam a escolha da fixação.

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O tratamento conservador pode ser cogitado em padrões estáveis e selecionados, com restrição rigorosa de atividade, analgesia prescrita e imobilização quando indicada. A imobilização exige controles frequentes porque bandagens podem causar edema, feridas de pressão e rigidez, especialmente se molhadas ou apertadas. Não se deve oferecer anti-inflamatório humano nem tentar reposicionar o carpo em casa.

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Fraturas deslocadas, instáveis ou que prejudicam o mecanismo flexor frequentemente são tratadas com redução aberta e fixação por parafuso, adaptada ao tamanho e ao padrão do fragmento. O objetivo é restaurar a anatomia e permitir compressão estável sem invadir indevidamente a articulação ou as inserções tendíneas. Fragmentos inviáveis ou muito pequenos exigem planejamento individual, e a simples retirada não é uma decisão automática.

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Depois da cirurgia, o controle de dor é multimodal e a atividade permanece limitada até haver evidência clínica e radiográfica de consolidação. A ferida, os dedos e a bandagem devem ser verificados diariamente, e aumento de dor, odor, secreção, dedos frios ou edema pedem contato imediato com a equipe. A reabilitação começa com objetivos de proteção e mobilidade segura, não com ganho precoce de velocidade.

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A progressão do exercício costuma passar por caminhadas controladas, fortalecimento gradual e avaliação objetiva do apoio antes de trote ou corrida. Voltar apenas porque o cão deixou de mancar aumenta o risco de falha da fixação, refratura ou sobrecarga compensatória. O raciocínio é semelhante ao usado no prognóstico das fraturas de metacarpo e metatarso, mas a função de alavanca do osso acessório impõe exigências próprias.

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O prognóstico para conforto cotidiano pode ser favorável quando a redução é estável e a consolidação ocorre sem complicações. O retorno ao desempenho esportivo é mais reservado e depende do tipo de fratura, da integridade dos tecidos moles, do tempo até o tratamento e da resposta à reabilitação. Dor persistente, osteoartrose carpal e intolerância ao exercício são desfechos possíveis mesmo com união óssea.

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A prevenção não elimina todo o risco, mas inclui progressão de carga, pisos adequados, condicionamento equilibrado e investigação precoce de queda de desempenho. O monitoramento deve considerar também o membro oposto e outras regiões submetidas a estresse. Em qualquer suspeita, interromper a corrida e obter diagnóstico antes de testar o cão novamente é a conduta mais segura.

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JOHNSON, K. A.; DEE, J. F.; PIERMATTEI, D. L. Screw fixation of accessory carpal bone fractures in racing Greyhounds: 12 cases (1981–1986). Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 194, n. 11, p. 1618–1625, 1989. PMID: 2753786.

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JOHNSON, K. A. Accessory carpal bone fractures in the racing Greyhound: classification and pathology. Veterinary Surgery, v. 16, n. 1, p. 60–64, 1987. doi:10.1111/j.1532-950X.1987.tb00914.x.

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