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Fratura minimamente deslocada da tuberosidade tibial em cães jovens

4 de ago.
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Atualizado: 5 de ago.

A tuberosidade tibial é a projeção cranial da tíbia onde termina o ligamento patelar e, por meio dele, atua a força do quadríceps.


Em cães imaturos, essa região permanece ligada à tíbia por uma placa de crescimento relativamente vulnerável. Uma avulsão ocorre quando a tração do mecanismo extensor supera a resistência local, podendo ser completa ou apenas minimamente deslocada.

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Veterinária palpa a tuberosidade tibial de um cão Boxer jovem

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A forma pouco deslocada aparece sobretudo em cães jovens de porte grande e pode resultar de corrida, salto ou sobrecarga sem um trauma dramático. A fise alarga, as margens perdem definição e surge reação óssea enquanto o fragmento ainda mantém contato suficiente para preservar a extensão do joelho. Se o cão continuar ativo, a tração repetida pode aumentar a separação e comprometer o mecanismo extensor.

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O tutor geralmente percebe claudicação pélvica leve ou intermitente, pior após exercício, e o cão ainda consegue apoiar. A dor é focal na tuberosidade, logo abaixo da patela, e pode haver edema discreto sem instabilidade do joelho. Essa apresentação contrasta com fraturas muito deslocadas, nas quais a perda de extensão e a incapacidade de apoio são mais evidentes.

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O exame compara os dois joelhos, avalia posição da patela, continuidade do ligamento patelar e capacidade de extensão ativa. Testes de gaveta e compressão tibial ajudam a excluir lesão cruzada, mas devem ser gentis em um paciente dolorido e imaturo. Quadril, tarso e coluna também são examinados para não atribuir toda a claudicação a uma alteração radiográfica incidental.

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Radiografias mediolaterais bilaterais são essenciais porque a aparência da fise muda com idade e raça. A projeção craniocaudal e imagens oblíquas avaliam alinhamento, deslocamento e extensão para a epífise; tomografia é reservada a padrões complexos ou dúvida sobre superfície articular. Controles seriados demonstram fechamento progressivo e consolidação em casos tratados sem cirurgia.

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Os principais diferenciais são apofisite por tração, osteocondrose, infecção, fratura proximal de tíbia, ruptura parcial do ligamento patelar e doença do cruzado. Fratura de patela também compromete o mecanismo extensor e possui abordagem diferente, como detalhado em fratura de patela em cães. Hemograma e marcadores inflamatórios são indicados se febre, ferida ou osteólise sugerirem infecção.

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Em fraturas realmente mínimas, estáveis e com extensão preservada, o tratamento conservador pode incluir restrição rigorosa, caminhadas curtas com guia e analgesia prescrita. A escolha não significa ausência de acompanhamento, porque deslocamento secundário pode ocorrer nas primeiras semanas. Piso antiderrapante, bloqueio de escadas e prevenção de saltos são medidas tão importantes quanto a medicação.

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Cirurgia é indicada quando existe deslocamento relevante, perda da extensão, instabilidade, progressão nas radiografias ou padrão que ameaça a articulação. Pinos e banda de tensão, parafusos ou outras construções neutralizam a força do quadríceps e restauram alinhamento conforme tamanho e maturidade do osso. Planejamento inadequado pode lesar a fise, alterar crescimento ou criar irritação por implante.

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No pós-operatório ou manejo conservador, bandagens só devem ser usadas quando indicadas e precisam de inspeção frequente. Dor que aumenta, joelho mais inchado, patela em posição anormal ou súbita recusa de apoio exigem nova imagem. Não se deve testar a força do membro com corrida para saber se já cicatrizou.

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A reabilitação protege o reparo enquanto evita perda excessiva de massa muscular. Mobilidade controlada do quadril e tarso, ativação suave do quadríceps e aumento gradual de caminhada começam conforme estabilidade e consolidação. Treinos intensos retornam apenas após avaliação clínica e radiográfica, não por uma data fixa.

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O prognóstico da forma minimamente deslocada costuma ser excelente quando reconhecida cedo e protegida adequadamente. Fraturas grandes, diagnóstico tardio, deslocamento secundário e fechamento fisário anormal podem deixar deformidade, patela alta ou artrose. Dor futura no joelho também exige excluir lesão meniscal, incluindo problemas tardios semelhantes aos descritos em lesão meniscal após TPLO.

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A mensagem prática é considerar a tuberosidade tibial em todo cão jovem com claudicação discreta e dor proximal na tíbia. Radiografias comparativas e reavaliação programada evitam tanto cirurgia desnecessária quanto subtratamento de uma lesão que está se deslocando. Com proteção do mecanismo extensor e retorno gradual, a maioria recupera apoio confortável e desenvolvimento funcional.

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Em cães muito jovens, a idade óssea é mais importante do que a idade cronológica isolada, porque placas de crescimento fecham em ritmos diferentes entre portes e indivíduos. O veterinário verifica outras fises, conformação do membro e sinais de doença metabólica se o padrão não combina com um trauma simples. Dietas completas para crescimento devem ser mantidas sem suplementação indiscriminada de cálcio.

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Quando ambos os joelhos doem, radiografias comparativas evitam confundir variação normal com lesão bilateral. A ausência de grande deslocamento não elimina a necessidade de proteção, pois o quadríceps atua a cada passo. Tutor e equipe devem combinar critérios claros para reduzir ou ampliar atividade conforme dor, apoio e imagem.

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von Pfeil DJF, DeCamp CE, Ritter M, et al. Minimally displaced tibial tuberosity avulsion fracture in nine skeletally immature large breed dogs. Veterinary and Comparative Orthopaedics and Traumatology. 2012;25(6):524-531. doi:10.3415/VCOT-11-12-0170.

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Gower JA, Bound NJ, Moores AP. Tibial tuberosity avulsion fracture in dogs: a review of 59 dogs. Journal of Small Animal Practice. 2008;49(7):340-343. doi:10.1111/j.1748-5827.2008.00566.x.

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