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Fratura de patela em cães: por que o joelho perde o mecanismo extensor

A patela integra o mecanismo extensor do joelho entre o tendão do quadríceps e o ligamento patelar. Uma fratura deslocada pode interromper essa cadeia, reduzir a capacidade de estender o joelho e impedir o apoio do membro pélvico.

Cão em clínica apoiando três membros e mantendo um membro pélvico elevado com o joelho flexionado, postura compatível com perda do mecanismo extensor

Fraturas patelares são incomuns em cães e podem resultar de trauma direto, força de tração ou, raramente, ocorrer como complicação após cirurgia do joelho. A configuração pode ser transversal, cominutiva ou envolver fragmentos por avulsão, e nem toda fratura rompe completamente o mecanismo extensor.

Claudicação aguda, dor, inchaço e incapacidade de estender ativamente o joelho levantam suspeita. Um espaço entre fragmentos pode ser palpável, mas a manipulação excessiva é dolorosa e não deve ser tentada fora da avaliação veterinária.

O exame verifica estabilidade do joelho, integridade da pele, função neurológica e possíveis lesões concomitantes. Ruptura do ligamento patelar, avulsão da tuberosidade tibial, luxação patelar e fraturas do fêmur distal ou da tíbia proximal podem produzir sinais semelhantes.

Radiografias em pelo menos duas projeções confirmam a fratura, o deslocamento e alterações de implantes prévios. Tomografia computadorizada pode ser útil em padrões complexos e no planejamento da reconstrução, sobretudo quando há múltiplos fragmentos.

Fraturas sem deslocamento, com mecanismo extensor funcional, podem ser tratadas seletivamente com restrição rigorosa e acompanhamento radiográfico. Qualquer aumento do afastamento, dor persistente ou perda da extensão exige reavaliação imediata.

Quando há deslocamento ou falha do mecanismo extensor, a cirurgia busca reduzir e estabilizar os fragmentos para restaurar a continuidade. Fios, bandas de tensão, parafusos ou construções específicas podem ser escolhidos conforme o tamanho, a qualidade óssea e o padrão da fratura.

Fragmentos muito pequenos ou inviáveis às vezes são removidos, mas preservar a patela e sua superfície articular é desejável sempre que possível. A retirada extensa pode alterar a mecânica do joelho e não é uma solução automática.

O pós-operatório combina analgesia, restrição de atividade, proteção do reparo e reabilitação progressiva. Falha do implante, migração de fios, atraso de consolidação, rigidez, osteoartrite e nova cirurgia estão entre as complicações possíveis.

O prognóstico depende da reconstrução do mecanismo extensor, do dano articular e das lesões associadas. Atendimento rápido, controle radiográfico e retorno gradual à atividade aumentam a chance de recuperação funcional, mas resultados de estudos experimentais não substituem dados clínicos de cada paciente.

Referência: Rutherford S, et al. Patellar fracture after tibial plateau leveling osteotomy in six dogs. Veterinary Surgery. 2012;41(7):869-875. doi:10.1111/j.1532-950X.2012.01018.x.

Referência: Jung SG, Kim HY. Biomechanical evaluation of fixation techniques for three-dimensional printed canine patellar fractures. Frontiers in Veterinary Science. 2025;12:1639433. doi:10.3389/fvets.2025.1639433.

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