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Alterações morfofuncionais do ligamento patelar após TPLO

Atualizado: 6 de ago.

O ligamento patelar conecta a patela à tuberosidade da tíbia e transmite a força do quadríceps para estender o joelho. Após a osteotomia de nivelamento do platô tibial, conhecida como TPLO, ele continua íntegro, mas pode mudar de espessura, comprimento aparente e propriedades mecânicas. Essas alterações fazem parte da resposta dos tecidos à nova biomecânica e ao período pós-operatório.

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O espessamento é observado com frequência nas radiografias de acompanhamento e não significa, sozinho, que a cirurgia falhou. Edema, remodelação de colágeno, alteração do ângulo do ligamento e carga durante a recuperação podem contribuir. A interpretação deve ser integrada ao que se espera no pós-operatório de TPLO nas primeiras semanas, sem transformar um achado de imagem em diagnóstico isolado.

Alguns cães permanecem confortáveis apesar de um ligamento nitidamente espessado, enquanto outros mostram dor na região distal, rigidez ou claudicação persistente. A intensidade do problema não é medida apenas em milímetros. Evolução temporal, simetria, sensibilidade à palpação e qualidade do apoio ajudam a distinguir remodelação esperada de desmopatia clinicamente relevante.

O exame começa pela marcha e pelo apoio em diferentes velocidades, seguido da palpação do ligamento, patela, tuberosidade tibial e tecidos ao redor da placa. O veterinário também avalia efusão articular, amplitude, estabilidade, massa muscular e dor em quadril ou coluna. Esse conjunto é importante porque lesão meniscal tardia após TPLO e outras complicações podem causar claudicação parecida sem terem origem no ligamento patelar.

Os diferenciais incluem infecção, reação a implante, atraso de consolidação, fratura da tuberosidade tibial, tendinopatia do quadríceps, luxação patelar e progressão de osteoartrose. Sobrecarga por retorno precoce ao exercício e dor compensatória do membro oposto também entram na avaliação. Febre, secreção, aumento de volume quente ou piora rápida exigem contato imediato com a equipe cirúrgica.

Radiografias seriadas mostram a osteotomia, implantes, consolidação, posição da patela e contorno do ligamento, mas não detalham bem a arquitetura das fibras. A comparação com imagens anteriores é mais informativa do que uma medida isolada. Uma redução aparente do comprimento do ligamento após TPLO foi descrita, porém a relevância funcional varia e ainda precisa ser interpretada com cautela.

O ultrassom permite medir porções proximal, média e distal e examinar alinhamento fibrilar, ecogenicidade, vascularização e tecidos adjacentes. A elastografia por onda de cisalhamento pode acrescentar informação sobre rigidez em centros que dominam a técnica, mas seus valores não substituem o exame clínico. Pressão excessiva da sonda, ângulo inadequado e comparação entre aparelhos diferentes podem criar interpretações enganosas.

Quando o cão está confortável e a consolidação progride, o achado pode apenas ser monitorado durante a recuperação planejada. Controle de peso, atividade graduada e reabilitação preservam força sem sobrecarregar o mecanismo extensor. A fisioterapia depois de cirurgia ortopédica deve ser ajustada à fase da consolidação e à resposta individual.

Em casos dolorosos, a equipe procura primeiro a causa e corrige fatores mecânicos ou infecciosos antes de oferecer tratamento sintomático. Analgesia prescrita, modificação de exercícios e terapias de reabilitação podem ser úteis, enquanto infiltrações ou procedimentos adicionais exigem indicação específica. Massagear vigorosamente, alongar até a dor ou administrar anti-inflamatório humano pode causar dano e mascarar sinais importantes.

A progressão de caminhadas controladas para trote, curvas, escadas e atividade livre deve ocorrer por critérios clínicos, não por calendário rígido. Piora no dia seguinte a uma sessão indica que a carga ultrapassou a capacidade atual do tecido. Vídeos curtos da marcha no mesmo piso ajudam a documentar tendência, mas não substituem reavaliação presencial.

O prognóstico costuma depender mais da estabilidade do joelho, da consolidação da osteotomia e da ausência de infecção ou lesão meniscal do que do espessamento isolado. Muitos cães recuperam boa função mesmo com alteração radiográfica persistente. Dor localizada progressiva, perda de extensão e padrão ultrassonográfico muito desorganizado tornam a expectativa mais cautelosa e justificam investigação adicional.

O tutor deve observar apoio, disposição para levantar, tolerância às caminhadas, aumento de volume e integridade da incisão. Qualquer mudança súbita após queda ou atividade não autorizada merece avaliação, mesmo que o cão volte a apoiar. A segurança está em usar imagens como parte de um quadro clínico, e não como único motivo para interromper ou acelerar a reabilitação.

DESANDRE-ROBINSON, D. M.; TANO, C. A.; FIORE, K. L.; PRYTHERCH, B. Radiographic evaluation and comparison of the patellar ligament following tibial plateau leveling osteotomy and tibial tuberosity advancement in dogs: 106 cases (2009–2012). Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 250, n. 1, p. 68–74, 2017. doi:10.2460/javma.250.1.68.

PALUMBO PICCIONELLO, A.; PENNASILICO, L.; TAMBELLA, A. M.; et al. Radiographic, ultrasonographic and shear elastosonographic changes in patellar ligament in dogs undergoing tibial plateau leveling osteotomy. Veterinary Sciences, v. 12, n. 8, art. 745, 2025. doi:10.3390/vetsci12080745.

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