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Alterações morfofuncionais do ligamento patelar após TPLO

5 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 19 de ago.

O ligamento patelar conecta a patela à tuberosidade da tíbia e transmite a força do quadríceps para estender o joelho. Após a osteotomia de nivelamento do platô tibial, conhecida como TPLO, ele continua íntegro, mas pode mudar de espessura, comprimento aparente e propriedades mecânicas. Essas alterações fazem parte da resposta dos tecidos à nova biomecânica e ao período pós-operatório.

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Cão em acompanhamento pós-operatório de TPLO com palpação do joelho e ligamento patelar

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O espessamento é observado com frequência nas radiografias de acompanhamento e não significa, sozinho, que a cirurgia falhou. Edema, remodelação de colágeno, alteração do ângulo do ligamento e carga durante a recuperação podem contribuir. A interpretação deve ser integrada ao que se espera no pós-operatório de TPLO nas primeiras semanas, sem transformar um achado de imagem em diagnóstico isolado.

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Alguns cães permanecem confortáveis apesar de um ligamento nitidamente espessado, enquanto outros mostram dor na região distal, rigidez ou claudicação persistente. A intensidade do problema não é medida apenas em milímetros. Evolução temporal, simetria, sensibilidade à palpação e qualidade do apoio ajudam a distinguir remodelação esperada de desmopatia clinicamente relevante.

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O exame começa pela marcha e pelo apoio em diferentes velocidades, seguido da palpação do ligamento, patela, tuberosidade tibial e tecidos ao redor da placa. O veterinário também avalia efusão articular, amplitude, estabilidade, massa muscular e dor em quadril ou coluna. Esse conjunto é importante porque lesão meniscal tardia após TPLO e outras complicações podem causar claudicação parecida sem terem origem no ligamento patelar.

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Os diferenciais incluem infecção, reação a implante, atraso de consolidação, fratura da tuberosidade tibial, tendinopatia do quadríceps, luxação patelar e progressão de osteoartrose. Sobrecarga por retorno precoce ao exercício e dor compensatória do membro oposto também entram na avaliação. Febre, secreção, aumento de volume quente ou piora rápida exigem contato imediato com a equipe cirúrgica.

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Radiografias seriadas mostram a osteotomia, implantes, consolidação, posição da patela e contorno do ligamento, mas não detalham bem a arquitetura das fibras. A comparação com imagens anteriores é mais informativa do que uma medida isolada. Uma redução aparente do comprimento do ligamento após TPLO foi descrita, porém a relevância funcional varia e ainda precisa ser interpretada com cautela.

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O ultrassom permite medir porções proximal, média e distal e examinar alinhamento fibrilar, ecogenicidade, vascularização e tecidos adjacentes. A elastografia por onda de cisalhamento pode acrescentar informação sobre rigidez em centros que dominam a técnica, mas seus valores não substituem o exame clínico. Pressão excessiva da sonda, ângulo inadequado e comparação entre aparelhos diferentes podem criar interpretações enganosas.

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Quando o cão está confortável e a consolidação progride, o achado pode apenas ser monitorado durante a recuperação planejada. Controle de peso, atividade graduada e reabilitação preservam força sem sobrecarregar o mecanismo extensor. A fisioterapia depois de cirurgia ortopédica deve ser ajustada à fase da consolidação e à resposta individual.

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Em casos dolorosos, a equipe procura primeiro a causa e corrige fatores mecânicos ou infecciosos antes de oferecer tratamento sintomático. Analgesia prescrita, modificação de exercícios e terapias de reabilitação podem ser úteis, enquanto infiltrações ou procedimentos adicionais exigem indicação específica. Massagear vigorosamente, alongar até a dor ou administrar anti-inflamatório humano pode causar dano e mascarar sinais importantes.

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A progressão de caminhadas controladas para trote, curvas, escadas e atividade livre deve ocorrer por critérios clínicos, não por calendário rígido. Piora no dia seguinte a uma sessão indica que a carga ultrapassou a capacidade atual do tecido. Vídeos curtos da marcha no mesmo piso ajudam a documentar tendência, mas não substituem reavaliação presencial.

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O prognóstico costuma depender mais da estabilidade do joelho, da consolidação da osteotomia e da ausência de infecção ou lesão meniscal do que do espessamento isolado. Muitos cães recuperam boa função mesmo com alteração radiográfica persistente. Dor localizada progressiva, perda de extensão e padrão ultrassonográfico muito desorganizado tornam a expectativa mais cautelosa e justificam investigação adicional.

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O tutor deve observar apoio, disposição para levantar, tolerância às caminhadas, aumento de volume e integridade da incisão. Qualquer mudança súbita após queda ou atividade não autorizada merece avaliação, mesmo que o cão volte a apoiar. A segurança está em usar imagens como parte de um quadro clínico, e não como único motivo para interromper ou acelerar a reabilitação.

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DESANDRE-ROBINSON, D. M.; TANO, C. A.; FIORE, K. L.; PRYTHERCH, B. Radiographic evaluation and comparison of the patellar ligament following tibial plateau leveling osteotomy and tibial tuberosity advancement in dogs: 106 cases (2009–2012). Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 250, n. 1, p. 68–74, 2017. doi:10.2460/javma.250.1.68.

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PALUMBO PICCIONELLO, A.; PENNASILICO, L.; TAMBELLA, A. M.; et al. Radiographic, ultrasonographic and shear elastosonographic changes in patellar ligament in dogs undergoing tibial plateau leveling osteotomy. Veterinary Sciences, v. 12, n. 8, art. 745, 2025. doi:10.3390/vetsci12080745.

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