Pós-operatório de TPLO: o que esperar nas primeiras semanas?
- Felipe Garofallo

- há 3 dias
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A cirurgia de TPLO (Tibial Plateau Leveling Osteotomy), também chamada de osteotomia de nivelamento do platô tibial, é um dos procedimentos ortopédicos mais realizados em cães com ruptura do ligamento cruzado cranial.

Após a cirurgia, uma das maiores dúvidas dos tutores é sobre como será a recuperação e o que é considerado normal durante as primeiras semanas do pós-operatório.
Entender esse processo é fundamental para reduzir a ansiedade, evitar complicações e contribuir para uma recuperação mais segura e confortável do pet.
Nas primeiras 24 a 72 horas após a cirurgia de TPLO, é esperado que o cão apresente certa sonolência, desconforto leve a moderado e redução da disposição, especialmente devido aos efeitos da anestesia, analgesia e do próprio trauma cirúrgico.
Muitos cães podem demonstrar diminuição do apetite no primeiro dia, mas a tendência é que voltem a se alimentar progressivamente.
O tutor também pode observar um edema discreto na região operada e alguma sensibilidade ao toque. Pequenos hematomas ao redor da incisão cirúrgica podem ocorrer e nem sempre representam um problema.
No entanto, sinais como secreção intensa, odor desagradável, vermelhidão muito marcada ou dor exacerbada devem ser avaliados rapidamente pelo médico-veterinário.
Uma das dúvidas mais frequentes após a cirurgia de TPLO é sobre o apoio do membro operado. Muitos tutores se surpreendem ao perceber que alguns cães começam a apoiar a pata poucos dias após o procedimento, enquanto outros demoram mais tempo.
Essa variação é relativamente comum e depende de fatores como idade, porte do animal, grau de inflamação articular prévia, condição muscular, controle da dor e presença de outras alterações ortopédicas, como doença bilateral do joelho ou displasia coxofemoral.
Em geral, é esperado que o cão apresente um apoio gradual do membro ao longo das primeiras semanas, mas sem necessariamente caminhar de maneira totalmente normal logo no início.
Na primeira semana após a TPLO, o repouso é um dos fatores mais importantes para o sucesso da recuperação. Embora muitos cães demonstrem disposição precoce e pareçam “melhores”, isso não significa que o osso já esteja consolidado ou que possam voltar à rotina normal.
Durante essa fase, há uma osteotomia no osso tibial estabilizada com placa e parafusos, e movimentos excessivos, corridas, pulos ou brincadeiras podem aumentar o risco de complicações, incluindo falhas de implante ou atraso na consolidação óssea.
O ideal é que o animal permaneça em ambiente controlado, sem acesso a pisos escorregadios, escadas ou locais onde possa saltar.
Entre a segunda e terceira semana de pós-operatório da TPLO, muitos cães começam a apresentar melhora progressiva do conforto e do apoio do membro operado.
É comum que o tutor perceba momentos em que o animal parece quase normal e outros em que ainda manca, especialmente após períodos de repouso prolongado ou maior atividade. Essa oscilação costuma fazer parte do processo de recuperação e nem sempre indica uma complicação.
O importante é observar uma tendência geral de evolução positiva ao longo dos dias.
Durante esse período, a cicatrização da pele normalmente já está avançada, permitindo a retirada dos pontos em muitos casos, conforme orientação do cirurgião veterinário.
Ainda assim, a recuperação óssea está apenas começando. Isso significa que, mesmo quando o cão aparenta estar muito bem, ainda não é o momento de liberar atividades intensas.
Um erro relativamente comum é permitir que o pet volte a correr no quintal ou brincar porque “já está usando a pata”. Essa liberação precoce pode comprometer o resultado cirúrgico.
Outro ponto importante nas primeiras semanas após a cirurgia de TPLO é a fisioterapia veterinária.
Em muitos pacientes, protocolos de reabilitação podem auxiliar no controle da dor, redução de edema, preservação da massa muscular e melhora da amplitude de movimento da articulação.
Recursos como laser terapêutico, exercícios controlados, hidroterapia e fortalecimento muscular progressivo podem contribuir para uma recuperação mais rápida e funcional.
No entanto, a indicação deve ser individualizada de acordo com o perfil do paciente e a evolução clínica.
O tutor também deve entender que alguns comportamentos são relativamente comuns no pós-operatório. O cão pode demonstrar irritabilidade, buscar mais repouso, dormir mais ou até parecer um pouco frustrado pela limitação das atividades.
Em contrapartida, alguns animais ficam excessivamente animados poucos dias após a cirurgia, o que exige ainda mais cuidado para evitar excessos. O uso correto das medicações prescritas, do colar elizabetano quando indicado e o comparecimento aos retornos programados fazem grande diferença na evolução.
Um aspecto essencial da recuperação da TPLO é o controle de peso corporal. O excesso de peso aumenta significativamente a carga sobre a articulação operada e pode dificultar a recuperação, além de favorecer progressão de osteoartrose.
Uma alimentação equilibrada e adequada ao gasto energético reduzido do período pós-operatório ajuda a evitar ganho de peso enquanto o animal está mais restrito.
Radiografias de acompanhamento geralmente são realizadas nas semanas seguintes para avaliar a evolução da consolidação óssea e determinar quando o paciente poderá aumentar progressivamente o nível de atividade física. Em muitos casos, a liberação mais ampla para atividades acontece apenas após confirmação radiográfica satisfatória, respeitando o tempo biológico de cicatrização.
É importante lembrar que cada cão possui um tempo de recuperação diferente. Alguns pacientes apresentam excelente apoio precoce do membro, enquanto outros evoluem de forma mais gradual.
Comparações com outros cães operados nem sempre são úteis, pois fatores individuais influenciam diretamente no resultado. O mais importante é manter acompanhamento próximo com o veterinário responsável e seguir rigorosamente as orientações pós-operatórias.
De forma geral, as primeiras semanas após uma TPLO exigem paciência, controle da atividade física e observação cuidadosa.
Apesar das limitações temporárias, a maioria dos cães apresenta melhora significativa da qualidade de vida após a recuperação, voltando a caminhar, brincar e realizar atividades com mais conforto e estabilidade articular.
Referências bibliográficas
Small Animal Surgery. Fossum TW. Small Animal Surgery. 5th ed. St. Louis: Elsevier; 2019.
American College of Veterinary Surgeons. Cranial Cruciate Ligament Disease. American College of Veterinary Surgeons (ACVS).
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.