Sutura fabelo-tibial (fabelopexia)
Atualizado: 11 de set.
A fabelopexia, também conhecida como sutura fabelo-tibial ou estabilização extracapsular lateral, é uma técnica cirúrgica utilizada no tratamento de cães com ruptura do ligamento cruzado cranial (LCCr).

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A ruptura do ligamento cruzado cranial provoca instabilidade no joelho, permitindo principalmente o deslocamento cranial da tíbia em relação ao fêmur durante o apoio e a movimentação do membro. A fabelopexia tem como objetivo reduzir essa instabilidade por meio da colocação de uma sutura na região lateral da articulação.

Ela pertence ao grupo das técnicas extracapsulares, pois o material responsável pela estabilização é colocado externamente à articulação, sem a intenção de reconstruir diretamente o ligamento cruzado cranial rompido.
Na técnica tradicional, utiliza-se um fio de alta resistência, frequentemente nylon monofilamentar, que é passado ao redor da fabela lateral, um pequeno osso sesamoide localizado na região caudal do côndilo femoral. Para realizar essa passagem, pode ser utilizada uma agulha curva, conhecida como “agulha J”.
A outra extremidade da sutura é direcionada para a região proximal da tíbia e normalmente passa através de um pequeno túnel ósseo confeccionado na crista tibial. Após o posicionamento adequado, o fio é tensionado e fixado de maneira a reduzir os movimentos anormais existentes no joelho.
O objetivo da fabelopexia não é substituir anatomicamente o ligamento cruzado cranial. A sutura funciona como um estabilizador extracapsular, limitando principalmente a translação cranial e a rotação interna excessiva da tíbia.
Durante as primeiras semanas após a cirurgia, essa estabilização mecânica é especialmente importante. Com o processo de cicatrização, ocorre formação e maturação de tecido fibroso ao redor da articulação, que passa progressivamente a contribuir para a estabilidade do joelho.
Por esse motivo, espera-se que, ao longo do tempo, a estabilidade deixe de depender exclusivamente do material implantado. O fio pode sofrer alongamento, desgaste ou até ruptura posteriormente sem necessariamente representar perda da estabilidade conquistada durante o período de cicatrização.
Embora o nylon monofilamentar tenha sido tradicionalmente muito utilizado, existem atualmente diferentes materiais e métodos de fixação para estabilizações extracapsulares. A escolha depende do tamanho do paciente, da técnica utilizada e da preferência do cirurgião.
A fabelopexia pode apresentar bons resultados quando corretamente indicada, principalmente em cães de pequeno porte e com menor demanda biomecânica. Em cães maiores, muito ativos ou com sobrepeso, a carga exercida sobre a sutura é maior e existe maior preocupação com alongamento ou falha precoce do material. Nesses pacientes, outras técnicas cirúrgicas podem ser consideradas pelo cirurgião.
Além da estabilização do joelho, durante o procedimento é importante avaliar estruturas intra-articulares, especialmente os meniscos. Lesões do menisco medial podem acompanhar a ruptura do ligamento cruzado cranial e contribuir para dor e claudicação.
O pós-operatório também tem papel fundamental no resultado da fabelopexia. Nas primeiras semanas, é necessário restringir atividades como corridas, saltos e brincadeiras intensas, permitindo que os tecidos cicatrizem adequadamente e que a estabilidade periarticular se desenvolva progressivamente.
A indicação da fabelopexia deve ser feita individualmente após avaliação ortopédica do paciente. Peso, porte, idade, nível de atividade, condição corporal, grau de instabilidade do joelho e presença de outras alterações ortopédicas são alguns dos fatores considerados na escolha da técnica cirúrgica.
Referência bibliográfica
Trace, Crispian. (1983). A simple repair of the ruptured anterior cruciate ligament in the dog. Journal of the South African Veterinary Association. 53. 271-3.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.
