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Abiotrofia cerebelar hereditária em Australian Kelpies

Atualizado: 6 de ago.

O cerebelo coordena alcance, força, ritmo dos movimentos e manutenção do equilíbrio sem iniciar a contração muscular. Na abiotrofia cerebelar, neurônios que se formaram inicialmente degeneram de maneira prematura. Por isso, um filhote pode nascer aparentemente normal e depois desenvolver incoordenação progressiva.

Australian Kelpie jovem com base ampla durante teste veterinário de coordenação cerebelar

Em Australian Kelpies foi descrita uma forma hereditária compatível com herança autossômica recessiva. Estudos de mapeamento localizaram uma região candidata no cromossomo canino 3, mas a heterogeneidade clínica e genética exige cautela ao extrapolar entre linhagens. Um resultado comercial deve especificar exatamente qual variante é testada e sua validação para a população do cão.

Os sinais incluem ataxia de tronco, base ampla, hipermetria, oscilação de cabeça e tremor de intenção que piora quando o cão tenta alcançar alimento. A força pode permanecer preservada, embora a execução seja desajeitada. O artigo sobre como identificar ataxia em cães ajuda a reconhecer a incoordenação, mas não define sua origem.

A disfunção cerebelar costuma manter estado mental e propriocepção conscientes, e não provoca paresia pura. Respostas posturais podem parecer atrasadas porque o movimento é mal coordenado, não porque o cão perdeu noção da posição. Nistagmo, inclinação de cabeça ou déficit de nervos cranianos sugerem envolvimento vestibular ou multifocal e ampliam os diferenciais.

Entre as causas semelhantes estão hipoplasia cerebelar congênita, inflamação, infecção, toxicidade por metronidazol, malformação, tumor e outras degenerações hereditárias. Hipoglicemia, doença hepática e intoxicações também podem produzir uma marcha desequilibrada em cães. Idade de início, progressão e histórico familiar são decisivos para ordenar essas possibilidades.

Hemograma, bioquímica, glicemia, eletrólitos e urinálise procuram causas metabólicas e estabelecem segurança para anestesia. Testes infecciosos são selecionados pela região, idade, vacinação e achados sistêmicos. Resultado normal nesses exames não confirma doença degenerativa, apenas reduz algumas alternativas.

A ressonância magnética avalia tamanho do cerebelo, espaços de líquido entre as folhas e lesões inflamatórias ou expansivas. Atrofia pode tornar-se mais evidente com a progressão, enquanto imagens precoces podem ser discretas. A análise do líquido cerebrospinal é considerada quando inflamação permanece possível e deve ser realizada somente após avaliação de segurança.

A confirmação absoluta historicamente dependeu de neuropatologia, que distingue perda de células granulares, células de Purkinje ou outros padrões. Em vida, o diagnóstico pode ser provável pela combinação de raça, evolução, exame, exclusão de doenças tratáveis e genética validada quando disponível. Classificar toda ataxia de um Kelpie como abiotrofia arrisca perder causas reversíveis.

Não existe tratamento que restaure os neurônios degenerados, então o manejo é de suporte. Tapetes antiderrapantes, bloqueio de escadas, comedouros estáveis e supervisão ao ar livre reduzem quedas e trauma. Arnês de suporte pode ajudar sem suspender o cão de modo desconfortável ou alterar permanentemente sua marcha.

A reabilitação trabalha controle postural, força e estratégias funcionais em sessões curtas, evitando fadiga. Exercícios difíceis demais aumentam quedas e frustração sem modificar a degeneração. Medicamentos só são usados para problemas específicos, e sedativos podem piorar ataxia e esconder a evolução.

O prognóstico varia conforme idade de início, velocidade de progressão e capacidade de comer, caminhar e eliminar sem acidentes repetidos. Alguns cães com sinais leves mantêm rotina adaptada, enquanto formas severas comprometem rapidamente o bem-estar. Qualidade de vida deve ser revista com critérios objetivos, incluindo lesões, ansiedade e necessidade de assistência.

Para reprodução, cães afetados e cruzamentos que produziram casos devem ser avaliados com orientação genética. Quando um teste específico e validado existe, ele ajuda a evitar pares de portadores, mas não exclui todas as causas de ataxia. Registros clínicos e amostras de famílias afetadas são valiosos para esclarecer variantes ainda não resolvidas.

SHEARMAN, J. R.; COOK, R. W.; MCCOWAN, C.; et al. Mapping cerebellar abiotrophy in Australian Kelpies. Animal Genetics, v. 42, n. 6, p. 675–678, 2011. doi:10.1111/j.1365-2052.2011.02199.x.

HUSKA, J.; GAITERO, L.; SNYMAN, H. N.; et al. Cerebellar granuloprival degeneration in an Australian Kelpie and a Labrador Retriever dog. Canadian Veterinary Journal, v. 54, n. 1, p. 55–60, 2013. PMID: 23814302.

Horário: Segunda à sexta, 11h às 18h. Sábados 10:00 às 14:00
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