Tumores da medula espinhal em cães: sinais progressivos e investigação
- Felipe Garofallo

- 2 de ago.
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Tumores que afetam a medula espinhal podem surgir dentro do parênquima, entre a medula e suas membranas, no espaço epidural ou nas vértebras. Essa localização anatômica influencia os sinais, o acesso cirúrgico e as opções de tratamento.

Os sinais geralmente progridem ao longo de semanas ou meses e incluem dor na coluna, tropeços, desgaste das unhas, ataxia, fraqueza e alterações de posicionamento das patas. Alguns tumores e metástases podem evoluir mais rapidamente, portanto a velocidade não confirma nem exclui câncer.
O exame neurológico localiza o segmento provável da lesão e verifica se o cão ainda caminha e mantém percepção de dor profunda. Essa avaliação orienta a urgência e a região que deve ser investigada por imagem.
Doença do disco intervertebral, mielite, infecção, evento vascular e doenças degenerativas podem imitar uma neoplasia. Exames de sangue e imagem de tórax e abdômen são usados conforme o caso para procurar doença sistêmica ou um tumor primário.
A ressonância magnética é o principal exame para caracterizar a relação da massa com a medula, meninges, canal e vértebras. Mesmo assim, a imagem nem sempre distingue com precisão neoplasia de inflamação ou define o tipo tumoral.
O diagnóstico definitivo requer citologia ou histopatologia quando uma amostra pode ser obtida com segurança. A coleta pode ocorrer por cirurgia ou biópsia orientada por imagem, e o risco deve ser ponderado contra o benefício de direcionar a terapia.
Tumores extradurais e intradurais-extramedulares podem ser candidatos à descompressão e remoção parcial ou completa. Radioterapia e quimioterapia são consideradas conforme histologia, extensão e sensibilidade tumoral; corticosteroides podem reduzir edema, mas não constituem tratamento definitivo para a maioria dos tumores.
Não se deve iniciar corticoide por conta própria, porque ele pode alterar exames, causar efeitos adversos e interferir no diagnóstico de linfoma. Perda súbita da capacidade de andar, dor intensa ou dificuldade para urinar exige atendimento emergencial.
O prognóstico varia amplamente: meningiomas e alguns tumores de bainha nervosa acessíveis podem ter controle prolongado, enquanto neoplasias intramedulares, invasivas ou metastáticas tendem a ser mais desafiadoras. A função neurológica antes do tratamento também influencia o resultado.
Quando controle tumoral não é viável, analgesia, fisioterapia adaptada, auxílio à mobilidade, prevenção de feridas e manejo de bexiga preservam conforto. Decisões devem considerar qualidade de vida, risco do procedimento e objetivo da família.
Referência: Nakamoto Y, et al. Imaging and surgical outcomes of spinal tumors in 18 dogs and one cat. Journal of Veterinary Medical Science. 2015;77(11):1501-1506. doi:10.1292/jvms.15-0164.
Referência: Pancotto TE, et al. Intramedullary spinal cord neoplasia in 53 dogs (1990-2010): distribution, clinicopathologic characteristics, and clinical behavior. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2013;27(6):1500-1508. PMID:24010541.