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Tipos de cirurgia para displasia coxofemoral em cães

Atualizado: 23 de abr.

A displasia coxofemoral em cães é uma das doenças ortopédicas mais comuns na clínica de pequenos animais, especialmente em raças de médio e grande porte.



Trata-se de uma condição de origem multifatorial, com forte influência genética, caracterizada por incongruência entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, levando à instabilidade articular, inflamação crônica, dor e, com o tempo, osteoartrose progressiva.


Quando o tratamento conservador não é suficiente para controlar a dor e preservar a qualidade de vida do animal, a intervenção cirúrgica passa a ser uma alternativa importante. A escolha do tipo de cirurgia depende de fatores como idade do paciente, grau de degeneração articular, intensidade dos sinais clínicos, porte do cão e expectativas do tutor.



Em cães jovens, especialmente antes do fechamento das placas de crescimento, algumas técnicas cirúrgicas têm como objetivo modificar a biomecânica da articulação do quadril e retardar ou minimizar o desenvolvimento da osteoartrose.


A sinfisiodese púbica juvenil é um exemplo desse grupo de procedimentos. Essa técnica consiste na indução do fechamento precoce da sínfise púbica, promovendo uma rotação ventral do acetábulo durante o crescimento, o que melhora a cobertura da cabeça femoral.


É indicada apenas em cães muito jovens, geralmente com até 4 a 5 meses de idade, diagnosticados precocemente com displasia coxofemoral. Apesar de ser um procedimento relativamente simples, sua eficácia depende fortemente do momento correto da indicação.


Outra opção para cães jovens, mas já com um pouco mais de idade e ainda sem alterações degenerativas significativas, é a osteotomia pélvica dupla. Nessa técnica, são realizadas osteotomias em pontos específicos da pelve para permitir a rotação do acetábulo, aumentando a cobertura da cabeça do fêmur e reduzindo a instabilidade articular.


Trata-se de uma cirurgia tecnicamente mais complexa, indicada para pacientes criteriosamente selecionados, geralmente entre 6 e 12 meses de idade, sem sinais radiográficos avançados de artrose e com boa congruência articular após redução manual. Quando bem indicada, pode proporcionar bons resultados funcionais a longo prazo.


Em cães adultos, especialmente aqueles que já apresentam alterações degenerativas importantes na articulação do quadril, as cirurgias de preservação articular deixam de ser indicadas, e outras abordagens passam a ser consideradas.


Uma das técnicas mais conhecidas nesse contexto é a colocefalectomia, também chamada de excisão da cabeça e colo do fêmur. Nesse procedimento, remove-se a cabeça femoral, eliminando o contato ósseo doloroso com o acetábulo.


Forma-se, ao longo do tempo, uma pseudoarticulação fibrosa que permite movimentação do membro com redução significativa da dor. Embora seja uma técnica eficaz para alívio da dor, especialmente em cães de pequeno e médio porte, seu resultado funcional depende bastante de fisioterapia pós-operatória adequada e da musculatura do paciente. Em cães grandes, pode haver limitação funcional mais evidente, o que deve ser discutido previamente com o tutor.


A prótese total de quadril representa atualmente uma das opções cirúrgicas mais avançadas para o tratamento da displasia coxofemoral em cães adultos. Nesse procedimento, a articulação do quadril é substituída por implantes artificiais que reproduzem a biomecânica normal da articulação.


Quando realizada corretamente e em pacientes bem selecionados, a prótese total de quadril pode proporcionar excelente recuperação funcional, com retorno próximo ao normal do uso do membro e alívio quase completo da dor.


No entanto, trata-se de uma cirurgia de alto custo, que exige infraestrutura adequada, experiência do cirurgião e um rigoroso controle pós-operatório, além de apresentar riscos inerentes como luxação da prótese, infecção e falhas do implante.


Além dessas técnicas principais, existem procedimentos complementares e abordagens menos comuns que podem ser indicados em situações específicas, sempre com o objetivo de melhorar o conforto do paciente e sua qualidade de vida.


Independentemente da técnica escolhida, é fundamental compreender que o sucesso do tratamento cirúrgico da displasia coxofemoral não depende apenas da cirurgia em si, mas também de um diagnóstico preciso, indicação correta, manejo adequado da dor, controle do peso corporal e um programa de reabilitação bem conduzido.


A decisão pelo tipo de cirurgia deve ser individualizada, levando em conta não apenas os exames de imagem, mas também a avaliação clínica completa do paciente e a realidade do tutor.


Um planejamento cirúrgico bem feito, aliado a uma boa comunicação entre o médico-veterinário e o responsável pelo animal, é essencial para alcançar os melhores resultados possíveis no tratamento da displasia coxofemoral em cães.


Referências bibliográficas


Fossum, T. W. Small Animal Surgery. 5th ed. St. Louis: Elsevier, 2019.Johnston, S. A.;


Tobias, K. M. Veterinary Surgery: Small Animal. 2nd ed. St. Louis: Elsevier, 2018.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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