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Tendinopatia do supraespinhal em cães

O músculo supraespinhal cruza a face cranial do ombro e seu tendão insere-se no tubérculo maior do úmero. Degeneração, espessamento e, às vezes, mineralização dessa inserção podem causar claudicação do membro torácico.

Médico-veterinário examinando a região do ombro de um cão Labrador com suspeita de tendinopatia do supraespinhal

O quadro é mais descrito em cães adultos de médio e grande porte, inclusive atletas, com claudicação crônica, intermitente ou que piora após atividade. Alterações podem existir nos dois ombros mesmo quando apenas um membro é dolorido.

Dor à palpação cranial do ombro e durante movimentos específicos aumenta a suspeita, mas o exame pode ser sutil. A massa muscular, amplitude articular e resposta de cotovelo, carpo e pescoço também devem ser avaliadas.

Mineralização próxima ao ombro não prova que o supraespinhal seja a causa da claudicação. Tendinopatia bicipital, osteocondrose, instabilidade, doença do cotovelo e lesão cervical precisam ser consideradas.

Radiografias identificam mineralização e alterações ósseas, enquanto ultrassonografia demonstra espessura, ecogenicidade e padrão de fibras. A ressonância magnética ajuda a avaliar lesões profundas e a relação de um tendão aumentado com o bíceps.

O diagnóstico mais seguro correlaciona exame, imagem e resposta ao manejo, evitando tratar achados incidentais. Injeções locais exigem técnica asséptica e orientação por imagem para reduzir o risco de colocar medicamento dentro de fibras saudáveis.

O tratamento conservador combina modificação de atividade, controle de peso, analgesia e reabilitação planejada. A carga é reintroduzida gradualmente porque o tendão adapta-se mais lentamente do que a melhora aparente da claudicação.

Ondas de choque e produtos ortobiológicos foram associados a melhora em estudos retrospectivos, mas faltam ensaios controlados robustos para definir superioridade. A escolha deve considerar custo, gravidade e qualidade da evidência.

Ressecção de tecido degenerado ou mineralizado e liberação da compressão sobre o bíceps podem ser indicadas em casos refratários. A cirurgia deve ser direcionada à lesão clinicamente relevante, não apenas à presença de mineralização.

O prognóstico varia de razoável a bom, com recuperação frequentemente lenta e risco de recorrência. Reavaliação funcional e ultrassonográfica pode orientar o retorno à atividade.

Referência: Laitinen OM, Flo GL. Surgical treatment of mineralized and nonmineralized supraspinatus tendinopathy in twenty-four dogs. Veterinary and Comparative Orthopaedics and Traumatology. 2000;13:76-81. PMID:19573103.

Referência: Kern T, Manfredi J, Tomlinson J. Ultrasonographic appearance of supraspinatus and biceps tendinopathy improves in dogs treated with low-intensity extracorporeal shock wave therapy: a retrospective study. Frontiers in Veterinary Science. 2023;10:1238513. doi:10.3389/fvets.2023.1238513.

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