Sutura de Lembert
- Felipe Garofallo

- 22 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: 23 de abr.
A sutura de Lembert é um padrão clássico de sutura amplamente utilizado em cirurgia gastrointestinal, especialmente em procedimentos envolvendo o estômago e o intestino.

Seu principal objetivo é promover o fechamento seguro de vísceras ocas, garantindo vedação eficiente do lúmen e reduzindo o risco de extravasamento de conteúdo, o que é essencial para prevenir complicações graves como peritonite séptica.
Trata-se de uma sutura seromuscular, ou seja, não penetra o lúmen do órgão, preservando a integridade da mucosa e minimizando a contaminação.
O princípio biomecânico da sutura de Lembert baseia-se na inversão das bordas da incisão, promovendo o contato entre as camadas serosas, que possuem alta capacidade de adesão e cicatrização.
Essa característica é particularmente relevante no trato gastrointestinal, onde a serosa desempenha papel fundamental na cicatrização rápida e eficaz. Ao evitar a penetração na mucosa, a técnica reduz a exposição do fio ao conteúdo luminal, diminuindo o risco de infecção e reação inflamatória exacerbada.
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Continuando o nosso tema, a execução da sutura de Lembert exige precisão técnica. A agulha é introduzida perpendicularmente à superfície do órgão, penetrando a camada seromuscular a uma certa distância da borda da incisão, geralmente entre 4 a 8 mm, dependendo do tamanho do órgão e da espécie. Em seguida, a agulha emerge próxima à borda da incisão sem atravessá-la. O mesmo padrão é repetido no lado oposto, de forma simétrica.
Quando o fio é tracionado, ocorre a inversão das bordas, promovendo o contato entre as superfícies serosas. Esse padrão pode ser realizado de forma interrompida ou contínua, sendo a forma interrompida mais segura em situações onde há maior risco de deiscência.
Uma das grandes vantagens da sutura de Lembert é sua capacidade de distribuir a tensão ao longo da linha de sutura, reduzindo o risco de isquemia tecidual.
Além disso, por não penetrar o lúmen, ela é frequentemente utilizada como segunda camada em suturas intestinais, complementando padrões como o simples contínuo ou o padrão de Gambee.
Essa associação aumenta significativamente a resistência da sutura e a segurança do fechamento.
Entretanto, a técnica não é isenta de limitações.
O uso excessivo de padrões como esse, pode levar à redução do diâmetro luminal, especialmente em estruturas de pequeno calibre, como o intestino delgado em animais de pequeno porte.
Esse estreitamento pode predispor à obstrução, sendo um fator importante a ser considerado na escolha do padrão de sutura. Além disso, a execução inadequada, com pontos muito próximos da borda ou com profundidade excessiva, pode comprometer a vascularização local e prejudicar a cicatrização.
O domínio da sutura de Lembert é essencial para o fechamento seguro de vísceras ocas, sendo frequentemente ensinada como padrão fundamental nos cursos de cirurgia.
Sua aplicação correta exige não apenas habilidade manual, mas também compreensão profunda da anatomia, fisiologia da cicatrização e princípios de biomecânica tecidual.
Em resumo, a sutura de Lembert permanece como uma técnica consagrada, segura e eficaz quando bem indicada e corretamente executada. Sua importância transcende a prática básica, sendo frequentemente utilizada em cirurgias complexas, reforçando anastomoses e contribuindo para melhores desfechos clínicos. O entendimento detalhado dessa técnica é indispensável para qualquer cirurgião que atue com procedimentos envolvendo o trato gastrointestinal.
Referências bibliográficas:
FOSSUM, T. W. Small Animal Surgery. 5th ed. St. Louis: Elsevier, 2019.
TOBIAS, K. M.; JOHNSTON, S. A. Veterinary Surgery: Small Animal. 2nd ed. St. Louis: Elsevier, 2017.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.
