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Seroma em cães após cirurgia: é normal?

Atualizado: 22 de mai.

O aparecimento de um aumento de volume próximo à região da cirurgia é uma das situações que mais preocupam os tutores durante o pós-operatório de cães.



Em muitos casos, esse inchaço corresponde a um seroma, uma complicação relativamente comum após procedimentos cirúrgicos e que, na maioria das vezes, não representa uma emergência grave.


Ainda assim, o problema deve ser acompanhado de perto, já que outras complicações podem apresentar aspecto semelhante, incluindo infecções, hematomas e falhas na cicatrização.


O seroma é caracterizado pelo acúmulo de líquido inflamatório sob a pele, geralmente em áreas onde houve descolamento de tecidos durante a cirurgia.


Esse líquido costuma ter aspecto amarelado ou transparente e se forma devido à reação inflamatória natural do organismo após o trauma cirúrgico.


Quanto maior a manipulação dos tecidos, maior tende a ser o espaço morto criado entre as camadas, favorecendo o acúmulo de líquido no local.


Em cães, os seromas podem surgir após diversos tipos de procedimentos, incluindo cirurgias ortopédicas, mastectomias, remoção de tumores, cirurgias abdominais e procedimentos reconstrutivos.


Em cirurgias ortopédicas, principalmente em membros pélvicos, joelho e quadril, a movimentação constante da região pode favorecer ainda mais o desenvolvimento desse acúmulo de líquido durante o processo de cicatrização.


Na maior parte das vezes, o tutor percebe um inchaço macio próximo à incisão cirúrgica alguns dias após o procedimento. Diferentemente de abscessos ou infecções mais severas, o seroma normalmente não apresenta secreção purulenta, odor forte ou dor intensa à palpação.


Muitos cães continuam ativos e aparentemente confortáveis, apesar da presença do aumento de volume. Ainda assim, alguns pacientes podem demonstrar desconforto local, sensibilidade ou lambedura excessiva da região.


Embora o seroma seja relativamente comum, ele não deve ser considerado “normal” no sentido de ser desejável. O ideal é sempre minimizar sua ocorrência por meio de técnica cirúrgica cuidadosa, redução de espaço morto, suturas adequadas e manejo correto do pós-operatório.


Entretanto, mesmo em cirurgias realizadas de forma adequada, alguns cães podem desenvolver seroma devido a fatores individuais, movimentação excessiva, predisposição inflamatória ou dificuldade em manter repouso.


A movimentação excessiva durante a recuperação é uma das principais causas associadas ao desenvolvimento do problema.


Muitos cães começam a correr, pular ou brincar antes do período recomendado, aumentando o atrito entre os tecidos ainda em cicatrização. Isso estimula a produção contínua de líquido inflamatório e dificulta a aderência adequada das camadas internas da cirurgia.


Em procedimentos ortopédicos, esse risco costuma ser ainda maior devido à dificuldade em restringir completamente a atividade do animal.


O diagnóstico geralmente é realizado por meio da avaliação clínica. Em muitos casos, o veterinário consegue identificar o seroma apenas pelo histórico, localização e características do aumento de volume.


Quando existe dúvida, exames complementares como ultrassonografia ou coleta do conteúdo podem ser indicados para diferenciar o seroma de outras complicações, como hematomas e infecções.


O tratamento depende do tamanho do seroma, do desconforto do paciente e da evolução clínica. Pequenos seromas frequentemente são absorvidos naturalmente pelo organismo ao longo de dias ou semanas, sem necessidade de drenagem.


Nesses casos, repouso adequado e monitoramento costumam ser suficientes. Em situações maiores, persistentes ou que causem desconforto significativo, o veterinário pode optar pela drenagem do líquido, uso de bandagens compressivas ou colocação de drenos específicos.


A drenagem repetida nem sempre é indicada, já que múltiplas punções podem aumentar o risco de contaminação bacteriana e favorecer infecções secundárias.


Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente. Em algumas situações, o organismo reabsorve o líquido gradualmente sem necessidade de intervenção mais invasiva.


A prevenção continua sendo uma das partes mais importantes do manejo pós-operatório. O uso correto do colar elizabetano, o controle rigoroso das atividades físicas e o seguimento adequado das orientações veterinárias fazem grande diferença na recuperação.


Em cães muito ativos, o repouso restrito costuma ser um dos maiores desafios para evitar complicações desse tipo.


Quando o aumento de volume apresenta calor excessivo, vermelhidão intensa, secreção purulenta, dor importante ou alteração no estado geral do animal, a possibilidade de infecção deve ser considerada imediatamente.


Nesses casos, o acompanhamento veterinário rápido é fundamental para evitar agravamento do quadro e possíveis complicações na cicatrização.


Apesar da preocupação que costuma causar nos tutores, a maioria dos seromas apresenta boa evolução quando manejada corretamente.


O acompanhamento próximo durante o pós-operatório permite identificar alterações precocemente e aumentar as chances de recuperação adequada, especialmente em pacientes submetidos a cirurgias ortopédicas e procedimentos de maior porte.


Referências bibliográficas

FOSSUM, T. W. Small Animal Surgery. 5. ed. St. Louis: Elsevier, 2018.

SLATTER, D. Textbook of Small Animal Surgery. 3. ed. Philadelphia: Saunders Elsevier, 2003.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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