Scaffolds de colágeno em cães
- Felipe Garofallo

- 28 de fev. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 13 de set. de 2025
Os scaffolds de colágeno têm se tornado uma inovação promissora na medicina veterinária, especialmente na ortopedia e cirurgia regenerativa de cães. Esses biomateriais são estruturas tridimensionais projetadas para atuar como um suporte físico e bioquímico na regeneração tecidual.

Funcionam como uma matriz que imita a matriz extracelular natural dos tecidos, proporcionando um ambiente favorável para a adesão, proliferação e diferenciação celular. Sua aplicação tem sido explorada principalmente na regeneração óssea, cartilaginosa e de tecidos moles, oferecendo suporte estrutural para a proliferação celular e estimulando a regeneração por meio de interações bioquímicas.
O colágeno é uma proteína estrutural essencial encontrada em tecidos como ossos, tendões, cartilagens e pele. Nos últimos anos, sua aplicação na forma de scaffolds tem sido amplamente estudada devido à sua biocompatibilidade, biodegradabilidade e capacidade de interação celular, promovendo uma resposta regenerativa controlada.
A estrutura do scaffold pode variar dependendo da aplicação clínica: alguns são porosos, permitindo a migração celular e a vascularização do tecido em regeneração, enquanto outros são modificados para ter maior resistência mecânica, garantindo estabilidade em aplicações ósseas e cartilaginosas.
Em cães, esses scaffolds são utilizados principalmente na regeneração óssea em casos de fraturas complexas, defeitos críticos e em procedimentos ortopédicos, como a reconstrução de articulações afetadas por patologias degenerativas. Além disso, têm sido explorados em cirurgias de reconstrução de tendões e ligamentos, auxiliando na recuperação de tecidos altamente especializados e de difícil regeneração espontânea.
A aplicação clínica desses biomateriais exige um planejamento cuidadoso, pois diversos fatores influenciam seu sucesso terapêutico. A origem do colágeno (bovino, suíno ou sintético), o tipo de processamento e a estrutura tridimensional do scaffold impactam diretamente na sua interação com o organismo animal. Além disso, a resposta inflamatória do hospedeiro e a taxa de degradação do biomaterial são aspectos críticos que devem ser controlados para garantir uma recuperação eficiente.
Os scaffolds de colágeno podem ser usados sozinhos ou combinados com outras substâncias bioativas, como fatores de crescimento e células-tronco mesenquimais, para potencializar a regeneração tecidual. Em procedimentos cirúrgicos veterinários, são aplicados como membranas para recobrimento de enxertos ósseos ou como suporte para a regeneração da cartilagem articular em cães com osteoartrite avançada. Essa abordagem combinada tem mostrado resultados promissores na reparação de defeitos ósseos críticos e na regeneração da cartilagem articular, sendo uma alternativa para o tratamento de displasias articulares e lesões ligamentares graves.
Outro avanço significativo na área é a engenharia tecidual aplicada aos scaffolds, que permite funcionalizá-los com fatores de crescimento, como o fator de crescimento transformador beta (TGF-β) e o fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF). Esses fatores bioativos modulam a proliferação celular e estimulam a diferenciação de osteoblastos, condroblastos e fibroblastos, otimizando a regeneração óssea e cartilaginosa.
Além disso, a utilização de células-tronco mesenquimais, extraídas da medula óssea ou do tecido adiposo, pode acelerar a recuperação tecidual e reduzir o tempo de reabilitação pós-cirúrgica.
Na prática clínica, os scaffolds de colágeno já são amplamente utilizados em cirurgias ortopédicas veterinárias, com crescente sucesso. Um dos exemplos mais comuns é seu uso no preenchimento de defeitos ósseos em fraturas complexas ou na substituição de cartilagem danificada em articulações acometidas por osteoartrite.
Apesar dos benefícios evidentes, alguns desafios ainda precisam ser superados. O alto custo dos materiais e a necessidade de mais estudos clínicos para padronizar protocolos de aplicação em cães são alguns dos principais obstáculos. No entanto, com os avanços da bioengenharia e da medicina veterinária regenerativa, espera-se que o uso de scaffolds de colágeno continue a se expandir, proporcionando alternativas terapêuticas menos invasivas e mais eficazes para a recuperação de tecidos lesionados.
Referências bibliográficas
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Malda, J., Benders, K. E. M., Klein, T. J., et al. (2013). Comparative study of scaffold-free cartilage construct formation by primary chondrocytes from different species: Towards a quantitative assessment of tissue engineering strategies. Biomaterials, 34(18), 4204-4213. https://doi.org/10.1016/j.biomaterials.2013.02.043
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.