Ruptura do tendão do tríceps em cães: dificuldade para estender o cotovelo
- Felipe Garofallo

- 3 de ago.
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O tendão do tríceps insere-se no olécrano e transmite a força necessária para estender o cotovelo e sustentar o peso no membro torácico. Sua ruptura completa interrompe o mecanismo extensor e costuma impedir o apoio normal.

A lesão pode ocorrer após trauma direto, corte, tração excessiva ou degeneração do tendão. Rupturas parciais preservam alguma extensão e podem produzir sinais menos evidentes, enquanto avulsões podem trazer um pequeno fragmento ósseo do olécrano.
O cão pode manter o membro elevado, apresentar cotovelo excessivamente flexionado e não conseguir estendê-lo contra a gravidade ou resistência. Dor, edema e uma depressão palpável proximal ao olécrano podem ocorrer, mas variam conforme o tempo de evolução.
O exame neurológico é importante porque lesões do nervo radial também comprometem a extensão do cotovelo, carpo e dedos. Fraturas do úmero ou olécrano, luxação do cotovelo e feridas penetrantes precisam ser excluídas.
Radiografias avaliam alinhamento, fraturas por avulsão e alterações crônicas. Ultrassonografia pode demonstrar descontinuidade e retração das fibras, e a ressonância magnética é reservada para casos em que a extensão da lesão permanece incerta.
Rupturas completas geralmente exigem reparo cirúrgico precoce, com sutura ou reinserção do tendão ao olécrano. Em lesões crônicas, retração, fibrose e baixa qualidade do tecido podem exigir técnicas de reforço e tornar a cirurgia mais complexa.
Lesões parciais selecionadas podem ser manejadas de forma conservadora com imobilização e atividade muito restrita, desde que a função extensora seja preservada. Essa decisão requer acompanhamento próximo porque falha de cicatrização ou progressão da ruptura muda a indicação.
O pós-operatório protege o reparo contra flexão excessiva e carga súbita, usando suporte externo conforme a técnica e o paciente. Complicações possíveis incluem deiscência, infecção, rigidez do cotovelo, falha da sutura e irritação causada pelo implante.
Não tente testar repetidamente a extensão nem improvise talas apertadas em casa. Mantenha o cão confinado, evite escadas e procure atendimento rápido; medicamentos humanos podem causar intoxicação e não substituem analgesia veterinária.
O prognóstico tende a ser favorável quando a ruptura é reconhecida e estabilizada adequadamente, embora a evidência publicada seja formada principalmente por pequenas séries e relatos. Lesões antigas, contaminadas ou associadas a dano neurológico têm recuperação menos previsível.
Referência: Yoon HY, Jeong SW. Traumatic triceps tendon avulsion in a dog. Journal of Veterinary Medical Science. 2013;75(10):1375-1377. doi:10.1292/jvms.12-0464.
Referência: Earley NF, et al. Triceps tendon avulsion in dogs: a retrospective study of surgical management and outcome. Veterinary Record. 2018;182(4):108. doi:10.1136/vr.104280.