Ruptura do tendão calcâneo em cães: sinais, diagnóstico e recuperação
- Felipe Garofallo

- 29 de jul.
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O tendão calcâneo comum reúne o gastrocnêmio, o tendão flexor digital superficial e contribuições de músculos da coxa. Ele transmite força para estender o tarso e sustentar o jarrete durante o apoio. Ruptura completa produz postura plantígrada; lesões parciais podem causar apenas inchaço, dor e fraqueza.

Cortes, trauma fechado e degeneração crônica podem romper uma ou várias porções. Se o gastrocnêmio falha mas o flexor digital superficial permanece intacto, os dedos podem ficar flexionados enquanto o tarso cai. Essa postura ajuda a localizar quais componentes estão lesionados.
O exame avalia apoio, ângulo do tarso, continuidade, espessamento, feridas e posição dos dedos. Joelho, nervos e ossos também devem ser testados porque fraturas e déficits neurológicos imitam o quadro. Uma ferida pequena pode esconder secção tendínea profunda.
Radiografias procuram avulsão do calcâneo e outras fraturas, mas não mostram bem todas as fibras. Ultrassonografia identifica descontinuidade, retração e arquitetura e serve para acompanhamento. Ressonância fornece detalhe dos componentes e tecidos adjacentes em casos selecionados.
Lesão completa recente geralmente requer aproximação cirúrgica dos cotos ou reinserção no calcâneo. Rupturas crônicas com retração podem necessitar enxerto ou reforço. Desbridamento remove tecido inviável, mas aumenta o defeito e torna planejamento pré-operatório importante.
A reparação precisa ser protegida contra tensão durante semanas com órtese, tala, parafuso transarticular ou fixador externo, conforme o caso. Imobilização insuficiente favorece falha; excesso ou mau ajuste causa feridas, edema e rigidez. Curativos devem ser revisados por profissionais.
Na série de 12 cães reparados com sutura em alça e plasma rico em plaquetas, função e qualidade de vida relatadas foram altas, mas dois tiveram complicações maiores que precisaram de revisão. O estudo não prova que o plasma foi responsável pelo resultado porque não houve grupo comparador. A técnica e a proteção mecânica continuam centrais.
A reabilitação começa com proteção e movimento das articulações liberadas, avançando após evidência de cicatrização. A carga é aumentada gradualmente para orientar remodelação do colágeno. Correr, saltar ou retirar a órtese antes da liberação pode romper novamente o tendão.
O prognóstico é favorável em muitos casos, porém infecção, cronicidade, grande perda de tecido e complicações da imobilização pioram o resultado. Espessamento residual é comum e retorno completo pode levar meses. Acompanhamento por ultrassom e exame orienta progressão.
Postura plantígrada súbita, ferida sobre o tendão ou jarrete inchado exige avaliação rápida. Mantenha o cão quieto, não force o tarso e cubra feridas com material limpo sem apertar. Tratamento precoce preserva comprimento tendíneo e facilita reparação.
Referência bibliográfica: Schulz KS, Ash KJ, Cook JL. Clinical outcomes after common calcanean tendon rupture repair in dogs with a loop-suture tenorrhaphy technique and autogenous leukoreduced platelet-rich plasma. Veterinary Surgery. 2019;48(7):1262-1270. doi:10.1111/vsu.13208. PMID:30950083.
Referência bibliográfica: Lin M, Glass EN, Kent M. Utility of MRI for evaluation of a common calcaneal tendon rupture in a dog: case report. Frontiers in Veterinary Science. 2020;7:602. doi:10.3389/fvets.2020.00602. PMID:33088830.