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9 raças de cães predispostas a problemas de coluna

Os problemas de coluna em cães representam uma das causas mais frequentes de dor, dificuldade para caminhar e até paralisia em pequenos animais.



Embora qualquer cão possa desenvolver alterações vertebrais ao longo da vida, algumas raças apresentam predisposição genética significativamente maior para doenças da coluna, especialmente as relacionadas aos discos intervertebrais, malformações vertebrais e instabilidades articulares.


Conhecer essas predisposições é fundamental para o diagnóstico precoce, prevenção e manejo adequado, permitindo que tutores procurem ajuda veterinária antes que o quadro evolua para déficits neurológicos mais graves.


Entre as enfermidades mais comuns da coluna vertebral em cães está a doença do disco intervertebral, frequentemente chamada de hérnia de disco.


Essa condição ocorre quando os discos localizados entre as vértebras sofrem degeneração, protrusão ou extrusão, comprimindo a medula espinhal e provocando dor intensa, dificuldade locomotora e, em casos severos, perda dos movimentos dos membros.


Algumas raças apresentam risco muito superior devido a fatores genéticos ligados à conformação corporal e à composição da cartilagem.


Os cães condrodistróficos são os mais conhecidos pela predisposição a hérnias de disco. Essas raças possuem uma alteração genética associada ao crescimento da cartilagem, o que resulta em membros mais curtos e degeneração precoce dos discos intervertebrais. O exemplo mais clássico é o Dachshund, popularmente conhecido como “salsicha”.


A combinação de coluna longa e pernas curtas aumenta consideravelmente a sobrecarga biomecânica sobre a coluna vertebral, tornando essa raça extremamente suscetível à doença do disco intervertebral, muitas vezes ainda em idade relativamente jovem.


É comum que tutores de Dachshunds relatem episódios súbitos de dor intensa, dificuldade para subir escadas, vocalização ao toque ou até incapacidade de caminhar após movimentos aparentemente simples.


Além do Dachshund, outras raças de pequeno porte compartilham predisposição semelhante. O Shih Tzu é frequentemente acometido por hérnias cervicais e toracolombares, podendo apresentar desde dor no pescoço até quadros neurológicos mais importantes.


O Lhasa Apso também apresenta predisposição relevante para degeneração discal precoce, sendo relativamente comum observar alterações vertebrais em exames de imagem ao longo da vida. O Poodle miniatura e o Pequinês também figuram entre as raças frequentemente diagnosticadas com doença discal, especialmente em idade adulta ou idosa.


O Buldogue Francês merece destaque especial quando se fala em problemas de coluna. Essa raça, extremamente popular nos últimos anos, apresenta predisposição não apenas à hérnia de disco, mas também a malformações vertebrais congênitas, como hemivértebras.


Essas alterações estruturais surgem ainda durante o desenvolvimento fetal e podem resultar em deformidades da coluna vertebral, compressão medular progressiva e sinais neurológicos importantes. Alguns cães permanecem assintomáticos por anos, enquanto outros desenvolvem ataxia, dificuldade locomotora ou perda da coordenação motora ainda jovens.


O Buldogue Inglês também apresenta risco aumentado para alterações semelhantes, embora em menor frequência.


Outra raça braquicefálica frequentemente associada a doenças vertebrais é o Pug.


Além da predisposição a hemivértebras, o Pug possui uma condição relativamente característica chamada mielopatia associada às vértebras torácicas caudais, uma alteração neurológica progressiva que pode causar fraqueza nos membros posteriores e dificuldade locomotora.


Em muitos casos, o diagnóstico exige exames avançados como ressonância magnética ou tomografia computadorizada para determinar exatamente o grau de compressão medular.


O Beagle também aparece entre as raças predispostas a problemas de disco intervertebral, embora frequentemente seja menos lembrado pelos tutores. Seu porte intermediário e genética associada à degeneração cartilaginosa aumentam o risco de hérnias, especialmente em indivíduos acima do peso ou submetidos a atividades físicas excessivas sem preparo adequado.


Entre as raças de grande porte, o Pastor Alemão merece atenção especial devido à predisposição à síndrome da cauda equina, também conhecida como estenose lombossacra degenerativa.


Essa doença ocorre quando há compressão dos nervos na transição entre coluna lombar e sacral, causando dor intensa, dificuldade para levantar, fraqueza nos membros posteriores e redução do interesse por atividades físicas. Muitos cães inicialmente demonstram apenas relutância em subir escadas ou entrar no carro, sinais frequentemente confundidos com envelhecimento normal.


O Dobermann é outra raça com predisposição importante para doenças cervicais, especialmente a espondilomielopatia cervical, popularmente chamada de síndrome de Wobbler. Essa enfermidade provoca compressão da medula espinhal na região cervical, resultando em alterações da marcha, falta de coordenação motora e fraqueza progressiva.


Os cães acometidos podem apresentar uma movimentação cambaleante característica, especialmente nos membros posteriores. O Dogue Alemão também apresenta predisposição significativa à síndrome de Wobbler, embora o mecanismo anatômico da compressão possa variar entre as raças.


O Rottweiler e o Labrador Retriever podem desenvolver problemas de coluna associados à instabilidade vertebral e degeneração articular, particularmente quando associados à obesidade ou doenças ortopédicas concomitantes, como displasia coxofemoral. O excesso de peso exerce impacto importante sobre a biomecânica da coluna, favorecendo degeneração precoce dos discos intervertebrais e inflamação das articulações vertebrais.


Já o Cavalier King Charles Spaniel apresenta predisposição marcante à siringomielia, uma doença neurológica frequentemente relacionada à malformação de Chiari-like. Nessa condição, alterações anatômicas na região do crânio interferem no fluxo normal do líquido cefalorraquidiano, favorecendo a formação de cavidades dentro da medula espinhal.


Os sinais clínicos podem incluir dor cervical, vocalização inexplicada, coceira fantasma próxima ao pescoço e alterações neurológicas progressivas. Trata-se de uma condição especialmente importante nessa raça, exigindo alto grau de suspeita clínica.


Além da predisposição genética, fatores ambientais também desempenham papel importante no desenvolvimento de problemas de coluna em cães predispostos.


O excesso de peso corporal é um dos principais agravantes, aumentando significativamente a carga sobre discos intervertebrais e articulações vertebrais. Saltos frequentes de sofás, camas e escadas podem acelerar o desgaste estrutural, especialmente em cães de coluna longa e pernas curtas.


Exercícios inadequados, sedentarismo, traumatismos e envelhecimento também podem contribuir para o aparecimento ou agravamento das doenças vertebrais.


Os sinais iniciais de problemas de coluna nem sempre são óbvios. Muitos cães começam apresentando apenas dor discreta, dificuldade para subir escadas, resistência para pular, alteração no comportamento, tremores ou vocalização ao serem manipulados.


Em situações mais avançadas, podem surgir fraqueza, dificuldade de caminhar, arraste das patas, perda de equilíbrio e até paralisia.


O diagnóstico precoce faz grande diferença no prognóstico, especialmente nos casos de hérnia de disco, em que o tempo até o tratamento pode influenciar diretamente as chances de recuperação neurológica.


O diagnóstico das doenças de coluna geralmente envolve exame neurológico detalhado e exames de imagem.


Radiografias podem ajudar na identificação de alterações ósseas e suspeitas iniciais, mas exames avançados como tomografia computadorizada e, principalmente, ressonância magnética costumam ser essenciais para avaliar a medula espinhal e localizar compressões de forma precisa.


Dependendo do caso, o tratamento pode variar desde repouso, controle da dor e fisioterapia até procedimentos cirúrgicos especializados para descompressão medular.


Embora algumas raças possuam predisposição genética inevitável, medidas preventivas podem reduzir significativamente o risco ou retardar o aparecimento de problemas.


Manter o peso corporal ideal, evitar obesidade, reduzir impactos excessivos, usar rampas em vez de escadas para cães predispostos e realizar avaliações veterinárias precoces diante de qualquer sinal locomotor são atitudes importantes.


Para cães pertencentes a raças sabidamente predispostas, o acompanhamento preventivo pode fazer grande diferença na qualidade de vida e no prognóstico ao longo dos anos.


Referências bibliográficas

FOSSUM, Theresa Welch. Cirurgia de pequenos animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.

DEWEY, Curtis W.; DA COSTA, Ronaldo C. Practical Guide to Canine and Feline Neurology. 4. ed. Ames: Wiley Blackwell, 2025.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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