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Possíveis riscos e complicações da cirurgia de luxação de patela em cães

A cirurgia de luxação de patela em cães é um procedimento frequentemente realizado para corrigir o deslocamento da patela de sua posição normal na tróclea, o que pode causar dor, claudicação e, eventualmente, levar a artrite.



Embora a cirurgia seja geralmente bem-sucedida em restaurar a função normal da articulação do joelho, como qualquer procedimento cirúrgico, existem potenciais complicações que podem ocorrer. Compreender essas complicações é crucial para que os tutores de cães estejam bem preparados para cuidar de seus animais no período pós-operatório e para saber quando buscar assistência veterinária adicional.


Uma das complicações mais comuns após a cirurgia de luxação de patela é a infecção. Qualquer cirurgia que envolve a abertura da pele e manipulação dos tecidos internos corre o risco de introduzir bactérias na área cirúrgica.


Sinais de infecção incluem vermelhidão, inchaço, calor e dor na área operada, além de secreção purulenta. Em casos graves, a infecção pode se espalhar para o osso, resultando em osteomielite. O tratamento geralmente envolve antibióticos e, em alguns casos, pode ser necessária uma nova cirurgia para limpar a área infectada.


Outra complicação possível é a falha na cicatrização óssea ou no reparo dos tecidos moles. Isto pode ocorrer se a área operada não for adequadamente estabilizada ou se o cão não seguir as restrições de atividade recomendadas durante o período de recuperação. A falha na cicatrização pode levar a uma instabilidade contínua da articulação do joelho, perpetuando a claudicação e a dor. Nesses casos, uma segunda cirurgia pode ser necessária para corrigir o problema.


A recidiva da luxação da patela é outra complicação que pode ocorrer após a cirurgia. Apesar das melhores técnicas cirúrgicas, a patela pode se deslocar novamente, especialmente se o cão retomar atividades físicas vigorosas muito cedo ou se houver outros problemas anatômicos que contribuam para a instabilidade articular. A recidiva pode exigir uma intervenção cirúrgica adicional para ajustar ou reforçar as correções feitas na primeira cirurgia.


Complicações relacionadas ao uso de implantes, como pinos, parafusos ou placas, também podem surgir. Os implantes podem se soltar, migrar ou causar irritação nos tecidos adjacentes. Isso pode resultar em dor, inflamação e, em casos graves, pode ser necessária a remoção ou substituição dos implantes. Em alguns casos, o corpo pode reagir aos implantes de forma adversa, levando a uma resposta inflamatória que compromete a recuperação.


A formação de fibrose excessiva, ou tecido cicatricial, ao redor da articulação operada é outra possível complicação. Embora algum grau de fibrose seja esperado e até desejado para ajudar a estabilizar a articulação, a formação excessiva pode limitar a amplitude de movimento do joelho, resultando em rigidez e redução da mobilidade. A fisioterapia pode ajudar a minimizar essa complicação, promovendo a cicatrização adequada e mantendo a flexibilidade da articulação.


Outras complicações podem incluir a formação de seromas ou hematomas na área cirúrgica. Seromas são acúmulos de líquido que se formam sob a pele, enquanto hematomas são acúmulos de sangue. Ambos podem causar inchaço e desconforto, e em alguns casos, pode ser necessário drená-los para aliviar os sintomas e prevenir a infecção.


Além das complicações físicas, o manejo inadequado da dor pós-operatória pode ser uma preocupação significativa. O controle eficaz da dor é crucial para a recuperação do cão, pois a dor pode levar à limitação do movimento, aumentando o risco de complicações como a atrofia muscular e a formação excessiva de tecido cicatricial.


Protocolos de manejo da dor geralmente incluem o uso de analgésicos e anti-inflamatórios, e em alguns casos, opioides ou outros medicamentos mais potentes podem ser necessários.


Em resumo, embora a cirurgia de luxação de patela em cães seja geralmente bem-sucedida e possa significativamente melhorar a qualidade de vida dos animais afetados, várias complicações potenciais podem ocorrer.


Estas incluem infecção, falha na cicatrização, recidiva da luxação, problemas com implantes, fibrose excessiva, lesões nervosas, formação de seromas ou hematomas e manejo inadequado da dor.


A conscientização sobre essas complicações e a atenção cuidadosa aos cuidados pós-operatórios são essenciais para maximizar as chances de uma recuperação bem-sucedida e minimizar os riscos associados.


Referências bibliográficas


Çatalkaya, Emine & Yayla, Sadık & Altan, Semih & Ersöz-Kanay, Berna. (2024). Clinical evaluation of complications after surgical treatment of patella dislocations in dogs: A retrospective study. Revista Científica de la Facultad de Ciencias Veterinarias. XXXIV. 1-6. 10.52973/rcfcv-e34300.


Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972), especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades. Agende uma consulta presencial ou consultoria on-line por vídeo pelo whatsapp (11)91258-5102.

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