Pontos da cirurgia abriram no cachorro: e agora?
- Felipe Garofallo

- 12 de mai.
- 4 min de leitura
Atualizado: há 4 dias
A abertura de pontos em cães após cirurgia é uma das complicações pós-operatórias que mais preocupa os tutores.

Em muitos casos, o animal parecia estar se recuperando bem, mas de repente a ferida cirúrgica começa a abrir, apresentar secreção, vermelhidão ou exposição dos tecidos internos.
Esse problema, chamado tecnicamente de deiscência de sutura, pode acontecer tanto em cirurgias ortopédicas quanto em procedimentos abdominais, cutâneos ou reconstrutivos.
Entender por que os pontos abrem em cães, quais são os sinais de alerta e o que deve ser feito rapidamente é fundamental para evitar infecções graves e comprometer o resultado da cirurgia.
A abertura de pontos em cães após cirurgia pode ocorrer por diferentes motivos, e geralmente existe mais de um fator envolvido. Um dos principais é o excesso de movimentação no pós-operatório.
Muitos cães começam a apoiar o membro operado antes do tempo recomendado, correm pela casa, pulam em sofá, cama ou escadas e acabam gerando tensão excessiva sobre a sutura.
Em cirurgias ortopédicas, isso é ainda mais importante, porque existe força constante sobre músculos, pele e tecidos profundos durante a movimentação.
Mesmo quando a cirurgia foi realizada corretamente, movimentos intensos podem levar ao rompimento parcial ou total dos pontos.
Outro motivo extremamente comum é a lambedura da ferida cirúrgica. A saliva do cão contém bactérias, além de causar irritação constante nos tecidos. Muitos animais conseguem remover pontos ou provocar inflamação importante apenas lambendo ou mordendo a região operada repetidamente.
Por isso, o uso do colar elizabetano ou de roupas cirúrgicas adequadas é fundamental durante todo o período de cicatrização. Um erro frequente é retirar a proteção antes da liberação veterinária porque o tutor acredita que “já está quase cicatrizado”.
Em diversos casos, a abertura da sutura acontece justamente nos últimos dias de recuperação.
A infecção pós-operatória também pode causar abertura dos pontos em cães. Quando bactérias contaminam a ferida cirúrgica, ocorre inflamação intensa, produção de secreção e enfraquecimento dos tecidos.
Com isso, os pontos deixam de sustentar adequadamente a pele e as camadas internas, favorecendo a deiscência. Alguns sinais sugestivos de infecção incluem vermelhidão intensa, aumento da temperatura local, inchaço, secreção amarelada, mau cheiro e dor acentuada. Em situações mais graves, o cão pode apresentar febre, apatia e perda de apetite.
Além disso, existem fatores relacionados ao próprio organismo do paciente. Cães idosos, obesos, desnutridos ou portadores de doenças hormonais, como diabetes e hiperadrenocorticismo, podem apresentar cicatrização mais lenta e maior risco de complicações.
Animais com baixa imunidade também tendem a ter mais dificuldade na regeneração tecidual. Em alguns casos, até mesmo o uso prolongado de corticoides pode interferir negativamente na cicatrização e aumentar o risco de abertura dos pontos.
Em cirurgias ortopédicas, a abertura de pontos pode ser particularmente delicada porque existe risco de contaminação dos implantes utilizados, como placas, parafusos, pinos ou próteses.
Quando bactérias alcançam essas estruturas, o tratamento pode se tornar muito mais complexo, exigindo antibioticoterapia prolongada, novas cirurgias e, em casos graves, remoção dos implantes. Por isso, qualquer alteração na ferida cirúrgica após procedimentos ortopédicos deve ser avaliada rapidamente por um médico-veterinário.
Muitos tutores têm dúvida sobre como identificar se a abertura dos pontos é grave. Pequenas separações superficiais da pele podem ocorrer em alguns casos e nem sempre representam emergência.
Porém, quando existe exposição de tecido subcutâneo, secreção, sangramento persistente, odor forte ou abertura profunda, a situação deve ser considerada séria. Em cirurgias abdominais, por exemplo, existe risco de exposição de órgãos internos, o que configura uma emergência veterinária imediata.
O tratamento depende da gravidade da deiscência cirúrgica. Em situações leves, pode ser possível realizar limpeza local, controle da infecção, troca de curativos e acompanhamento rigoroso até a cicatrização. Já nos casos moderados ou graves, frequentemente é necessário realizar nova cirurgia para limpeza dos tecidos comprometidos e ressutura da região.
Quando há infecção, o veterinário pode indicar antibióticos específicos, além de medicações analgésicas e anti-inflamatórias. Em alguns pacientes, curativos avançados e terapias auxiliares, como laserterapia e ozonioterapia, podem ser utilizados como suporte para estimular a cicatrização.
A prevenção continua sendo o melhor caminho para evitar abertura de pontos em cães após cirurgia. O repouso adequado é uma das medidas mais importantes.
Mesmo quando o animal parece disposto e sem dor, isso não significa que os tecidos internos estejam totalmente cicatrizados. O tutor deve restringir corridas, brincadeiras e saltos durante todo o período recomendado pelo veterinário. O uso correto do colar elizabetano também é indispensável.
Além disso, manter o ambiente limpo, administrar corretamente as medicações prescritas e comparecer aos retornos pós-operatórios ajuda a identificar precocemente qualquer alteração.
Atualmente, muitos tutores pesquisam na internet frases como “os pontos do meu cachorro abriram”, “ferida cirúrgica abriu no cão”, “abertura de pontos após cirurgia veterinária” ou “deiscência de sutura em cães”.
Embora algumas alterações pareçam pequenas inicialmente, a avaliação presencial é fundamental para determinar a gravidade do problema e definir o tratamento adequado.
Quanto mais cedo a complicação for identificada, maiores são as chances de recuperação rápida e menor o risco de sequelas ou novas cirurgias.
Em cães submetidos a cirurgias ortopédicas, o acompanhamento pós-operatório adequado faz enorme diferença no resultado final. Muitas vezes, o sucesso da cirurgia depende tanto da técnica cirúrgica quanto dos cuidados realizados em casa durante a recuperação.
Por isso, qualquer suspeita de abertura de pontos, secreção ou alteração na ferida operatória deve ser comunicada rapidamente ao médico-veterinário responsável.
Referências bibliográficas
FOSSUM, Theresa Welch. Small Animal Surgery. 5. ed. St. Louis: Elsevier, 2018.
TOBIAS, Karen M.; JOHNSTON, Spencer A. Veterinary Surgery: Small Animal. 2. ed. St. Louis: Elsevier, 2017.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.