Por que meu cão está ofegante? Entenda as causas
- Felipe Garofallo

- há 4 dias
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A respiração ofegante em cães é algo relativamente comum e pode acontecer por diversos motivos, desde situações completamente normais até problemas de saúde graves que exigem atendimento veterinário imediato.

Muitos tutores se assustam ao perceber que o cachorro está respirando rápido, com a boca aberta, língua para fora ou parecendo cansado mesmo sem ter feito esforço físico. Afinal, por que o cão fica ofegante? Isso é normal ou sinal de doença?
A primeira coisa importante de entender é que os cães regulam a temperatura corporal de forma diferente dos seres humanos.
Enquanto nós transpiramos pela pele, os cães praticamente não suam. Eles dissipam calor principalmente pela respiração, o que faz com que a ofegação seja um mecanismo fisiológico natural.
Em dias quentes, após brincadeiras intensas, exercícios físicos, passeios longos ou momentos de excitação, é esperado que o cachorro fique ofegante temporariamente.
Normalmente, essa respiração mais intensa melhora após alguns minutos de descanso, hidratação e permanência em um ambiente fresco.
No entanto, quando o cachorro está ofegante sem motivo aparente, principalmente em repouso, isso merece atenção. Existem diversas causas médicas que podem explicar esse comportamento. Uma das situações mais comuns é o calor excessivo.
Cães braquicefálicos, como Bulldog Francês, Pug, Shih Tzu e Bulldog Inglês, têm maior dificuldade respiratória devido à anatomia das vias aéreas e podem apresentar respiração ofegante com mais frequência, especialmente em ambientes quentes ou após pequenos esforços.
Em casos extremos, pode ocorrer hipertermia ou golpe de calor, uma emergência veterinária que pode colocar a vida do animal em risco.
Outro motivo frequente é a dor. Muitos cães apresentam ofegação quando sentem dor, mesmo que não demonstrem vocalização ou claudicação evidente.
Problemas ortopédicos, como ruptura do ligamento cruzado cranial, displasia coxofemoral, hérnias de disco, artrose ou traumas podem fazer com que o animal fique inquieto, mude de posição frequentemente e apresente respiração acelerada.
Em alguns casos, tutores acreditam que o pet está apenas “agitado”, quando na verdade ele está tentando lidar com um desconforto importante.
Ansiedade e estresse também podem fazer o cachorro ficar ofegante.
Situações como fogos de artifício, tempestades, mudança de ambiente, separação do tutor, idas ao veterinário ou até visitas desconhecidas podem desencadear episódios de respiração intensa. Alguns cães apresentam ainda tremores, pupilas dilatadas, inquietação ou tentativas de se esconder.
Problemas cardíacos merecem atenção especial. Doenças do coração podem reduzir a capacidade do organismo de transportar oxigênio adequadamente, levando a um aumento do esforço respiratório.
Nesses casos, o cachorro pode ficar ofegante mesmo em repouso, demonstrar cansaço fácil, intolerância ao exercício, tosse, fraqueza ou até episódios de desmaio. Isso é especialmente importante em cães idosos ou em raças predispostas a doenças cardíacas.
Doenças respiratórias também estão entre as possíveis causas.
Pneumonia, bronquite, colapso de traqueia, edema pulmonar, infecções respiratórias e até tumores pulmonares podem provocar dificuldade para respirar e aumento da frequência respiratória. Alguns sinais de alerta incluem esforço abdominal para respirar, chiados, gengivas arroxeadas ou azuladas e incapacidade de se deitar confortavelmente.
A obesidade é outro fator frequentemente negligenciado. O excesso de peso aumenta o esforço do organismo e pode deixar o cão mais cansado e ofegante mesmo após pequenas atividades. Além disso, cães obesos possuem maior risco de problemas articulares, cardíacos e respiratórios, criando um ciclo que piora ainda mais a condição física.
Alguns medicamentos também podem aumentar a frequência respiratória. O uso de corticosteroides, como prednisona e dexametasona, pode fazer o cachorro ficar mais ofegante temporariamente. Certos quadros hormonais, como a síndrome de Cushing, também podem causar aumento da respiração, maior consumo de água e alterações no apetite.
Uma dúvida muito comum é: quando a respiração ofegante do cachorro é preocupante?
Existem alguns sinais de alerta importantes. Se o cão estiver ofegante em repouso, respirando muito rápido sem explicação, demonstrando fraqueza, língua muito vermelha ou arroxeada, gengivas alteradas, desmaios, dificuldade evidente para respirar, barriga “ajudando” na respiração ou piora progressiva do quadro, a recomendação é procurar um médico-veterinário o quanto antes.
Também vale observar o contexto. Um cachorro que brincou bastante em um dia quente e ficou ofegante por alguns minutos provavelmente está apenas dissipando calor. Já um cão que acorda durante a madrugada respirando rapidamente, parece desconfortável ou passa a ofegar sem ter feito esforço merece investigação clínica.
Se o seu cão estiver ofegante, evite forçar exercícios, ofereça água fresca, mantenha-o em um ambiente ventilado e observe se o quadro melhora rapidamente. Nunca ofereça medicações por conta própria, pois alguns medicamentos humanos podem ser extremamente perigosos para cães.
Em muitos casos, exames como radiografia de tórax, ultrassom, ecocardiograma, exames laboratoriais e avaliação ortopédica podem ser necessários para descobrir a causa da respiração ofegante. O tratamento vai depender do diagnóstico e pode variar desde controle ambiental e perda de peso até medicamentos específicos ou procedimentos cirúrgicos.
Se você percebeu que seu cachorro está respirando rápido ou parece ofegante com frequência, não ignore o sinal.
Embora muitas vezes seja algo benigno, a ofegação persistente também pode ser o primeiro indicativo de dor, problemas cardíacos, doenças respiratórias ou outras condições importantes. Quanto antes a causa for identificada, maiores as chances de um tratamento eficaz e de melhor qualidade de vida para o pet.
Referências bibliográficas
FOSSUM, T. W. Small Animal Surgery. 5th ed. St. Louis: Elsevier, 2018.
NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Small Animal Internal Medicine. 6th ed. St. Louis: Elsevier, 2020.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.