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Por quanto tempo devo passear com meu cachorro?

A duração ideal do passeio de um cachorro não é uma regra fixa, mas um equilíbrio entre saúde física, estímulo mental, idade, raça, histórico médico e condicionamento.



De forma geral, o objetivo de um passeio não é apenas “gastar energia”, e sim permitir que o cão explore o ambiente, sinta cheiros, interaja de forma segura e mova as articulações de um modo que não ocorre dentro de casa. Por isso, pensar apenas em minutos pode ser limitante: o mais importante é entender a necessidade específica de cada animal.


Cães adultos saudáveis costumam se beneficiar de passeios entre 20 e 40 minutos por saída, duas vezes ao dia. Esse intervalo costuma ser suficiente para que eles expressem comportamentos naturais, mantenham a massa muscular e preservem a saúde das articulações.


No entanto, cães muito energéticos, como Border Collies, Pastores Alemães, Huskies, Labradores e Golden Retrievers jovens podem necessitar de rotinas mais longas, como 45 a 60 minutos diários divididos em dois períodos.


Nesses casos, o tutor também deve priorizar estímulo mental durante o passeio, como circuitos variados, cheiros novos e pequenos treinos, pois a carga cognitiva diminui a ansiedade e o estresse mais do que apenas longas caminhadas.


Já filhotes, apesar de parecerem incansáveis, não devem realizar passeios longos. O sistema músculo-esquelético ainda está em desenvolvimento, e o excesso de impacto pode causar microlesões em placas de crescimento, predispor a problemas ortopédicos e aumentar o risco de distúrbios como displasia coxofemoral e osteocondrite dissecante (OCD).


Para eles, recomenda-se caminhadas curtas de 5 a 10 minutos, várias vezes ao dia, priorizando a socialização e o aprendizado, e não o cansaço físico. Filhotes devem ser observados atentamente quanto a sinais de fadiga, como sentar no meio do passeio, diminuir a velocidade ou deitar, e o passeio deve terminar antes desses sinais aparecerem.


Cães idosos exigem atenção especial. Animais com artrose, problemas de coluna ou perda de massa muscular costumam se beneficiar de caminhadas mais curtas, porém mais frequentes.


Em muitos casos, três passeios de 10 a 15 minutos são mais benéficos do que um único passeio de meia hora.


O impacto contínuo em articulações já inflamadas pode intensificar a dor, enquanto pequenas sessões regulares mantêm amplitude de movimento, melhoram a circulação e reduzem a rigidez matinal. Para esses cães, o tutor deve observar claudicação, dificuldade para levantar após o passeio ou aumento da lentidão, o que indica que a intensidade está acima do ideal.


A condição física e o histórico clínico também influenciam fortemente o tempo de passeio. Cães com sobrepeso se cansam mais rápido e podem apresentar dispneia, hipertermia e dor articular com facilidade. Eles devem iniciar com caminhadas mais curtas, com progressão gradual a cada semana, sempre evitando horários quentes.


Cães com doenças cardíacas, respiratórias ou neurológicas demandam rotinas ainda mais individualizadas e, nesses casos, o veterinário deve orientar limites específicos. Já cães com histórico ortopédico, como ruptura de ligamento cruzado cranial, luxação de patela ou displasia, precisam de passeios controlados, evitando superfícies escorregadias e movimentos bruscos, com foco em ritmo constante.


Também é essencial considerar o clima. Em dias muito quentes, a duração deve ser reduzida para evitar hipertermia e queimaduras nas almofadinhas.


Em dias frios, o passeio pode ser mantido ou até ampliado, desde que o cão esteja confortável. O tutor sempre deve avaliar a respiração, a postura corporal, o ritmo e o comportamento do animal. Um passeio ideal é aquele em que o cão retorna para casa com aparência relaxada, sem ofegação excessiva e sem claudicação.


Por fim, é importante lembrar que qualidade vale mais do que quantidade. Dez minutos cheios de estímulos sensoriais, cheiros novos e pequenas atividades cognitivas podem ser mais enriquecedores do que quarenta minutos andando em linha reta sem variação.


Cada cão é único, e a observação cuidadosa do tutor, somada à orientação veterinária é o que determina o tempo ideal de passeio para garantir saúde física, equilíbrio emocional e longevidade.


Referências bibliográficas


  1. Zink, M. C., & Van Dyke, J. B. Canine Sports Medicine and Rehabilitation. Wiley-Blackwell, 2013.

  2. Fry, M. The Dog Walker’s Guide to a Happy, Healthy Pet. Canine Press, 2020.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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