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Perda de massa muscular em cães: por que acontece?

22 de jul.
2 min de leitura

Perda de massa muscular significa redução do volume de músculo e pode ocorrer em uma região ou de forma generalizada. Ela não é sinônimo de emagrecimento: um cão pode manter ou ganhar gordura e, ainda assim, perder músculo.

Cão em estação elevando um membro torácico enquanto profissional veterinária observa sua musculatura e postura

Desuso por dor articular, lesão ou repouso reduz o estímulo mecânico e favorece atrofia, frequentemente mais evidente no membro afetado. Assimetria entre coxas, ombros ou músculos ao lado da coluna pode indicar que o cão protege uma região há algum tempo.

Doenças neurológicas podem provocar atrofia por perda de inervação, às vezes acompanhada de fraqueza, reflexos alterados e desgaste das unhas. A distribuição dos músculos afetados ajuda a localizar nervo, raiz ou segmento medular envolvido.

Envelhecimento pode causar sarcopenia, definida como perda relacionada à idade na ausência de uma doença causadora. Cachexia é diferente e ocorre associada a doenças como câncer, insuficiência cardíaca, renal ou outras condições inflamatórias crônicas.

Nutrição inadequada, má absorção, doença endócrina e uso prolongado de certos medicamentos também entram nos diagnósticos diferenciais. Por isso, aumentar proteína ou calorias sem avaliar a causa pode ser ineficaz ou inadequado para algumas comorbidades.

Observe mudanças no peso, apetite, capacidade de levantar, subir degraus, caminhar e sustentar a cabeça. Fotografias padronizadas e medidas seriadas são mais úteis que comparações casuais, porque pelagem e gordura podem esconder a perda muscular.

O escore de condição muscular avalia regiões como têmporas, escápulas, coluna e pelve e deve ser registrado separadamente do escore corporal. Palpação e comparação bilateral complementam peso e medidas de circunferência, que podem variar com posição e tecido adiposo.

O exame veterinário combina histórico dietético, avaliação ortopédica e neurológica e busca sinais de doença sistêmica. Hemograma, bioquímica, urina, exames hormonais e imagens são selecionados conforme idade, distribuição da atrofia e demais alterações.

Ultrassonografia e tomografia podem quantificar músculos em contextos específicos, mas não substituem a interpretação clínica. Eletrodiagnóstico, imagem da coluna ou biópsia muscular podem ser necessários quando se suspeita de neuropatia, miopatia ou doença focal.

O tratamento busca controlar a causa e recuperar função com segurança. Analgesia adequada, atividade terapêutica progressiva, reabilitação e plano nutricional individualizado podem ajudar, enquanto doença sistêmica exige terapia específica.

Exercício intenso não deve ser iniciado em um animal fraco ou dolorido sem avaliação. Sobrecarga pode causar queda ou lesão, e a prescrição precisa considerar coração, pulmões, articulações, sistema nervoso e ingestão nutricional.

O prognóstico depende da causa e do tempo de evolução. Atrofia por desuso pode melhorar de modo importante, mas denervação prolongada, doença progressiva e cachexia avançada podem limitar a recuperação; acompanhar força e função é tão importante quanto o volume muscular.

Hutchinson D, Sutherland-Smith J, Watson AL, Freeman LM. Assessment of methods of evaluating sarcopenia in old dogs. American Journal of Veterinary Research. 2012;73(11):1794-1800. PMID: 23106466.

Freeman LM, Michel KE, Zanghi BM, Vester Boler BM, Fages J. Evaluation of muscle condition score and ultrasonographic measurements for assessment of muscle mass in dogs. American Journal of Veterinary Research. 2019;80(6):595-600. PMID: 31140851.

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