Panosteíte em Cães

Atualizado: 28 de Out de 2020

OUTROS NOMES: ENOSTOSE, PANOSTEÍTE EOSINOFÍLICA, OSTEOMIELITE JUVENIL, OSTEOMIELITE DE PASTORES ALEMÃES JOVENS


O que é a panosteíte?


A panosteíte é uma doença sem causa determinada, autolimitante, que afeta os ossos longos especificamente de cães e está relacionada a um aumento da atividade das células dos ossos.


Ela ocorre primariamente em jovens (frequentemente 5 a 12 meses) de porte grande e gigante; com frequência quatro vezes maior em machos do que em fêmeas.


A doença pode durar por vários meses e com acometimento em sucessão de vários ossos, com a resolução das lesões em alguns, enquanto se desenvolve em outros, até em média dois anos de idade.


Quais são as principais raças predispostas a essa doença?


Todas de porte grande e gigante, apesar de Pastor Alemão, Basset Hound, Shar-pei, Schnauzer Gigante, Cão de montanha dos Pirineus e Mastiff serem as raças de maior risco.


Quais são os principais sinais clínicos (sintomas)?


Claudicação (mancar) de aparecimento agudo de qualquer um dos quatro membros, de apresentação interminente, que frequentemente evolui para claudicação alternada intermitente em mais de um membro.


Como é feito o diagnóstico da panosteíte?


Em um primeiro momento, o veterinário ortopedista irá realizar o exame de marcha (caminhar, correr), identificando o tipo de claudicação e o nível de dor no membro.


Na avaliação física, o cão tem resposta de dor à palpação óssea profunda.


A partir disto, a avaliação radiográfica da região específica será solicitada pelo profissional, o que poderá complementar e direcionar o diagnóstico.


A apresentação da panosteíte pela radiografia pode ser diversificada, sendo simplificadamente dividida em três padrões de características (inicial, intermediária e final), muitas vezes pouco evidentes nas fases inicial e tardia, sendo a fase intermediária a ideal para o diagnóstico radiográfico.


A severidade e localização radiográfica das lesões não necessariamente estão correlacionadas à severidade dos sinais clínicos, isso significa que o membro com apresentação clínica pior pode não apresentar as lesões radiográficas mais pronunciadas, o que pode dificultar a definição do diagnóstico.


Radiograficamente, no início da doença pode-se notar discreta alteração do trabeculado ósseo, sendo geralmente pouco perceptível ao exame e os sinais clínicos podem preceder as anormalidades radiológicas em até 10 dias.


Se os sinais clínicos forem consistentes com panosteíte, mas as radiografias forem normais, as radiografias devem ser repetidas em sete a 10 dias. A cintilografia nuclear é um teste diagnóstico mais sensível de panosteíte do que as radiografias.


Com a progressão da doença, a manifestação radiográfica passa a desenvolver imagem de áreas tendendo à nodulares, circunscritas, de radiopacidade semelhante à de cortical óssea dentro da cavidade medular na diáfise de ossos longos, frequentemente adjacente à região de forame nutrício.


As opacificações passam a coalescer e tornar-se difusas e homogêneas. O desenvolvimento de reação periosteal do tipo regular pode ocorrer em um terço à metade dos cães.


Tardiamente na doença, há a resolução da opacidade, com o padrão trabecular grosseiro ósseo retornando gradativamente à sua aparência habitual; espessamento de cortical pode persistir de acordo com o grau de remodelamento ósseo.


O que poderá ocorrer caso a doença não seja diagnosticada corretamente?


A claudicação de membros em cães grandes/ gigantes imaturos possui muitos diagnósticos diferenciais que necessitam de abordagens terapêuticas diferentes, como por exemplo: Osteocondrite dissecante, Má-união do processo ancôneo, Fragmentação do processo coronoide, Fechamento fisário prematuro, Incongruência do cotovelo, Retenção dos núcleos cartilagionosos, Osteodistrofia hipertrófica, Ossificação incompleta do côndilo umeral, Lesões em bíceps, tendão supraespinhal, subescapular ou infraespinhal e lesões aos ligamentos glenoumerais medial ou lateral, Displasia coxofemoral, Osteocondrose (joelho, tarso), Fratura Salter-Harris, Osteodistrofia hipertrófica, Lesão parcial ou total do ligamento cruzado cranial, Luxação patelar, Entorses musculares, Osteomielite.


O médico veterinário ortopedista é o profissional capacitado para o discernimento adequado e orientação para cada enfermidade.


Qual é o tratamento para a panosteíte?


Por ser autolimitante, o curso da resolução clínica depende de cada paciente, sendo utilizado apenas o tratamento suporte de acordo com a manifestação clínica de cada caso.


A restrição dos exercícios é recomendada quando o animal claudica. Os proprietários devem ser orientados sobre a probabilidade de recorrência, mas o prognóstico em longo prazo é excelente para a recuperação completa.


Não existe indicação para o tratamento cirúrgico da panosteíte.


Qual é o prognóstico?


A doença pode continuar a afetar membros diferentes, causando dor e claudicação até que o cão atinja a maturidade, sendo que a maioria eventualmente passa a apresentar a função normal dos membros sem evidência de dor.

Conclusão


A panosteíte acomete com mais frequência cães porte grande/ gigante, com idade predominantemente entre 5 a 12 meses, sendo ainda uma afecção ainda sem causa completamente definida.


Quando diagnosticada e conduzida corretamente, os cães conseguem viver com qualidade de vida.


Sobre mim, médico veterinário especialista em ortopedia de pequenos animais


Espero que você tenha gostado do texto, sou o Felipe Garofallo, médico veterinário e apaixonado por animais. Atuo em São Paulo com o intuito de trazer a saúde plena ao movimento do seu pet e ajudá-lo da melhor maneira. Sou graduado e com especialização em universidades de renome no Brasil e Estados Unidos.


Lembre-se que caso seu cão apresente dores nos últimos dias e dificuldade para andar, é necessário que você realize urgentemente uma consulta ao veterinário da sua região, ou caso prefira, me contate agora.

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Lembre-se! A saúde do seu melhor amigo é valiosa.


Referências

(THRALL, D.E. Textbook of Veterinary Diagnostic Radiology, 7th ed, Elsevier, 2018).

STEAD, A.C.; STEAD M.C.P.; GALLOWAY, F.H. Panosteitis in dogs. J. small anim. Pract. (1983) 24, 623-635


FOSSUM, T.W. Cirurgia de pequenos animais, 4a ed. Elsevier, 2014.

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