Neuropatia traumática do nervo ciático em cães
- Felipe Garofallo

- 3 de ago.
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O nervo ciático origina-se do plexo lombossacro e percorre a região pélvica e caudal da coxa antes de dividir-se em nervos tibial e fibular comum. Uma lesão pode comprometer flexão do joelho, movimentos do tarso e dedos e sensibilidade de grande parte da pata.

Acidentes, fraturas ou luxações pélvicas, mordidas, cortes, tração e cirurgias próximas ao quadril são causas possíveis. Injeção intramuscular mal posicionada na coxa também pode produzir lesão iatrogênica.
O cão pode apoiar pouco, arrastar o dorso da pata ou posicioná-la incorretamente. Lesão predominante do ramo fibular favorece apoio dorsal, enquanto comprometimento tibial reduz extensão do tarso e flexão dos dedos.
A sensibilidade cutânea pode diminuir e feridas aparecem rapidamente quando a pata arrasta. Dor neuropática pode causar lambedura ou automutilação, mesmo quando a resposta consciente ao estímulo parece reduzida.
O exame neurológico diferencia uma neuropatia ciática de lesão lombossacra, medular, ortopédica ou de outros nervos. Radiografias e tomografia avaliam fraturas e luxações; ressonância ou ultrassonografia podem mostrar nervo e tecidos adjacentes em casos selecionados.
Eletromiografia e estudos de condução nervosa ajudam a localizar, estimar gravidade e acompanhar regeneração, mas são mais informativos após o tempo necessário para surgirem alterações de desnervação. Presença de função motora do tarso associa-se a prognóstico melhor em séries clínicas.
Contusão leve com bloqueio de condução pode recuperar em semanas, enquanto ruptura axonal exige crescimento lento a partir do segmento preservado. Transecção completa ou avulsão de raiz tem prognóstico muito mais reservado.
O tratamento remove compressão quando identificada, estabiliza fraturas, controla dor e protege a pata. Exploração e reparo cirúrgico são considerados quando há transecção, aprisionamento ou ausência de recuperação compatível com a lesão.
Fisioterapia preserva amplitude articular e massa muscular, mas exercícios precisam evitar abrasão e sobrecarga. Botas e curativos exigem inspeção frequente para não produzir pressão, umidade ou novas feridas.
O prognóstico depende do mecanismo, extensão, distância até os músculos-alvo e evolução nos exames seriados. Quando o membro permanece insensível, doloroso ou sujeito a lesões incuráveis, procedimentos de salvamento, inclusive amputação, podem oferecer boa qualidade de vida.
Referência: Dell’Apa D, et al. Traumatic and iatrogenic sciatic nerve injury in 38 dogs and 10 cats: clinical and electrodiagnostic findings. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2024;38(3):1626-1638. doi:10.1111/jvim.17076.
Referência: Forterre F, Tomek A, Rytz U, Brunnberg L, Jaggy A, Spreng D. Iatrogenic sciatic nerve injury in eighteen dogs and nine cats (1997-2006). Veterinary Surgery. 2007;36(5):464-471. doi:10.1111/j.1532-950X.2007.00293.x.