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Neuropatia diabética em gatos: postura plantígrada tem tratamento?

29 de jul.
2 min de leitura

A neuropatia diabética é uma complicação dos nervos periféricos de gatos com diabetes mellitus, especialmente quando a glicemia permanece inadequadamente controlada. O sinal clássico é a postura plantígrada: o animal apoia os jarretes, e não apenas as patas, no chão. Fraqueza, dificuldade para saltar e marcha curta também podem ocorrer.

Veterinária examinando os membros traseiros de um gato com suspeita de postura plantígrada

A hiperglicemia persistente altera metabolismo, microcirculação e função das fibras nervosas, reduzindo a condução e a capacidade de ativar músculos distais. Os membros pélvicos costumam ser mais evidentes, mas a neuropatia pode ser mais ampla. A postura não é simples deformidade do tarso e não deve ser tratada apenas com tala.

Nem todo gato que abaixa os jarretes tem neuropatia diabética. Lesões ortopédicas, doença medular, outras polineuropatias, fraqueza por distúrbios eletrolíticos e ruptura de tendões precisam ser consideradas. A confirmação começa pela associação entre diabetes, exame neurológico e padrão de marcha.

O exame avalia força, reações posturais, reflexos patelares e flexores, massa muscular, sensibilidade e dor. Na série clássica de sete gatos, postura plantígrada, reflexos patelares reduzidos, fraqueza dos membros pélvicos e reações posturais deficientes foram achados característicos. Eletromiografia e estudos de condução nervosa podem ajudar quando o quadro é atípico.

O controle do diabetes é o eixo do tratamento. Curvas ou monitorização contínua de glicose, frutosamina, peso, alimentação, dose e aplicação correta de insulina ajudam a identificar hiperglicemia persistente e também evitam hipoglicemia. Nunca aumente a dose apenas por causa da postura sem orientação veterinária.

Infecção urinária, doença dentária, pancreatite, acromegalia e uso de corticosteroides podem dificultar o controle glicêmico e devem ser investigados conforme o caso. Potássio e fósforo merecem atenção em gatos fracos, sobretudo após descompensação diabética. Corrigir esses fatores pode melhorar segurança e resposta.

Alguns profissionais usam metilcobalamina como adjuvante, mas a evidência clínica felina para benefício adicional é limitada e ela não substitui insulina e regulação glicêmica. Analgésicos ou fisioterapia são individualizados, pois dor neuropática ainda é pouco caracterizada em gatos e algumas medicações humanas são tóxicas. Suplementos não devem ser administrados sem conferir formulação e dose.

A melhora é possível e costuma acompanhar controle metabólico consistente. Cinco dos sete gatos do relato clássico tiveram redução dos sinais após terapia com insulina, regulação da glicose ou resolução do diabetes. A recuperação nervosa pode levar semanas a meses e ser incompleta quando o dano é prolongado.

Em casa, ofereça piso aderente, caixa de areia baixa e acesso fácil a água e alimento. Proteja jarretes contra abrasão, acompanhe peso e registre marcha, apetite, sede, urina e doses aplicadas. Fraqueza súbita, tremores, convulsão ou prostração podem indicar hipoglicemia e exigem atendimento imediato.

A postura plantígrada é um sinal de que o diabetes está afetando além da glicose medida no dia. Avaliação precoce reduz quedas, perda muscular e lesões de pele e permite revisar todo o plano diabético. O prognóstico funcional é melhor quando a causa metabólica é controlada antes de neuropatia avançada.

Referência bibliográfica: Kramek BA, Moise NS, Cooper B, Raffe MR. Neuropathy associated with diabetes mellitus in the cat. Journal of the American Veterinary Medical Association. 1984;184(1):42-45. PMID:6698835.

Referência bibliográfica: Ruel HLMR et al. Sensory profile of cats with potential pain-related diabetic neuropathy. Veterinary Record. 2025. PMID:41427741.

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