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Narcolepsia e cataplexia em cães: como reconhecer os episódios

31 de jul.
2 min de leitura

Narcolepsia é um distúrbio da regulação sono-vigília; cataplexia é perda súbita do tônus muscular com consciência preservada, frequentemente desencadeada por alimento, brincadeira ou excitação. O cão pode dobrar as pernas, deixar a cabeça cair ou colapsar completamente. O episódio costuma durar segundos a minutos e termina espontaneamente ou com estímulo.

Cão alerta em decúbito lateral ao lado do pote de ração durante episódio compatível com cataplexia

Durante cataplexia, os olhos podem permanecer abertos e acompanhar o ambiente, enquanto a respiração continua. Isso difere de síncope, em que há perda transitória de consciência por redução do fluxo cerebral, e de convulsão, que pode produzir automatismos, salivação ou fase pós-ictal. Vídeo com início e recuperação é extremamente útil.

Formas hereditárias aparecem em cães jovens de certas linhagens e envolvem mutação do receptor de hipocretina ou orexina 2. A pesquisa canina ajudou a estabelecer esse mecanismo. Formas adquiridas são raras e podem acompanhar doença inflamatória do sistema nervoso ou outros processos.

O diagnóstico começa pela história, padrão dos gatilhos e exame neurológico e cardiovascular. Hemograma, bioquímica, glicose, pressão, eletrocardiograma e investigação de doenças neuromusculares ou convulsivas são escolhidos conforme o caso. Testar alimento de forma provocativa só deve ocorrer em ambiente seguro e supervisionado.

Ressonância do encéfalo e análise do líquor são recomendadas quando o início é adquirido, há alterações entre episódios ou suspeita de inflamação. Em oito cães com provável narcolepsia adquirida, alguns tinham meningoencefalite ou focos inflamatórios extracranianos. A presença de cataplexia não deve encerrar a investigação.

Em casa, reduza situações que provoquem quedas em escadas, piscina, rua ou superfícies duras. Alimente no chão em local acolchoado e divida estímulos intensos. Não coloque a mão na boca durante o episódio e não ofereça medicação humana.

Casos leves podem ser manejados apenas com adaptação ambiental. Quando episódios são frequentes ou perigosos, neurologistas podem usar fármacos que modulam neurotransmissores, como antidepressivos tricíclicos, com monitoramento de efeitos cardiovasculares e anticolinérgicos. O tratamento é individual e não cura necessariamente a predisposição.

Nas formas adquiridas, tratar a doença subjacente pode reduzir episódios. Na série de oito cães, todos tiveram remissão inicial com diferentes esquemas, mas metade recidivou e alguns responderam ao ajuste terapêutico. Isso exige acompanhamento prolongado.

O prognóstico para vida pode ser bom quando o diagnóstico é idiopático ou hereditário e quedas são prevenidas. A frequência pode variar ao longo do tempo. Alteração de consciência, dificuldade respiratória, mucosas pálidas ou recuperação lenta não combinam com cataplexia simples e exigem emergência.

Registre duração, gatilho, resposta ao chamado, movimentos oculares e comportamento depois do evento. Esses detalhes ajudam a diferenciar narcolepsia de síncope, convulsão e fraqueza neuromuscular. Não rotule um colapso apenas pela aparência.

Referência bibliográfica: Santifort KM, Ives EJ, Fenn J, et al. Suspected acquired narcolepsy in 8 dogs. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2021;35(3):1448-1454. doi:10.1111/jvim.16116. PMID:33960533.

Referência bibliográfica: Lin L, Faraco J, Li R, et al. The sleep disorder canine narcolepsy is caused by a mutation in the hypocretin receptor 2 gene. Cell. 1999;98(3):365-376. doi:10.1016/S0092-8674(00)81965-0.

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