Mielopatia isquêmica em gatos
- Felipe Garofallo

- 3 de ago.
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A mielopatia isquêmica ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região da medula é interrompido, causando infarto. Em gatos é incomum, mas deve ser considerada diante de déficit neurológico súbito e localizado.

Os sinais aparecem de forma peraguda ou aguda, frequentemente durante atividade, e costumam atingir máxima intensidade nas primeiras horas. Fraqueza, paralisia, ataxia e perda de posicionamento podem ser assimétricas.
Dor intensa persistente não é típica após o início, embora o gato possa vocalizar no evento agudo. Progressão contínua por dias aumenta a suspeita de inflamação, compressão, neoplasia ou outra causa.
O exame neurológico localiza o segmento medular e avalia capacidade de caminhar, reflexos e percepção de dor profunda. Tromboembolismo arterial periférico também causa paresia aguda, mas costuma produzir patas frias, doloridas e pulsos femorais reduzidos.
Radiografias não mostram o infarto, porém ajudam a excluir trauma e doença vertebral. A ressonância magnética é o principal exame de apoio e pode revelar uma lesão intramedular compatível, embora alterações iniciais possam ser sutis.
Análise do líquido cerebrospinal e exames para doença infecciosa, inflamatória, cardíaca ou sistêmica são escolhidos conforme o caso. Não existe um teste isolado que confirme todos os infartos ante mortem, por isso o diagnóstico costuma ser presuntivo e de exclusão.
O tratamento é de suporte, com cuidados de enfermagem, fisioterapia precoce e segura, prevenção de feridas e manejo da bexiga. Corticoides e anticoagulantes não são administrados automaticamente, pois benefício não foi estabelecido para todo caso e existem riscos.
Se houver doença cardíaca, hipertensão, neoplasia ou outra condição predisponente, ela deve ser tratada. Ainda assim, muitos casos permanecem sem causa identificável mesmo após investigação.
A recuperação pode começar nos primeiros dias e continuar por semanas. Preservação de dor profunda, déficit não progressivo e melhora inicial são sinais favoráveis, mas recorrência sugere arteriopatia ou outra doença subjacente.
O prognóstico relatado em pequenas séries felinas é frequentemente razoável, porém varia com localização e gravidade. Incapacidade súbita de andar é emergência porque compressão cirúrgica e tromboembolismo precisam ser excluídos rapidamente.
Referência: Nakamoto Y, et al. Clinical outcomes of suspected ischemic myelopathy in cats. Journal of Veterinary Medical Science. 2010;72(12):1657-1660. doi:10.1292/jvms.10-0121.
Referência: Rylander H, et al. Feline ischemic myelopathy and encephalopathy secondary to hyaline arteriopathy in five cats. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2014;16(10):832-839. PMID:24518252.