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Meu cachorro tirou os pontos antes da hora: o que fazer?

Atualizado: 26 de jul.

Quando um cachorro remove os pontos da cirurgia antes do tempo previsto, é natural que o tutor entre em desespero — afinal, isso pode comprometer a cicatrização, aumentar o risco de infecção e até exigir uma nova sutura.


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A boa notícia é que, na maioria das vezes, a situação pode ser controlada com rapidez, desde que o tutor aja com calma e busque orientação veterinária o quanto antes.


O primeiro passo é avaliar o local da incisão. Se a ferida ainda está fechada, sem abertura dos tecidos, sangramento ou secreção, pode ser que os pontos removidos não tenham comprometido a integridade da cicatrização.


Mesmo assim, é importante entrar em contato com o veterinário responsável para relatar o ocorrido e verificar se há necessidade de reforço com curativo ou nova sutura. Em muitos casos, o médico pode optar por monitorar a ferida e apenas proteger o local, evitando reabertura com o uso de colar elisabetano ou roupa cirúrgica.


Se, por outro lado, a ferida apresentar abertura dos bordos, sangramento, secreção purulenta, inchaço ou sinais de dor intensa, trata-se de uma urgência. Nesses casos, a reabertura cirúrgica pode ser necessária para higienização da ferida, novo fechamento e, em alguns casos, o início de um protocolo antibiótico. O risco de infecção é maior quando a exposição dos tecidos internos é prolongada ou quando o animal teve acesso à ferida com lambeduras constantes.


É importante destacar que cães podem remover os pontos mesmo usando colar elisabetano, principalmente se forem muito ágeis ou persistentes. Por isso, em cirurgias com maior tensão de sutura, como ortopédicas ou em regiões de difícil controle, o uso de roupas cirúrgicas reforçadas, curativos adesivos ou supervisão constante nos primeiros dias pode ser indicado.


O tempo padrão para retirada dos pontos varia de 10 a 14 dias, dependendo do tipo de cirurgia, da região do corpo e da cicatrização individual do animal. Retirar os pontos antes desse período pode causar deiscência (abertura) da ferida e atrasar todo o processo de recuperação.


Em alguns casos, mesmo que os pontos externos tenham sido removidos pelo animal, as camadas internas permanecem íntegras, especialmente quando foi feita uma sutura em múltiplos planos — algo comum em procedimentos cirúrgicos mais complexos.

Independentemente da aparência da ferida, é fundamental que o tutor não tente resolver sozinho, aplicando pomadas, refazendo curativos ou tentando conter a abertura com fitas.


A manipulação inadequada pode piorar a situação, dificultar a cicatrização e mascarar sinais de infecção.


Por fim, depois de resolver o problema imediato, o ideal é discutir com o veterinário estratégias de prevenção para evitar que o cão remova os pontos novamente. Isso pode incluir o uso de colar de tamanho maior, adaptação da roupa cirúrgica, introdução de distrações (como brinquedos recheáveis), administração de ansiolíticos leves em casos de agitação e até uso de bandagens temporárias.


Com os cuidados corretos, a maioria dos casos de remoção precoce de pontos pode ser resolvida sem grandes prejuízos, mas a vigilância nas próximas 48 horas será essencial para garantir uma recuperação sem complicações.


Referências bibliográficas:


– Tobias KM, Johnston SA. Veterinary Surgery: Small Animal. 2nd ed. Elsevier; 2017.


– Pavletic MM. Atlas of Small Animal Wound Management and Reconstructive Surgery. 3rd ed. Wiley-Blackwell; 2010.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


Horário: Segunda à sexta, 09h às 18h. Sábados 10:00 às 14:00
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