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Meu cachorro está escorregando no piso de casa: o que fazer?

Quando um cachorro começa a escorregar no piso de casa, muitos tutores pensam inicialmente que isso é apenas “falta de jeito” ou que o piso está liso demais. No entanto, em grande parte das vezes, esse comportamento indica que algo no sistema musculoesquelético ou neurológico do animal não está funcionando como deveria.



Escorregões frequentes, principalmente quando ocorrem em pisos como porcelanato, laminado ou cerâmica, podem ser um dos primeiros sinais de dor, fraqueza ou instabilidade nas articulações.


Em cães jovens, escorregar pode até ter relação com imaturidade muscular, unhas longas demais ou brincadeiras mais agitadas, mas quando o escorregão se torna repetitivo, ocorre ao levantar, ao fazer curvas ou ao tentar subir em móveis, é essencial investigar causas médicas.


Para compreender melhor, é necessário entender quais estruturas são responsáveis pela estabilidade do corpo.


As patas traseiras dependem de um conjunto de músculos, tendões, ligamentos e articulações (quadril, joelho e tarso), enquanto as patas dianteiras carregam boa parte do peso corporal e fazem correções rápidas de equilíbrio. Quando algum desses sistemas está comprometido, o cão simplesmente perde tração e escorrega.


Entre as causas ortopédicas mais comuns está a displasia coxofemoral, uma doença que provoca instabilidade e dor no quadril. Cães com displasia frequentemente têm dificuldade em manter a firmeza nas patas traseiras, especialmente em pisos lisos.


Outro problema recorrente é a ruptura do ligamento cruzado cranial, que reduz drasticamente a estabilidade do joelho. O cão pode até conseguir se equilibrar em pisos ásperos, mas ao pisar em superfícies mais lisas, o membro cede momentaneamente, levando ao escorregão.


A luxação de patela, muito comum em raças pequenas, também pode causar escorregões súbitos associados a movimentos bruscos, já que a patela sai da posição correta e perde-se o alinhamento do joelho.


Além disso, a osteoartrite — o famoso desgaste articular — dificulta a estabilidade muscular e articular, fazendo com que qualquer piso mais liso se torne um desafio.


Doenças neurológicas também entram em cena. Uma hérnia de disco, por exemplo, pode provocar dor, perda de propriocepção (consciência da posição das patas), arrastar de unhas e dificuldade de fazer movimentos precisos. Em alguns cães, o primeiro sintoma percebido pelo tutor é justamente o animal começando a escorregar onde antes ele andava normalmente.


Apesar dessas causas clínicas, fatores simples do dia a dia também podem piorar o problema. Unhas muito compridas reduzem o contato das almofadas com o chão, aumentando a chance de escorregar.


Pelos longos entre os dedos dificultam ainda mais a tração. O piso em si também contribui: porcelanatos polidos são bonitos esteticamente, mas extremamente escorregadios para cães. Ao perceber que o animal está deslizando, é importante não corrigir esse comportamento com broncas; isso não resolve a causa e pode até gerar medo ou insegurança.


O que você pode fazer em casa?


Primeiro, avaliar e corrigir fatores simples: manter as unhas curtas, aparar os pelos das patas e colocar tapetes antiderrapantes nos locais onde o cão mais circula. Existem, inclusive, meias e botas com solado de borracha que melhoram muito a tração, especialmente em cães idosos ou com doenças crônicas.


Em segundo lugar, é fundamental observar se há dor, relutância para se levantar, mancar após brincadeiras, rigidez ao acordar ou dificuldade ao subir e descer escadas — todos esses sinais indicam que não é apenas um problema de piso.


Se o cachorro começou a escorregar repentinamente, ou se isso veio acompanhado de mancar, dor ao toque, tremores, fraqueza ou qualquer alteração na marcha, o ideal é procurar um veterinário ortopedista.


O profissional poderá realizar um exame físico detalhado, testes articulares, avaliação neurológica e, se necessário, solicitar exames como radiografias ou tomografia.


Quanto antes o diagnóstico for feito, maior a chance de prevenir agravamentos e recuperar a qualidade de vida do cão.


O tutor tem um papel fundamental nesse processo: observar, registrar os episódios e buscar ajuda quando notar que o comportamento não é apenas um deslize ocasional.


Cães normalmente não escorregam sem motivo — especialmente se nunca fizeram isso antes. Identificar a causa é o passo mais importante para garantir estabilidade, segurança e bem-estar ao seu melhor amigo.


Referências bibliográficas


Johnston, S.A.; Tobias, K.M. Veterinary Surgery: Small Animal. 2nd ed. Elsevier, 2017.

Brinker, W.O.; Piermattei, D.L.; Flo, G.L. Handbook of Small Animal Orthopedics and Fracture Repair. 5th ed. Saunders, 2015.


Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.


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