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Meu cachorro está chorando: o que pode ser e quando se preocupar

Perceber o cachorro chorando pode ser uma situação angustiante para qualquer tutor. Muitas pessoas se assustam ao ouvir o animal ganindo, choramingando, gemendo ou emitindo sons incomuns, principalmente quando não conseguem identificar imediatamente a causa do comportamento.



Embora algumas vocalizações possam fazer parte da comunicação normal dos cães, o choro frequente ou repentino merece atenção, já que pode indicar desde necessidades emocionais simples até problemas de saúde que exigem atendimento veterinário.


Entender o que pode estar acontecendo quando um cachorro está chorando é fundamental para agir da maneira correta e evitar o agravamento de possíveis condições médicas.


Antes de tudo, é importante compreender que cães não choram exatamente da mesma forma que os seres humanos. Eles utilizam diferentes tipos de vocalização para expressar emoções, desconforto, medo, ansiedade, excitação ou dor.


Em muitos casos, o tutor descreve o comportamento como “chorar” quando o cão apresenta ganidos, gemidos, sons mais agudos ou até uma espécie de lamentação contínua.


O significado desse comportamento depende do contexto, da intensidade, da frequência e das mudanças associadas no comportamento do animal.

Uma das causas mais comuns de cachorro chorando é a busca por atenção.


Alguns cães aprendem rapidamente que determinados sons fazem com que os tutores ofereçam carinho, colo, comida ou interação. Isso é especialmente comum em filhotes, cães muito dependentes emocionalmente ou animais que passam longos períodos sozinhos.


Em algumas situações, o choro ocorre próximo ao horário dos passeios, alimentação ou quando o tutor se prepara para sair de casa.


Embora esse comportamento possa ter fundo emocional e não representar necessariamente um problema médico, é importante observar se existe dependência excessiva ou sinais de ansiedade.


A ansiedade de separação é outra causa frequente de cachorro chorando, especialmente em animais muito apegados à família.


Alguns cães começam a vocalizar intensamente quando percebem sinais de saída do tutor, como pegar chaves, colocar sapatos ou fechar portas. Além do choro, podem surgir comportamentos destrutivos, salivação excessiva, tentativas de fuga, alterações urinárias ou até episódios de automutilação.


Esse quadro tende a impactar significativamente a qualidade de vida do animal e da família, sendo importante buscar orientação veterinária ou comportamental para manejo adequado.

Por outro lado, nem sempre o choro tem origem emocional.


Em muitos casos, ele é um dos primeiros sinais de dor em cães. Isso merece atenção especial, porque os cães frequentemente escondem o desconforto até que ele se torne mais intenso.


Quando um cachorro começa a choramingar sem motivo aparente, evita movimentos, demonstra dificuldade para subir escadas, hesita para pular, manca ou muda a postura corporal, existe a possibilidade de dor musculoesquelética, articular ou neurológica.


Problemas ortopédicos, como ruptura do ligamento cruzado cranial, luxação de patela, hérnias de disco, artrite e displasia coxofemoral podem provocar vocalizações de dor, principalmente ao se movimentar ou mudar de posição.


Além dos problemas ortopédicos, dores abdominais também podem fazer o cachorro chorar. Alterações gastrointestinais, pancreatite, obstruções intestinais, gases intensos, intoxicações e inflamações podem gerar desconforto significativo.


Nesses casos, o tutor pode observar outros sinais associados, como vômitos, diarreia, perda de apetite, barriga endurecida, inquietação ou postura curvada.


Um cão que apresenta dor abdominal frequentemente tem dificuldade para encontrar uma posição confortável e pode alternar entre ficar deitado e levantar repetidamente. As dores dentárias também costumam passar despercebidas.


Problemas como fraturas dentárias, doença periodontal, abscessos e inflamações na cavidade oral podem causar bastante desconforto e levar o cachorro a choramingar, esfregar o focinho, babar excessivamente ou evitar alimentos mais duros.


Em cães idosos, alterações dentárias são relativamente comuns e podem comprometer bastante o bem-estar sem que o tutor perceba imediatamente.


Outro motivo importante para cachorro chorando envolve doenças urinárias. Infecções urinárias, cálculos na bexiga ou obstruções urinárias podem provocar dor intensa, especialmente durante a micção.


O cão pode fazer esforço para urinar, emitir sons de desconforto, urinar pequenas quantidades repetidamente ou até apresentar sangue na urina. Esse tipo de situação requer avaliação rápida, pois algumas obstruções urinárias podem se tornar emergências potencialmente fatais.


Filhotes merecem uma consideração especial quando estão chorando. Nas primeiras semanas ou meses de adaptação, é relativamente comum que chorem à noite, especialmente quando acabaram de ser separados da mãe e da ninhada. Eles podem sentir medo, frio, insegurança ou dificuldade para se adaptar ao novo ambiente.


Ainda assim, o tutor deve garantir conforto térmico, rotina previsível e um ambiente seguro.


Se o choro for excessivo ou vier acompanhado de sinais como diarreia, fraqueza, falta de apetite ou vômitos, uma avaliação veterinária é recomendada, pois filhotes são mais vulneráveis a doenças infecciosas e parasitárias.


Cães idosos também podem começar a chorar por motivos diferentes dos cães jovens.


O envelhecimento pode trazer dores articulares, redução cognitiva e até alterações comportamentais semelhantes ao declínio cognitivo humano.


Alguns idosos vocalizam mais à noite, parecem confusos, andam sem rumo ou demonstram ansiedade aumentada. Em muitos casos, essas mudanças não devem ser atribuídas apenas à idade, já que existem tratamentos capazes de melhorar significativamente a qualidade de vida.


Em algumas situações, o cachorro chora após cirurgias ou procedimentos veterinários. Durante o período pós-operatório, especialmente nas primeiras 24 a 72 horas, o animal pode vocalizar devido à dor residual, efeitos anestésicos, desconforto do colar elizabetano ou desorientação.


No entanto, choro persistente, piora progressiva, dificuldade de locomoção ou sinais intensos de dor devem ser reavaliados pelo médico-veterinário responsável.


Saber quando se preocupar é uma das maiores dúvidas dos tutores. Um cachorro que chora ocasionalmente por excitação, expectativa ou busca de atenção pode não estar necessariamente doente.


Entretanto, quando o comportamento surge de forma repentina, aumenta de intensidade, ocorre associado a mudanças de comportamento, dificuldade de locomoção, perda de apetite, vômitos, tremores, apatia ou qualquer sinal físico incomum, a investigação veterinária se torna importante.


Quanto mais cedo a causa é identificada, maiores são as chances de tratamento eficaz e recuperação rápida.


Também é importante evitar automedicação. Muitos tutores tentam aliviar um possível desconforto utilizando medicamentos humanos, mas diversos remédios comuns para pessoas podem ser extremamente perigosos para cães, causando intoxicações graves, úlceras gastrointestinais e até falência orgânica.


O ideal é sempre buscar orientação profissional antes de administrar qualquer substância.


No fim das contas, o choro é uma forma de comunicação do cachorro e nunca deve ser ignorado. Embora algumas situações sejam benignas e relacionadas a emoções ou necessidades simples, outras podem indicar dor ou doenças que exigem atenção médica.


Observar o contexto, as mudanças de comportamento e os sinais associados ajuda muito na identificação do problema.


Quando houver dúvida, especialmente se o comportamento for persistente ou acompanhado de sintomas físicos, procurar um médico-veterinário é sempre a decisão mais segura para preservar a saúde e o bem-estar do animal.

Sobre o autor


Dr. Felipe Garofallo, veterinário ortopedista, especializado no diagnóstico e tratamento de problemas articulares e musculoesqueléticos em cães

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.



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