Meningite-arterite responsiva a esteroides em cães: rigidez cervical e febre
- Felipe Garofallo

- 2 de ago.
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A meningite-arterite responsiva a esteroides é uma doença inflamatória imunomediada que afeta principalmente as meninges e artérias associadas. É mais comum em cães jovens e pode causar dor cervical intensa mesmo sem fraqueza ou alteração do estado mental.

Febre, rigidez do pescoço, cabeça mantida baixa, relutância em caminhar e vocalização ao movimento são sinais típicos da forma aguda. Beagles, Boxers, Bernese Mountain Dogs e outras raças aparecem com maior frequência, mas qualquer cão pode ser afetado.
O quadro é uma urgência diagnóstica porque meningites infecciosas, discospondilite, hérnia de disco cervical, trauma e outras doenças inflamatórias podem parecer semelhantes. Corticoides iniciados antes da investigação podem mascarar infecção e alterar o líquido cerebrospinal.
O hemograma pode mostrar neutrofilia, e a proteína C reativa sérica frequentemente está elevada. A análise do líquido cerebrospinal costuma revelar pleocitose neutrofílica na fase aguda, após avaliação de segurança e coleta realizada sob anestesia por equipe experiente.
Ressonância magnética pode excluir compressões e mostrar realce meníngeo ou outras alterações, mas uma imagem normal não descarta a doença. Culturas e testes infecciosos são escolhidos conforme exposição, região geográfica e características do paciente.
O tratamento de primeira linha é imunossupressão com glicocorticoide em dose e redução gradual definidas pelo neurologista. A melhora da dor e da febre pode ser rápida, mas interromper ou reduzir o medicamento por conta própria favorece recaída e insuficiência adrenal.
Alguns cães intolerantes, refratários ou com recidivas recebem outro imunossupressor. Essa escolha não é automática, pois azatioprina, citarabina e outros fármacos exigem monitoramento hematológico e bioquímico e podem causar eventos adversos importantes.
Poliúria, polidipsia, aumento do apetite, perda muscular, infecção e alterações gastrointestinais estão entre os riscos do uso prolongado de glicocorticoides. Reavaliações clínicas e exames laboratoriais permitem ajustar o tratamento com maior segurança.
Recidivas ocorrem em uma parcela relevante dos cães e podem aparecer durante a redução ou depois do término da terapia. Retorno de febre, rigidez ou dor cervical exige contato imediato com o veterinário, sem reutilizar sobras de medicamentos.
O prognóstico costuma ser bom quando o diagnóstico é correto e o protocolo é seguido, embora a recuperação clínica não garanta que a inflamação esteja controlada. Casos com déficits neurológicos, hemorragia medular ou complicações do tratamento requerem avaliação prognóstica individual.
Referência: Lowrie M, Penderis J, McLaughlin M, Eckersall PD, Anderson TJ. Steroid responsive meningitis-arteritis: a prospective study of potential disease markers, prednisolone treatment, and long-term outcome in 20 dogs. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2009;23(4):862-870. doi:10.1111/j.1939-1676.2009.0337.x.
Referência: Biedermann E, Tipold A, Flegel T. Relapses in dogs with steroid-responsive meningitis-arteritis. Journal of Small Animal Practice. 2016;57(2):91-95. doi:10.1111/jsap.12418.