Matatabi (Actinidia polygama) para gatos: funciona?
- Felipe Garofallo

- há 2 dias
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O matatabi (Actinidia polygama), também conhecido como “silver vine”, tem despertado cada vez mais curiosidade entre tutores de felinos que buscam formas de melhorar o bem-estar ambiental dos seus gatos.

Muito popular no Japão e em outros países asiáticos, o matatabi é frequentemente comparado à erva-do-gato (catnip), mas muitos tutores se perguntam: afinal, o matatabi para gatos funciona mesmo?
A resposta curta é: sim, mas seus efeitos podem variar de acordo com o animal, a forma de apresentação e a sensibilidade individual do felino.
O matatabi é uma planta trepadeira originária da Ásia, pertencente à mesma família do kiwi, e contém compostos bioativos capazes de desencadear respostas comportamentais bastante peculiares nos gatos.
Entre essas substâncias estão os iridoides, como a actinidina e o nepetalactol, que interagem com receptores olfativos felinos e estimulam respostas de prazer, relaxamento, excitação e enriquecimento ambiental.
Quando expostos ao matatabi, muitos gatos apresentam comportamentos como esfregar o rosto no objeto, rolar no chão, ronronar, lamber, mastigar ou demonstrar maior interesse por brinquedos impregnados com a planta.
Uma das razões pelas quais o matatabi tem ganhado espaço entre os tutores é justamente sua taxa de resposta relativamente elevada quando comparada à erva-do-gato tradicional.
Enquanto uma parcela significativa dos gatos não reage ao catnip, estudos sugerem que muitos desses mesmos animais podem responder ao matatabi. Isso ocorre porque a planta contém diferentes compostos aromáticos capazes de estimular vias olfativas variadas.
Dessa forma, gatos indiferentes à erva-do-gato frequentemente demonstram curiosidade ou prazer ao entrar em contato com produtos contendo matatabi.
Mas será que o matatabi realmente funciona para todos os gatos?
Nem sempre. Assim como ocorre com o catnip, existe influência genética na resposta comportamental. Alguns gatos simplesmente não apresentam interesse, enquanto outros ficam extremamente estimulados.
Em filhotes muito jovens, geralmente com menos de seis meses de idade, a resposta tende a ser menos evidente, uma vez que a maturação comportamental e neurológica ainda está em desenvolvimento.
Gatos idosos ou com alterações neurológicas também podem demonstrar respostas mais discretas.
Além do entretenimento, o matatabi pode trazer benefícios importantes relacionados ao enriquecimento ambiental felino. Gatos domésticos, especialmente aqueles que vivem exclusivamente dentro de casa, podem desenvolver tédio, estresse, obesidade e comportamentos compulsivos devido à falta de estímulos adequados.
O uso ocasional de matatabi pode ajudar a reduzir o estresse, estimular atividade física, aumentar o interesse por brinquedos e até favorecer comportamentos naturais de caça e exploração. Isso é particularmente interessante em gatos ansiosos, sedentários ou que apresentam pouca interação com o ambiente.
Outro aspecto curioso do matatabi é sua possível associação com o comportamento de mastigação.
Muitos produtos são comercializados na forma de gravetos naturais da planta, e alguns gatos gostam de mordê-los. Isso pode contribuir parcialmente para distração e enriquecimento sensorial, embora não substitua escovação dentária ou cuidados odontológicos veterinários.
É importante apenas observar se o gato não está ingerindo pedaços grandes do material, especialmente em animais muito vorazes ou predispostos a alterações gastrointestinais.
Quanto à segurança, o matatabi costuma ser considerado seguro para a maioria dos gatos quando utilizado com moderação. Em geral, a exposição provoca efeitos transitórios que duram cerca de cinco a trinta minutos, seguidos de um período refratário em que o gato perde temporariamente o interesse.
Não se trata de uma substância viciante nem de um medicamento sedativo. Entretanto, excesso de estímulo pode levar alguns gatos a apresentarem comportamento mais agitado, vocalização excessiva ou até pequenas disputas em lares com múltiplos felinos, especialmente quando há competição pelo objeto.
Tutores também devem ter atenção à procedência do produto. Atualmente existem diversas apresentações disponíveis no mercado, incluindo pó de matatabi, sprays, brinquedos impregnados e gravetos secos.
O ideal é optar por marcas confiáveis, livres de pesticidas, contaminantes ou aditivos inadequados.
Em alguns casos, produtos de baixa qualidade podem conter apenas traços da planta, reduzindo bastante sua eficácia. Além disso, gatos com doenças respiratórias, histórico de hipersensibilidade ou comportamentos compulsivos importantes devem ser avaliados individualmente por um médico-veterinário antes da introdução frequente desse tipo de estímulo.
Uma pergunta muito comum é se o matatabi é melhor que o catnip. Na prática, isso depende do gato. Alguns felinos demonstram preferência clara pelo matatabi, enquanto outros respondem mais intensamente à erva-do-gato.
Em muitos casos, vale a pena testar ambas as opções para observar a preferência individual do animal. Inclusive, alguns tutores utilizam alternância entre enriquecimentos olfativos para evitar habituação e manter o interesse do gato ao longo do tempo.
Existe ainda um ponto bastante interessante do ponto de vista científico.
Pesquisas recentes sugerem que a resposta dos gatos aos iridoides presentes no matatabi pode ter um benefício evolutivo. Ao se esfregarem na planta, os felinos poderiam adquirir compostos capazes de atuar como repelentes naturais contra insetos, especialmente mosquitos.
Embora esse não seja o principal motivo de uso doméstico atualmente, a descoberta reforça que a interação dos gatos com determinadas plantas pode ter funções biológicas além do simples prazer comportamental.
Portanto, o matatabi (Actinidia polygama) realmente pode funcionar para gatos e representar uma excelente ferramenta de enriquecimento ambiental, especialmente em felinos de apartamento, gatos ansiosos ou animais que não respondem ao catnip.
Seu uso, porém, deve ser equilibrado, supervisionado e adaptado às características individuais de cada paciente.
Se o seu gato nunca teve contato com matatabi, oferecer pequenas quantidades e observar sua reação costuma ser a melhor estratégia para entender se ele faz parte dos muitos felinos que apreciam esse estímulo natural.
Referências bibliográficas
Uenoyama, R., Miyazaki, T., Adachi, M., et al. The characteristic response of domestic cats to plant iridoids allows them to gain chemical defense against mosquitoes. Science Advances, 2021.
Ellis, S. L. H., Wells, D. L. The influence of olfactory stimulation on the behaviour of cats housed in a rescue shelter. Applied Animal Behaviour Science, 2010.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.