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Luxação traumática do cotovelo em cães: urgência e recuperação

A luxação traumática do cotovelo ocorre quando úmero, rádio e ulna perdem o alinhamento por ruptura capsular e ligamentar. A direção lateral é mais comum porque a anatomia medial oferece resistência, mas outros padrões existem. Fraturas associadas mudam tratamento e prognóstico.

Cão sem apoiar o membro torácico, com aumento de volume centrado no cotovelo

Atropelamentos e quedas são causas frequentes, portanto o paciente deve ser avaliado como politraumatizado. Dor intensa, deformidade, incapacidade de apoiar e aumento de volume são típicos. Feridas podem indicar luxação aberta e risco de infecção.

O exame verifica perfusão, sensibilidade e função dos nervos radial, mediano e ulnar, além de procurar outras lesões. Não se deve forçar extensão ou tentar recolocar a articulação acordada. Analgesia e estabilização sistêmica vêm primeiro.

Radiografias antes da redução confirmam direção e excluem fraturas; imagens depois verificam congruência. Tomografia pode ser necessária em fragmentos complexos. Redução fechada sob anestesia é tentada cedo quando não há impedimento ósseo.

Após reduzir, o cotovelo é testado com cuidado para estabilidade e pode receber bandagem temporária em posição apropriada. Imobilização prolongada causa rigidez rapidamente, por isso duração e tipo são individualizados. Bandagens caseiras podem comprimir vasos e nervos.

Cirurgia é indicada quando redução fechada falha, a articulação reluxa, há ligamentos gravemente rompidos ou fraturas associadas. Suturas, âncoras e fixadores estabilizam conforme o padrão. Em lesões crônicas irreparáveis, artrodese ou amputação podem ser opções de salvamento.

Em série multicêntrica de 37 cães, a maioria teve resultado bom a excelente; reluxação foi a complicação maior mais comum. Lesões ortopédicas múltiplas aumentaram a ocorrência de reluxação. A técnica inicial não determinou sozinha o resultado.

Reabilitação equilibra proteção ligamentar e prevenção de rigidez. Movimento controlado começa quando a estabilidade permite, seguido de fortalecimento gradual. Corrida, salto e brincadeira brusca aguardam liberação.

Artrose, perda de amplitude e claudicação podem persistir mesmo com redução anatômica. Prognóstico melhora quando a articulação é reduzida cedo, permanece estável e não há dano extenso de cartilagem ou nervo. Reavaliações detectam reluxação antes de maior destruição.

Cotovelo deformado após trauma é urgência. Transporte o cão apoiado, não puxe a pata e não ofereça medicação humana. Redução segura exige anestesia, radiografia e controle neurovascular.

Referência bibliográfica: Sajik D, Meeson RL, Kulendra N, et al. Multi-centre retrospective study of long-term outcomes following traumatic elbow luxation in 37 dogs. Journal of Small Animal Practice. 2016;57(8):422-428. doi:10.1111/jsap.12499. PMID:27271244.

Referência bibliográfica: McCartney W, Kiss K, McGovern F. Surgical stabilisation as the primary treatment for traumatic luxation of the elbow joint in 10 dogs. International Journal of Applied Research in Veterinary Medicine. 2010;8(2):97-100.

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