Lesão do nervo radial em cães: por que a pata dobra e como avaliar
O nervo radial controla principalmente a extensão do cotovelo, carpo e dedos e leva sensibilidade de parte do membro torácico. Uma lesão proximal pode impedir apoio porque o cão não estende o cotovelo; uma lesão distal pode preservar o cotovelo, mas deixar carpo e dedos flexionados. É por isso que a pata pode dobrar e apoiar pelo dorso.

Tração do plexo braquial, atropelamentos, fraturas do úmero, mordidas, compressão prolongada e procedimentos cirúrgicos são causas possíveis. A gravidade varia de bloqueio transitório da condução a ruptura completa do nervo ou avulsão das raízes. O local e o tipo de dano determinam a possibilidade e o tempo de recuperação.
O exame neurológico observa postura, apoio, extensão ativa, reflexo tricipital, retirada, tônus e atrofia. A sensibilidade cutânea ajuda a localizar, mas resposta à dor não deve ser confundida com simples reflexo de retirada. Lesões do plexo podem envolver nervos musculocutâneo, mediano e ulnar, mudando o padrão.
Radiografias procuram fraturas e luxações; ultrassonografia ou ressonância podem mostrar continuidade e tecidos ao redor. Eletromiografia e estudos de condução realizados após tempo adequado identificam desnervação, estimam perda axonal e refinam o prognóstico. Exames muito precoces podem subestimar a extensão.
Em 226 cães e gatos com lesão traumática do plexo braquial, maior amplitude do potencial de ação muscular composto do nervo radial associou-se a melhora clínica. O teste não prevê cada caso isoladamente, mas fornece evidência objetiva para reavaliações. A evolução de movimento voluntário e massa muscular também é decisiva.
O tratamento protege o membro enquanto o nervo se recupera e corrige lesões associadas. Fisioterapia prescrita mantém amplitude e reduz contraturas, mas exercício intenso não acelera regeneração axonal. Analgesia neuropática é individualizada e anti-inflamatórios humanos podem ser tóxicos.
Pata sem sensibilidade pode sofrer abrasão, queimadura e automutilação. Botas e curativos exigem inspeção frequente para não causar pressão, umidade ou infecção; arrastar o membro sem proteção é perigoso. Feridas profundas, edema ou dedos frios exigem atendimento imediato.
Lesões leves podem melhorar em semanas, enquanto regeneração após perda axonal é lenta e pode levar meses. Ausência persistente de função, dor intratável ou automutilação leva à discussão de exploração, transferência tendínea, órtese ou amputação. A decisão deve considerar eletrodiagnóstico, tempo, conforto e qualidade de vida.
Reavaliações seriadas são mais informativas que um único exame. Fotografias e vídeos da marcha ajudam a documentar extensão do cotovelo, posicionamento do carpo e apoio dos dedos. Ganhos pequenos de movimento voluntário podem sinalizar regeneração antes do retorno funcional completo.
Quando a pata dobra após trauma, mantenha o cão em repouso, proteja a pele e procure avaliação rapidamente. Não force extensão nem faça tala rígida improvisada. Diagnóstico anatômico precoce evita novas lesões e estabelece um plano realista de recuperação.
Referência bibliográfica: Van Soens I et al. Epidemiological, clinical, and electrophysiological findings in dogs and cats with traumatic brachial plexus injury: a retrospective study of 226 cases. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2022;36(1):131-143. doi:10.1111/jvim.16335. PMID:34599849.
Referência bibliográfica: Menchetti M et al. Clinical, electrodiagnostic findings and quality of life of dogs and cats with brachial plexus injury. Veterinary Sciences. 2020;7(3):101. doi:10.3390/vetsci7030101.
