Avulsão do tendão extensor digital longo em cães
- Felipe Garofallo

- 2 de ago.
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O tendão extensor digital longo origina-se na região do côndilo lateral do fêmur, atravessa a articulação do joelho e segue pela face craniolateral da perna até os dedos. Em cães jovens, uma tração intensa pode avulsionar sua origem e destacar um fragmento ósseo ainda imaturo.

A lesão pode causar claudicação do membro pélvico, derrame no joelho e dor ou crepitação durante a flexão e a extensão. A capacidade de apoiar nem sempre desaparece, porque outros músculos ainda contribuem para a extensão dos dedos e a biomecânica do membro.
O exame ortopédico deve localizar a dor e avaliar estabilidade do joelho, patela, ligamentos cruzados, meniscos e tíbia proximal. Osteocondrose, avulsão da tuberosidade tibial, fratura e lesão ligamentar podem produzir sinais semelhantes.
Radiografias podem mostrar o fragmento avulsionado próximo ao aspecto craniolateral do joelho e alterações crônicas na origem do tendão. Projeções adicionais, ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética ajudam quando a anatomia ou a cronicidade não está clara.
Um fragmento nessa localização não deve ser interpretado isoladamente: centros de ossificação, mineralização antiga e outras variações precisam ser correlacionados ao exame. A comparação com o membro oposto pode ser útil em cães imaturos.
O tratamento depende da idade, deslocamento, função, dor e tempo de evolução. Lesões pequenas e estáveis podem ser consideradas para manejo conservador com restrição rigorosa, analgesia veterinária e acompanhamento por imagem.
Claudicação persistente, fragmento deslocado ou instabilidade pode justificar reinserção cirúrgica do tendão e do fragmento com parafuso, arruela ou outra fixação apropriada. Em lesões crônicas, tecido fibroso e remodelamento tornam a reconstrução mais difícil.
O pós-operatório exige proteção do reparo, atividade restrita e progressão controlada da reabilitação. Corridas, saltos e brincadeiras precoces aumentam a carga sobre a origem do tendão e podem causar falha de fixação.
Não massageie vigorosamente nem tente testar repetidamente o joelho dolorido. Até o atendimento, limite o movimento e não administre anti-inflamatórios humanos, pois alguns são tóxicos para cães.
O prognóstico pode ser favorável com diagnóstico e estabilização adequados, mas a literatura específica é composta principalmente por relatos de caso. Lesões crônicas, dano articular concomitante e falha do reparo tornam o resultado menos previsível.
Referência: Fitch RB, Wilson ER, Hathcock JT, Montgomery RD. Radiographic, computed tomographic and magnetic resonance imaging evaluation of a chronic long digital extensor tendon avulsion in a dog. Veterinary Radiology & Ultrasound. 1997;38(3):177-181. doi:10.1111/j.1740-8261.1997.tb00836.x.
Referência: Ranjbar R, et al. Reconstruction of long digital extensor tendon by cranial tibial muscle fascia graft in a dog. Veterinary Research Forum. 2016;7(4):355-358. PMID:27872726.