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Lesão do iliopsoas em cães: uma causa escondida de mancar

O iliopsoas é um conjunto muscular profundo que se origina na região lombar e se insere na parte proximal do fêmur, atuando principalmente na flexão do quadril. Uma lesão nesse músculo ou em seu tendão pode causar mancada de membro pélvico sem produzir alterações visíveis externamente.

Profissional veterinária palpando a região proximal e medial do membro pélvico de um cão em estação

Distensão pode ocorrer durante corrida, salto, escorregão ou mudança brusca de direção, especialmente em cães esportivos. Sobrecarga repetitiva, retorno precoce ao exercício e compensação por outra doença ortopédica também podem contribuir.

Os sinais variam de dor aguda e redução do apoio a claudicação discreta que piora depois da atividade. Passos curtos, menor extensão do quadril, dificuldade para saltar e relutância em subir escadas podem ocorrer, mas não são específicos.

Dor provocada pela extensão do quadril associada à rotação interna pode aumentar a suspeita, porém a manobra deve ser realizada por profissional. Doença do quadril, ligamento cruzado, coluna lombossacra e nervo femoral podem produzir sinais semelhantes ou coexistir.

Até a avaliação, suspenda corridas, saltos, brincadeiras intensas e pisos escorregadios. Não alongue nem massageie profundamente a região dolorosa, porque a intensidade e a fase da lesão precisam ser definidas antes da reabilitação.

Trauma importante, incapacidade de apoiar, dor intensa, fraqueza progressiva ou perda de controle urinário justificam atendimento urgente. Em casos mais leves, persistência ou recorrência após atividade merece exame para evitar cronificação.

O diagnóstico começa pela observação da marcha e por exames ortopédico e neurológico completos. Palpação da inserção do iliopsoas e movimentos controlados do quadril são interpretados junto à avaliação da coluna, joelho e demais músculos.

Radiografias são úteis para excluir fratura, displasia e outras alterações ósseas, mas podem ser normais na lesão muscular. Ultrassonografia permite avaliar fibras e tendão; ressonância magnética pode oferecer maior detalhamento em casos selecionados.

O tratamento costuma combinar atividade controlada, analgesia prescrita e reabilitação progressiva. Exercícios terapêuticos são introduzidos conforme dor, força e cicatrização, e o retorno ao esporte deve ocorrer por etapas.

Injeções e procedimentos intervencionistas não são indicados automaticamente e dependem de diagnóstico confirmado, localização e resposta ao manejo inicial. Lesões graves, avulsões ou problemas concorrentes podem mudar a estratégia.

Medicamentos humanos não devem ser oferecidos, e melhora da mancada não significa que o tecido recuperou sua resistência. A reavaliação clínica e, quando indicada, ultrassonográfica reduz o risco de retorno precoce.

O prognóstico é geralmente favorável em lesões leves a moderadas tratadas de forma consistente, mas recorrência é possível. Identificar instabilidade articular, dor lombossacra ou erro de condicionamento é importante para um resultado duradouro.

Cannon MS, Puchalski SM. Ultrasonographic evaluation of normal canine iliopsoas muscle. Veterinary Radiology & Ultrasound. 2008;49(4):378-382. PMID: 18720772.

Spinella G, Davoli B, Musella V, Dragone L. Observational study on lameness recovery in 10 dogs affected by iliopsoas injury and submitted to a physiotherapeutic approach. Animals. 2021;11(2):419. PMID: 33562039.

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