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Lesão dos tendões flexores dos dedos em cães: sinais e reparo

Os tendões flexores superficial e profundo dos dedos passam pela face palmar ou plantar e ajudam a flexionar as articulações digitais e sustentar o apoio. Corte ou ruptura pode deixar um ou vários dedos excessivamente estendidos e achatados no chão. O padrão depende do tendão, nível e número de dedos envolvidos.

Cão com apoio achatado dos dedos por perda de sustentação dos tendões flexores

Vidro, metal, mordida e trauma penetrante são causas frequentes; degeneração e sobrecarga são menos comuns. Uma ferida pequena pode seccionar tendão, nervo e vaso profundamente. Sangramento, contaminação e perda de sensibilidade mudam a urgência.

O exame compara postura em carga, flexão ativa, tônus, sensibilidade e perfusão de cada dedo. A localização da ferida em relação ao carpo, tarso, metacarpo ou metatarso ajuda a identificar estruturas. Dor pode mascarar função, portanto exploração sem anestesia não é apropriada.

Radiografias procuram fratura e corpo estranho radiopaco, mas não excluem vidro ou lesão tendínea. Ultrassonografia mostra continuidade, retração e movimento; ressonância pode ajudar em casos complexos. Feridas contaminadas exigem lavagem, desbridamento e cultura conforme aparência.

Rupturas completas recentes geralmente são reparadas com suturas que distribuem carga sem estrangular o tendão. Lesões parciais são avaliadas individualmente porque suturar uma pequena laceração pode aumentar atrito e aderência. Evidência experimental não deve ser aplicada automaticamente a toda ferida clínica.

A reparação é protegida por tala ou órtese que limita extensão excessiva, com inspeções frequentes da pele. Imobilização insuficiente abre a sutura; excesso prolongado favorece aderência, rigidez e perda muscular. O protocolo depende da zona e estabilidade.

Estudos experimentais em tendões flexores caninos mostraram que mobilização protegida pode melhorar excursão e reduzir aderências, mas carga descontrolada rompe o reparo. Isso sustenta reabilitação planejada, não movimento livre precoce. Exercícios devem ser prescritos e supervisionados.

Infecção da bainha, necrose, falha da sutura e aderências podem limitar deslizamento. Calor, secreção, odor, edema ou piora súbita do apoio exigem retorno. Curativos molhados devem ser trocados profissionalmente.

O prognóstico é melhor com ferida limpa, reparo precoce, boa vascularização e proteção adequada. Lesões múltiplas, contaminação, atraso e dano nervoso pioram o resultado. Algum achatamento ou limitação digital pode persistir sem impedir função aceitável.

Após corte na pata, cubra com gaze limpa, controle sangramento com pressão suave e procure atendimento. Não teste o tendão repetidamente nem aplique cola. Avaliação precoce preserva comprimento, reduz contaminação e melhora possibilidade de reparo.

Referência bibliográfica: Bishop AT, Cooney WP 3rd, Wood MB. Treatment of partial flexor tendon lacerations: the effect of tenorrhaphy and early protected mobilization. Journal of Trauma. 1986;26(4):301-312. doi:10.1097/00005373-198604000-00001. PMID:3959135.

Referência bibliográfica: Silva MJ et al. Effects of increased in vivo excursion on digital range of motion and tendon strength following flexor tendon repair. Journal of Orthopaedic Research. 1999;17(5):777-783. doi:10.1002/jor.1100170524. PMID:10569491.

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