Instabilidade medial do ombro em cães: sinais e investigação
- Felipe Garofallo

- 31 de jul.
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A instabilidade medial do ombro ocorre quando estruturas que limitam abdução e rotação deixam de estabilizar adequadamente a articulação. Ligamento glenoumeral medial, cápsula, tendão subescapular e outras estruturas podem estar lesionados. O problema varia de distensão parcial a instabilidade evidente.

Cães atletas e de médio ou grande porte podem apresentar claudicação crônica ou intermitente, frequentemente pior após exercício. Alguns evitam apoiar, encurtam o passo ou demonstram dor ao mover o ombro. Os sinais se confundem com tendinopatia do bíceps, supraespinhoso e doença cervical.
O exame compara os dois ombros e avalia amplitude, dor, massa muscular e abdução. Medir o ângulo de abdução sob sedação pode revelar aumento no lado afetado, mas força excessiva pode lesar tecidos e o teste deve ser profissional. Resultado depende de posicionamento e referência contralateral.
Em 17 cães com diagnóstico artroscópico, ângulo de abdução acima de 40 graus teve alta sensibilidade, enquanto a ressonância teve baixa sensibilidade para a patologia medial nessa amostra. O estudo foi pequeno e retrospectivo, portanto o ângulo não substitui avaliação completa. Artroscopia permaneceu o padrão confirmatório.
Radiografias excluem fraturas, artrose e outras alterações, mas não mostram bem ligamentos. Ultrassonografia e ressonância avaliam tendões, cápsula e tecidos periarticulares, embora achado normal não elimine instabilidade. Artroscopia visualiza estruturas internas e permite graduar dano.
Casos leves ou parciais podem receber restrição, analgesia, reabilitação e órtese de limitação de abdução. O plano deve recuperar controle muscular sem estressar o compartimento medial. Injeções e terapias biológicas têm evidência variável e não corrigem frouxidão mecânica importante.
Instabilidade persistente pode exigir estabilização cirúrgica ou térmica selecionada conforme estruturas e gravidade. Técnicas extracapsulares, reconstruções e artroscopia têm indicações e riscos diferentes. Não existe um procedimento universal baseado apenas no ângulo.
Após tratamento, atividade progride lentamente e saltos, mudanças bruscas de direção e pisos escorregadios são evitados. Órteses precisam de ajuste e inspeção da pele. Piora da claudicação ou dor em repouso exige reavaliação.
O prognóstico depende da cronicidade, cartilagem, grau de instabilidade e demanda atlética. Osteoartrite e limitação residual podem ocorrer mesmo após estabilização. Metas realistas incluem conforto, apoio e retorno seguro a atividades compatíveis.
Claudicação de ombro por semanas não deve ser atribuída apenas a músculo distendido. Exame comparativo, imagem e, quando indicado, artroscopia definem se existe instabilidade. Evite alongar ou abduzir o membro em casa.
Referência bibliográfica: Berg JA, Sævik BK. Diagnostic value of abduction angle and magnetic resonance imaging in dogs with arthroscopically confirmed medial shoulder instability. Canadian Veterinary Journal. 2026;67(5):546-552. PMID:42095164.
Referência bibliográfica: Hammer M, Grand JG. Inverted V-shaped extracapsular stabilisation technique and arthroscopic findings in six dogs with medial shoulder instability. Journal of Small Animal Practice. 2021;62(9):795-804. doi:10.1111/jsap.13347.