Fratura do calcâneo em cães: sinais, diagnóstico e recuperação
- Felipe Garofallo

- 31 de jul.
- 2 min de leitura
O calcâneo forma a ponta do jarrete e recebe a inserção do tendão calcâneo comum, que transmite grande força durante o apoio. Fraturas podem ser simples, cominutivas, articulares ou por avulsão. Deslocamento altera o braço de alavanca e pode comprometer pele, tendão e articulações do tarso.

Atropelamento, queda, esmagamento e trauma esportivo são causas possíveis. O cão costuma não apoiar, demonstra dor e apresenta inchaço ou deformidade no jarrete. Ferida pequena sobre o calcâneo pode comunicar-se com o osso e aumentar risco de infecção.
O exame avalia pele, perfusão, nervos, estabilidade e função do tendão calcâneo. Postura plantígrada sugere falha do mecanismo extensor, mas também ocorre em ruptura tendínea sem fratura. Manipulação deve ser cuidadosa porque fragmentos tracionados podem ameaçar a pele.
Radiografias em projeções ortogonais definem fragmentos, deslocamento e envolvimento articular. Tomografia ajuda em cominuição e planejamento tridimensional. Feridas exigem avaliação de contaminação e culturas quando indicado.
Fraturas estáveis e pouco deslocadas podem receber imobilização e monitoramento rigoroso em casos selecionados. Avulsões, deslocamento, instabilidade articular ou ameaça à pele geralmente exigem fixação. A construção deve resistir à forte tração do tendão.
Placas, parafusos, fios de tensão e combinações são escolhidos conforme padrão e qualidade óssea. Fraturas com perda de tecido podem requerer técnicas especiais. A cirurgia restaura alinhamento, mas complicações de pele, implante e infecção continuam relevantes.
Em estudo multicêntrico de 50 fraturas em cães e gatos, complicações ocorreram em 61% e muitas foram maiores. A maioria dos animais teve alguma claudicação no acompanhamento, e complicações aumentaram fortemente a chance de resultado pior. O prognóstico deve ser mais cauteloso do que para uma fratura simples de osso longo.
O pós-operatório exige proteção do jarrete, restrição e revisões frequentes do curativo. Dedos frios, edema, odor, umidade ou dor crescente podem indicar complicação. Retirar ou ajustar a tala sem orientação pode perder a redução.
A carga retorna conforme consolidação radiográfica, conforto e estabilidade. Reabilitação preserva músculos e amplitude sem sobrecarregar a fixação. Recuperação pode levar meses e artrose residual é possível quando a superfície articular foi atingida.
Após trauma, não tente apoiar ou alinhar o jarrete. Cubra feridas com gaze limpa, mantenha o cão quieto e procure atendimento. Diagnóstico e proteção precoce reduzem dano de pele e tendão.
Referência bibliográfica: Perry KL, Adams RJ, Woods S, Bruce M. Calcaneal fractures in non-racing dogs and cats: complications, outcome, and associated risk factors. Veterinary Surgery. 2017;46(1):39-51. doi:10.1111/vsu.12575. PMID:27731518.
Referência bibliográfica: Evers JS, Kim SE. Use of a bone-to-tendon plate to stabilize a comminuted calcaneus fracture in a dog. Veterinary Surgery. 2022;51(5):859-863. doi:10.1111/vsu.13768.