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Fratura de pelve em cães: riscos ocultos, diagnóstico e tratamento

29 de jul.
2 min de leitura

Fraturas de pelve em cães geralmente resultam de trauma de alta energia e devem ser tratadas como parte de um politrauma. Ílio, ísquio, púbis, acetábulo, sacro e articulação sacroilíaca podem ser afetados em combinações diferentes. Hemorragia, dor e lesões torácicas, abdominais ou neurológicas podem ser mais urgentes que o osso.

Veterinário posicionando a pelve de um cão para exame radiográfico

Respiração, perfusão e consciência são avaliadas antes de manipular a pelve. Uretra, bexiga, intestino, nervo ciático e canal pélvico ficam próximos e podem ser lesionados. Incapacidade de urinar, abdômen distendido, sangue na urina ou déficit neurológico exige investigação imediata.

Em uma série de 83 cães, 37% apresentaram lesão intra-abdominal, incluindo hemoabdômen, uroabdômen ou abdômen séptico. O padrão da fratura não excluiu essas complicações. Isso justifica avaliação sistêmica mesmo quando o cão parece ter apenas claudicação.

O exame inclui palpação suave, estabilidade, dor, simetria, toque retal quando indicado e avaliação neurológica dos membros, cauda e períneo. Palpação agressiva pode deslocar fragmentos e aumentar dor. Analgesia adequada é parte da estabilização.

Radiografias em projeções ortogonais definem o padrão, mas só devem ser obtidas quando o paciente está estável e com contenção segura. Tomografia melhora a visão tridimensional, especialmente em acetábulo, sacro e múltiplos fragmentos. Ultrassonografia e exames contrastados avaliam órgãos conforme a suspeita.

Tratamento conservador pode ser apropriado para fraturas estáveis, pouco deslocadas, fora do eixo de carga e sem estreitamento pélvico importante. Repouso, analgesia, prevenção de constipação e acompanhamento radiográfico são necessários. Confinamento não significa ignorar a função urinária e intestinal.

Cirurgia é considerada quando há envolvimento do acetábulo, eixo de carga, deslocamento importante, instabilidade, estreitamento do canal ou compressão nervosa. Placas, parafusos e fixadores são escolhidos conforme anatomia e tecidos. O objetivo é restaurar alinhamento, função e espaço pélvico, não necessariamente fixar cada fissura.

Cuidados domiciliares incluem piso aderente, guia curta, cama acolchoada e ajuda para levantar sem comprimir o abdômen. Fezes, urina, apetite, dor e apoio devem ser registrados. Constipação, retenção urinária, piora neurológica ou palidez exigem retorno imediato.

A consolidação óssea costuma ocorrer, mas lesões acetabulares podem levar a artrose e estreitamento pélvico pode dificultar evacuação ou parto futuro. Dano do nervo ciático pode prolongar a recuperação. Prognóstico depende tanto dos órgãos e nervos quanto das radiografias.

Após atropelamento ou queda, transporte o cão sobre superfície firme e evite puxar as pernas. Não ofereça medicação humana nem alimento se anestesia puder ser necessária. Atendimento rápido identifica os riscos ocultos que determinam sobrevivência e função.

Referência bibliográfica: Hoffberg JE, Koenigshof AM, Guiot LP. Retrospective evaluation of concurrent intra-abdominal injuries in dogs with traumatic pelvic fractures: 83 cases (2008-2013). Journal of Veterinary Emergency and Critical Care. 2016;26(2):288-294. doi:10.1111/vec.12430. PMID:26754578.

Referência bibliográfica: Flores JA et al. Retrospective assessment of thirty-two cases of pelvic fractures stabilized by external fixation in dogs and classification proposal. Veterinary Sciences. 2023;10(11):656. doi:10.3390/vetsci10110656. PMID:37999479.

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