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Fissura intracondilar do úmero em cães: risco de fratura no cotovelo

A fissura intracondilar do úmero é uma linha de fraqueza que atravessa parcial ou completamente o côndilo umeral, dentro da articulação do cotovelo. Foi historicamente atribuída à ossificação incompleta, mas em muitos cães adultos o comportamento de fratura por estresse explica melhor sua formação e progressão.

Spaniel em clínica mantendo um membro torácico elevado e o cotovelo flexionado em destaque, postura compatível com dor no cotovelo

Spaniels são frequentemente afetados, embora a alteração também ocorra em outras raças. A fissura pode ser descoberta por acaso, causar claudicação do membro torácico ou predispor a uma fratura condilar completa após trauma relativamente pequeno.

Dor no cotovelo, claudicação intermitente ou persistente e piora após exercício são apresentações possíveis. Alguns cães não apresentam sinais, portanto a gravidade clínica não pode ser estimada apenas pela existência da fissura.

O exame ortopédico avalia amplitude de movimento, dor, derrame articular e outras fontes de claudicação. Doença do processo coronoide medial, osteoartrite e lesões de ombro ou carpo podem coexistir e precisam ser distinguidas.

A tomografia computadorizada é o exame mais sensível para demonstrar a extensão da fissura e avaliar o côndilo contralateral. Radiografias podem revelar a alteração ou uma fratura completa, mas uma fissura fina pode não ser visível em todas as projeções.

Quando a fissura é incidental e assintomática, observação ou estabilização preventiva são discutidas individualmente porque o risco não é zero, mas nem todos os casos progridem. Em uma coorte acompanhada sem cirurgia, 18% dos casos evoluíram para fratura e 24% acabaram necessitando de cirurgia.

Em cães sintomáticos, a estabilização transcondilar é uma opção frequente para reduzir micromovimento, aliviar dor e diminuir o risco de fratura. O implante, a abordagem e a técnica são escolhidos pelo cirurgião, pois infecção, seroma, falha do implante e lesão iatrogênica são complicações possíveis.

Uma fratura condilar completa é urgência ortopédica e geralmente requer redução anatômica e fixação interna para restaurar a superfície articular. Até o atendimento, mantenha confinamento, evite saltos e não manipule repetidamente o cotovelo dolorido.

O pós-operatório exige restrição de atividade, controle da ferida, analgesia veterinária e reavaliações clínicas e radiográficas ou tomográficas. A atividade só deve aumentar conforme a consolidação, a estabilidade do implante e a função do membro.

O prognóstico pode ser bom após estabilização adequada, mas doença articular concomitante e complicações alteram o resultado. Mesmo com melhora da função, acompanhamento de longo prazo é indicado porque o cotovelo pode desenvolver ou manter osteoartrite.

Referência: Moores AP, Moores AL. The natural history of humeral intracondylar fissure: an observational study of 30 dogs. Journal of Small Animal Practice. 2017;58(6):337-341. doi:10.1111/jsap.12670.

Referência: Hood RS, Walton MB, Innes JF. Long term outcomes of the Humeral Intracondylar Repair System for management of canine humeral intracondylar fissures and humeral condylar fractures. Frontiers in Veterinary Science. 2024;10:1296940. doi:10.3389/fvets.2023.1296940.

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