Mito ou verdade: filhotes se recuperam de fraturas sozinhos?
- Felipe Garofallo
- 11 de jul.
- 2 min de leitura
Atualizado: 26 de jul.
É um mito comum acreditar que filhotes de cães e gatos sempre se recuperam sozinhos de fraturas, sem a necessidade de intervenção veterinária.

Embora seja verdade que os filhotes tenham uma capacidade regenerativa óssea maior do que a dos adultos, isso não significa que todas as fraturas irão cicatrizar corretamente sem tratamento adequado. Essa crença, quando seguida, pode resultar em deformidades permanentes, dor crônica ou até mesmo em comprometimento funcional do membro afetado.
Nos filhotes, o tecido ósseo está em constante remodelação, com atividade intensa das células responsáveis pela formação óssea (osteoblastos). Isso permite uma cicatrização mais rápida em comparação com os adultos, e pequenas fissuras ou fraturas minimamente desviadas realmente podem se recuperar com repouso e analgesia.
No entanto, essa capacidade não substitui a avaliação ortopédica e o acompanhamento especializado. Muitas fraturas em filhotes acometem regiões próximas às cartilagens de crescimento — conhecidas como placas fisárias — estruturas responsáveis pelo alongamento ósseo. Qualquer lesão nessas áreas pode interferir diretamente no crescimento do osso, provocando encurtamentos, desvios angulares ou articulações desalinhadas.
Além disso, os filhotes, por serem mais ativos, tendem a se movimentar mesmo quando lesionados, o que pode agravar fraturas instáveis e dificultar a formação do calo ósseo. Mesmo quando há consolidação espontânea, ela pode ocorrer de forma inadequada (chamada de má união), com o osso se consolidando em posição errada, o que pode comprometer a marcha, causar claudicação persistente e aumentar o risco de artrose precoce.
Outro ponto importante é que a ausência de dor aparente nem sempre significa ausência de gravidade. Filhotes muitas vezes não vocalizam ou demonstram dor de forma evidente, o que leva tutores a subestimarem a lesão. O animal pode voltar a usar o membro após alguns dias, mas isso não garante que o osso tenha se curado corretamente. Radiografias seriadas e, em alguns casos, cirurgia ou imobilização com talas, pinos ou placas, são fundamentais para garantir uma recuperação adequada e evitar sequelas.
Portanto, o ideal é que todo filhote que sofra uma queda, atropelamento ou trauma seja avaliado por um médico-veterinário.
Um diagnóstico precoce permite intervenções menos invasivas e aumenta significativamente as chances de uma recuperação completa e sem deformidades.
Referências bibliográficas:
Piermattei, D. L., Flo, G. L., & DeCamp, C. E. (2006). Brinker, Piermattei and Flo's Handbook of Small Animal Orthopedics and Fracture Repair. Saunders Elsevier.
Fossum, T. W. (2018). Small Animal Surgery (5th ed.). Elsevier.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.