Filhote está mancando: o que fazer?
- Felipe Garofallo
- 11 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: 26 de jul.
Se um filhote de cachorro caiu e começou a mancar, é fundamental que o tutor observe atentamente os sinais e procure atendimento veterinário o quanto antes.

Diferente de cães adultos, os filhotes têm ossos mais frágeis e estruturas em desenvolvimento, o que os torna mais suscetíveis a fraturas, lesões de crescimento e danos articulares mesmo após quedas aparentemente pequenas.
Além disso, por não conseguirem expressar a dor com clareza, é comum que os sinais de desconforto sejam sutis — uma mudança no jeito de andar, relutância para brincar ou mesmo um leve isolamento já podem indicar que algo não está bem.
A claudicação (mancar) pode ter várias causas. Nos filhotes, fraturas são uma das possibilidades mais preocupantes. Ossos longos como fêmur, tíbia ou rádio são vulneráveis a traumas. Além disso, há regiões conhecidas como “fises” ou placas de crescimento — áreas cartilaginosas que são responsáveis pelo alongamento dos ossos.
Uma lesão em uma dessas regiões pode comprometer o crescimento normal do membro afetado, gerando encurtamento ou deformidades permanentes. Por isso, mesmo que o filhote ainda consiga apoiar a pata ou pareça brincar normalmente depois de um tempo, não se deve subestimar o problema.
Outro ponto relevante é que algumas raças possuem predisposição a doenças ortopédicas congênitas, como displasia coxofemoral ou luxação de patela, e uma queda pode acentuar ou evidenciar essas alterações. Há ainda a possibilidade de luxações articulares, entorses, lesões ligamentares ou lesões nos tecidos moles — como músculos e tendões — que também causam dor e claudicação, embora possam ser mais difíceis de diagnosticar sem exames complementares.
Ao perceber a claudicação, o ideal é restringir o movimento do filhote, evitando que ele corra ou salte, e procurar atendimento veterinário o mais rápido possível.
Durante a consulta, o profissional irá realizar um exame físico completo, avaliando dor, amplitude de movimento e possíveis deformidades. Exames de imagem como radiografias são frequentemente necessários para identificar fraturas, desalinhamentos ou lesões nas placas de crescimento. Em alguns casos mais específicos, pode-se indicar ultrassonografia musculoesquelética, tomografia ou ressonância magnética.
O tratamento dependerá do diagnóstico. Fraturas podem exigir imobilizações com talas ou até cirurgia ortopédica, dependendo do local e da gravidade. Já as lesões mais leves, como contusões ou distensões musculares, costumam melhorar com repouso e anti-inflamatórios prescritos pelo veterinário. É importante lembrar que nunca se deve medicar o animal por conta própria — certos medicamentos humanos são tóxicos para cães, especialmente para filhotes.
Além do tratamento imediato, o acompanhamento ao longo das semanas seguintes é essencial, principalmente se houve lesão em uma placa de crescimento. A avaliação periódica garante que o desenvolvimento ósseo ocorra de forma adequada, evitando sequelas.
Por fim, uma boa prevenção envolve supervisionar os momentos de brincadeira, evitar que o filhote tenha acesso a lugares altos sem proteção e garantir que ele cresça em um ambiente seguro e acolhedor.
Referências bibliográficas:
Fossum, T. W. (2020). Small Animal Surgery, 5th ed. Elsevier.
Piermattei, D. L., Flo, G. L., & DeCamp, C. E. (2006). Brinker, Piermattei and Flo’s Handbook of Small Animal Orthopedics and Fracture Repair, 4th ed. Saunders.
Sobre o autor

Felipe Garofallo é médico-veterinário (CRMV/SP 39.972) especializado em ortopedia e neurocirurgia de cães e gatos e proprietário da empresa Ortho for Pets: Ortopedia Veterinária e Especialidades.