Quando o cachorro pode voltar a usar escadas depois da TPLO?
- Felipe Garofallo

- 3 de ago.
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Não existe uma semana universal para liberar escadas depois da TPLO. A osteotomia modifica a inclinação do platô tibial e precisa consolidar enquanto músculos, coordenação e conforto se recuperam. O momento seguro depende do exame, das radiografias de controle e do protocolo do cirurgião.

Nas primeiras semanas, o acesso livre a escadas costuma ser bloqueado porque correr, escorregar ou saltar degraus aumenta a carga sobre o membro operado. Se alguns degraus forem inevitáveis para necessidades básicas, a equipe pode orientar passagem curta, lenta e assistida com guia e peitoral. Isso não equivale a liberar várias subidas diárias sem supervisão.
A decisão considera dor, edema, apoio, amplitude articular, força, equilíbrio e qualidade da marcha. Radiografias avaliam progressão da consolidação e implantes, mas não medem sozinhas prontidão funcional. Um cão que apoia no plano ainda pode perder estabilidade em desníveis.
Em muitos protocolos, radiografias são obtidas por volta de seis a oito semanas, mas o calendário varia com paciente, técnica e evolução. Alguns cães só iniciam treino de escadas após essa revisão; outros precisam esperar mais. A autorização deve ser explícita e individual.
A TPLO controla a instabilidade associada à ruptura do ligamento cruzado cranial, mas não remove imediatamente sinovite, artrose ou atrofia muscular. Recuperar força e controle neuromuscular é parte do tratamento. Reabilitação estruturada pode melhorar o uso do membro, desde que respeite consolidação e resposta clínica.
Quando liberado, o treino começa com poucos degraus, guia curta, ritmo lento e apoio por peitoral ou sling se recomendado. A superfície deve ser antiderrapante e o cão não deve correr nem saltar os últimos degraus. Repetições aumentam gradualmente e fora das sessões a barreira permanece.
Dor, aumento de volume, piora do apoio, fadiga desproporcional ou mancada no dia seguinte indicam carga excessiva. Nesse caso, interrompa a progressão e avise a equipe. Estalo acompanhado de dor, queda, secreção ou incapacidade súbita de apoiar exige avaliação rápida.
Tapetes firmes, boa iluminação e portões reduzem acidentes. Rampas podem ajudar, mas precisam ter inclinação suave e piso aderente; uma rampa íngreme e lisa não é automaticamente mais segura. Carregar cães grandes também pode ferir tutor e paciente, por isso o plano doméstico deve ser realista.
Medicamentos não devem ser usados para mascarar dor e forçar uma atividade ainda não liberada. Controle de peso reduz demanda sobre ambos os joelhos, inclusive porque cães com doença de ligamento cruzado têm risco de comprometimento contralateral. Passeios e exercícios seguem progressão definida, não apenas a disposição do cão.
O retorno seguro acontece quando osso, joelho, musculatura e coordenação foram reavaliados e a escada entrou formalmente no plano. Tempo transcorrido sem exame não basta. Em dúvida, mantenha bloqueio e peça orientação ao cirurgião ou fisiatra veterinário.
Referência bibliográfica: Monk ML, Preston CA, McGowan CM. Effects of early intensive postoperative physiotherapy on limb function after tibial plateau leveling osteotomy in dogs with deficiency of the cranial cruciate ligament. Veterinary Record. 2006;159(7):229-234. doi:10.1136/vr.159.7.229.
Referência bibliográfica: Alvarez LX, Repac JA, Kirkby Shaw K, Compton N. Systematic review of postoperative rehabilitation interventions after cranial cruciate ligament surgery in dogs. Veterinary Surgery. 2022;51(2):233-243. doi:10.1111/vsu.13755.