Empiema epidural espinhal em cães
- Felipe Garofallo

- 3 de ago.
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O empiema epidural espinhal é uma infecção no espaço epidural que pode comprimir a medula e suas raízes. A combinação de inflamação, pus e pressão transforma dor vertebral em déficit neurológico potencialmente rápido.

A infecção pode disseminar-se pelo sangue, partir de discos, vértebras, pele ou tecidos vizinhos, seguir uma mordida ou procedimento, ou permanecer sem origem identificada. Culturas são necessárias para orientar o antimicrobiano sempre que a condição do paciente permite a coleta.
Dor intensa na coluna é muito frequente e pode acompanhar febre, apatia e falta de apetite. Ataxia, fraqueza, perda da capacidade de andar e paralisia indicam comprometimento neural e exigem avaliação imediata.
A ausência de febre não exclui empiema, especialmente após antibióticos ou em pacientes imunossuprimidos. Hérnia de disco, discospondilite, meningomielite, neoplasia e hemorragia podem produzir quadro semelhante.
Hemograma, bioquímica, marcadores inflamatórios, urina e culturas ajudam a procurar o foco e avaliar órgãos antes de terapia prolongada. Antibióticos prévios podem reduzir o rendimento da cultura, mas tratamento não deve ser atrasado em um animal instável.
A ressonância magnética define extensão, compressão e envolvimento de vértebras e tecidos paravertebrais. A coleta de líquido cerebrospinal pode ser perigosa diante de compressão relevante e não substitui amostra direta do material quando esta é acessível.
O tratamento inclui antimicrobianos sistêmicos com boa penetração, inicialmente empíricos e depois ajustados pela cultura. A duração é individual e costuma estender-se por semanas, com monitoramento clínico, laboratorial e, em alguns casos, por nova imagem.
Descompressão e drenagem são consideradas diante de déficit grave ou progressivo, coleção focal, necessidade diagnóstica ou resposta insuficiente ao manejo médico. Séries retrospectivas relatam bons resultados com tratamento médico e cirúrgico, mas a seleção dos casos impede concluir que uma abordagem sirva para todos.
Analgesia, repouso, fisioterapia apropriada, cuidados com pele e manejo da bexiga fazem parte do tratamento. Corticoides por conta própria podem agravar a infecção; antibióticos restantes de outra doença também não devem ser usados.
O prognóstico pode ser favorável quando o diagnóstico é rápido e o tratamento adequado, inclusive em alguns cães não ambulatórios. Extensão da infecção, sepse, perda de dor profunda e doenças associadas tornam a recuperação menos previsível.
Referência: Laws EJ, et al. Multicenter study of clinical presentation, treatment, and outcome in 41 dogs with spinal epidural empyema. Frontiers in Veterinary Science. 2022;9:813316. doi:10.3389/fvets.2022.813316.
Referência: Blanco C, Moral M, Minguez JJ, Lorenzo V. Clinical presentation, MRI characteristics, and outcome of conservative or surgical management of spinal epidural empyema in 30 dogs. Animals. 2022;12(24):3573. doi:10.3390/ani12243573.