Empiema epidural espinhal em cães: infecção que comprime a medula
- Felipe Garofallo

- 2 de ago.
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O empiema epidural espinhal é o acúmulo de material infeccioso no espaço entre o canal vertebral e a dura-máter. Inflamação, pus e compressão podem lesar raízes nervosas e medula, tornando o quadro uma emergência neurológica.

A infecção pode chegar pela corrente sanguínea, por extensão de uma ferida ou foco vizinho, após procedimento ou sem uma porta de entrada evidente. Bactérias são as causas mais comuns, mas o agente precisa ser identificado sempre que possível.
Dor intensa na coluna é o sinal mais frequente e pode vir acompanhada de febre, apatia e perda de apetite. Fraqueza, ataxia, incapacidade de caminhar ou paralisia podem surgir e progredir rapidamente.
Febre pode estar ausente, especialmente após antibióticos ou em animais imunossuprimidos, portanto sua ausência não exclui infecção. Discospondilite, hérnia de disco, meningomielite, neoplasia e hemorragia entram nos diagnósticos diferenciais.
Hemograma, bioquímica, marcadores inflamatórios, urinálise e culturas de sangue, urina ou outro foco ajudam a procurar o agente e avaliar segurança terapêutica. Antibióticos administrados antes da coleta podem reduzir a chance de cultura positiva, mas um paciente instável não deve ter tratamento indevidamente atrasado.
A ressonância magnética é o exame de escolha para definir extensão do material epidural, compressão, inflamação das meninges e possíveis focos vertebrais ou paravertebrais. A análise do líquido cerebrospinal pode ser contraindicada diante de compressão importante e não substitui amostra do material infectado.
O tratamento utiliza antimicrobianos sistêmicos escolhidos inicialmente pelo quadro e depois ajustados por cultura e sensibilidade. A duração costuma ser prolongada e depende de resposta clínica, exames, foco primário e acompanhamento por imagem.
Descompressão e drenagem cirúrgicas são consideradas quando há déficit grave ou progressivo, compressão relevante, material focal acessível, necessidade de amostra ou resposta insuficiente ao tratamento médico. Estudos retrospectivos relatam recuperação com estratégias médicas e cirúrgicas, mas não estabelecem uma regra única para todos os cães.
Repouso, analgesia segura, suporte de enfermagem e manejo da bexiga são fundamentais. Nunca ofereça corticoide ou antibiótico restante em casa: imunossupressão pode agravar infecção e terapia inadequada dificulta o isolamento do agente.
O prognóstico pode ser favorável com diagnóstico e tratamento rápidos, inclusive em alguns cães não ambulatórios, mas varia com gravidade, extensão e doença associada. Piora da marcha, dor intensa, febre ou dificuldade urinária exige atendimento imediato.
Referência: Laws EJ, et al. Multicenter study of clinical presentation, treatment, and outcome in 41 dogs with spinal epidural empyema. Frontiers in Veterinary Science. 2022;9:813316. doi:10.3389/fvets.2022.813316.
Referência: Blanco C, Moral M, Minguez JJ, Lorenzo V. Clinical presentation, MRI characteristics, and outcome of conservative or surgical management of spinal epidural empyema in 30 dogs. Animals. 2022;12(24):3573. doi:10.3390/ani12243573.