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Doença lombossacra em cães pode causar incontinência?

29 de jul.
2 min de leitura

A doença lombossacra degenerativa pode causar incontinência, mas esse não é seu sinal mais comum nem sua única explicação. Alterações no disco L7-S1, ligamentos, facetas e tecidos ao redor podem estreitar o canal ou os forames e comprimir raízes da cauda equina. Como essas raízes participam da função dos membros pélvicos, cauda, períneo, bexiga e intestino, déficits urinários são anatomicamente possíveis.

Veterinário examinando a região lombossacra de um cão

Os sinais mais frequentes são dor lombossacra, dificuldade para levantar, relutância para saltar ou subir escadas, claudicação e fraqueza dos membros pélvicos. Alguns cães apresentam dor ao elevar a cauda, desgaste de unhas ou automutilação por sensação anormal. Incontinência urinária ou fecal tende a indicar comprometimento neurológico mais avançado e merece avaliação rápida.

Urinar dentro de casa não prova doença lombossacra. Infecção urinária, doença renal, diabetes, alterações hormonais, cálculos, doença prostática, declínio cognitivo e incontinência do mecanismo esfincteriano são diagnósticos diferenciais importantes. Gotejamento por retenção também pode ser confundido com produção voluntária de urina.

A avaliação combina história, exame ortopédico, exame neurológico e palpação retal quando indicada. O veterinário verifica dor, marcha, propriocepção, reflexos, tônus anal, sensibilidade perineal e capacidade de esvaziar a bexiga. Manipulações provocativas devem ser feitas com cuidado, pois dor isolada não localiza perfeitamente a lesão.

Urina e exames sanguíneos ajudam a investigar causas não neurológicas e consequências da retenção. Radiografias mostram alterações ósseas, mas espondilose e estreitamento discal não confirmam compressão sintomática. Ressonância magnética costuma definir melhor disco, raízes e tecidos moles; tomografia é útil para osso e planejamento.

Casos leves, sem déficits progressivos nem incontinência, podem responder a redução de atividade, controle de peso, analgesia e reabilitação prescritas. O retorno ao exercício deve ser gradual e baseado na resposta clínica. Corticoides ou anti-inflamatórios não devem ser combinados ou administrados sem orientação.

Cirurgia descompressiva, às vezes associada a estabilização, é considerada quando há dor refratária, déficit neurológico, recidivas ou compressão relevante compatível com o exame. A técnica depende do local e do mecanismo da compressão. A imagem por si só não determina a operação.

A presença e a duração da incontinência influenciam o prognóstico. Em 69 cães submetidos a laminectomia descompressiva, 78% tiveram resultado bom ou excelente, mas incontinência urinária ou fecal pré-operatória se associou a desfecho pior, especialmente quando crônica. Portanto, perda do controle urinário não deve ser observada passivamente em casa.

Durante o tratamento, registre frequência, volume aparente, esforço, gotejamento e capacidade de manter a cama seca. Incapacidade de urinar, bexiga distendida, fraqueza progressiva ou perda de sensibilidade perineal exige emergência. O esvaziamento manual só deve ser realizado após treinamento profissional.

A resposta varia porque doença degenerativa, compressão dinâmica e alterações associadas não são iguais em todos os cães. O objetivo é aliviar dor, preservar marcha e proteger função urinária e intestinal. Reavaliações permitem distinguir melhora real de compensação.

Referência bibliográfica: De Risio L, Sharp NJH, Olby NJ, Muñana KR, Thomas WB. Predictors of outcome after dorsal decompressive laminectomy for degenerative lumbosacral stenosis in dogs: 69 cases (1987-1997). Journal of the American Veterinary Medical Association. 2001;219(5):624-628. doi:10.2460/javma.2001.219.624. PMID:11549090.

Referência bibliográfica: Gödde T, Steffen F. Clinical signs and outcome of dogs treated medically for degenerative lumbosacral stenosis: 98 cases (2004-2012). Journal of the American Veterinary Medical Association. 2014;245(4):408-413. doi:10.2460/javma.245.4.408. PMID:25075824.

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