top of page

Doença lombossacra em cães pode causar incontinência?

Atualizado: há 4 dias

A doença lombossacra em cães pode afetar os nervos que saem no final da coluna, região conhecida como cauda equina. Esses nervos participam do movimento e da sensibilidade das patas traseiras, da cauda, do períneo e de parte do controle urinário e fecal. Por isso, incontinência pode aparecer em doenças graves dessa área, mas não é o sinal mais comum e não deve ser atribuída automaticamente à coluna.

Na estenose lombossacra degenerativa, disco, ligamentos, articulações e estruturas ósseas reduzem o espaço disponível para as raízes nervosas. Cães de grande porte, especialmente adultos ativos, podem apresentar dor ao levantar, dificuldade para saltar, relutância para subir escadas e queda de desempenho. Alguns demonstram fraqueza, arrastam unhas ou perdem musculatura. A síndrome da cauda equina descreve esse conjunto de dor e déficits neurológicos.

Alterações urinárias preocupam quando o cão não percebe que a bexiga está cheia, não consegue esvaziá-la ou deixa urina escapar sem assumir postura. Também pode ocorrer perda de tônus anal, alteração do movimento da cauda e redução de sensibilidade no períneo. Entretanto, esses sinais costumam indicar comprometimento neurológico mais avançado e exigem avaliação rápida.

A maioria dos casos de incontinência urinária em cães tem outras explicações. Incompetência do mecanismo do esfíncter uretral, infecção urinária, cálculos, doença prostática, alterações hormonais, malformações e aumento da produção de urina são diagnósticos frequentes. Dor intensa pode ainda impedir o animal de sair a tempo, gerando acidentes que parecem incontinência. Diferenciar escape involuntário, urgência e retenção com transbordamento muda completamente o tratamento.

A consulta inclui história detalhada sobre volume, frequência, postura e horário dos episódios, além de exame neurológico e palpação da bexiga. Urinálise, cultura, exames sanguíneos e ultrassonografia avaliam o trato urinário. Quando há sinais compatíveis com doença lombossacra, radiografias mostram alterações ósseas gerais, enquanto tomografia e ressonância são mais úteis para compressão, disco e raízes nervosas.

Um achado degenerativo na imagem não prova que a coluna causou a incontinência. Muitos cães adultos apresentam alterações lombossacras sem perda urinária, e problemas urinários podem coexistir. A correlação entre exame, padrão da bexiga e imagem evita cirurgias ou medicamentos direcionados à causa errada. Em alguns casos, exames urodinâmicos ou avaliação especializada complementam a investigação.

O tratamento da doença lombossacra pode envolver controle de atividade, manejo de peso, analgesia prescrita, reabilitação ou descompressão cirúrgica, conforme dor, déficit e imagem. A incontinência recebe abordagem própria e pode exigir manejo da bexiga para evitar distensão e infecção. Não se deve espremer a bexiga nem ajustar medicamentos sem treinamento e acompanhamento.

Procure atendimento urgente se o cachorro perde de repente o controle urinário, não consegue urinar, apresenta bexiga aumentada, fraqueza progressiva, dor intensa ou perda de sensibilidade. Quando os acidentes são graduais, a investigação continua necessária. Separar doença lombossacra de causas urinárias mais comuns permite tratar o problema real e proteger rins, bexiga, nervos e qualidade de vida.

Referência bibliográfica: Worth, A. J.; Meij, B. P.; Jeffery, N. D. Canine Degenerative Lumbosacral Stenosis: Prevalence, Impact and Management Strategies. Veterinary Medicine: Research and Reports, v. 10, p. 169-183, 2019. doi: 10.2147/VMRR.S180448.

Referência bibliográfica: Byron, J. K.; Taylor, J. A.; Phillips, G. S.; et al. ACVIM consensus statement on diagnosis and management of urinary incontinence in dogs. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 38, 2024.

Horário: Segunda à sexta, 11h às 18h. Sábados 10:00 às 14:00
Whatsapp: (11)97522-5102
Endereço: Alameda dos Guaramomis, 1067, Moema, São Paulo, SP

bottom of page